No jogo como na Vida, o "jogo interno"
domina o "jogo externo". Nosso referencial interior junto aos
aspectos fisiológicos criam um modelo mental que domina o
"grosseiro". Assim, afirmamos que o "sutil" sempre
governará o "grosseiro"...
No jogo, o "grosseiro" - fundamentos,
técnica, estratégia, tática, raquete, bola... - sempre estarão sujeitos ao
sutil - liderança, confiança, visão ampla, carisma, equilíbrio emocional,
motivação, maturidade, domínio próprio...
Assim, também na vida o modelo mental que você
tem é que vai levá-lo a transformar seu potencial em realizações. Muitos são os
eternos "potencias"... Contudo, se você vence o jogo interior, você
vence também o jogo exterior com seus recursos, e isso sempre vai fazer uma
grande diferença na quadra e na vida.
Lembrei de Galwey e do jogo de Tênis para
exemplificar isso. No Tênis de alto nível, os tenistas ranqueados na WTA que
estão entre os 100 melhores do mundo, não encontram entre eles grandes
distâncias em suas técnicas, habilidades físicas e equipamentos. É muito
possível ver em um torneio de Grand Slam um jogador número 100 do mundo ganhar
para o numero 5 do ranking mundial.
A prova disso é que na edição de 2013 o mundo viu
no torneio de Wiblemdom, na Inglaterra, esse fato acontecer, justo nessa que é a mais
badalada competição do Grand Slam do tênis mundial. O então número 3 da WTA, Roger
Federer, esqueceu de apresentar seus melhores golpes e foi surpreendido pelo
ucraniano Sergiy Stakhovsky, 116º do ranking mundial. O ex-número 1 do mundo, o
espanhol Rafael Nadal, caiu na primeira rodada de Wimbledon ao perder para o
belga Steve Darcis, 135º do ranking mundial. E ainda a russa Maria Sharapova,
número 3 do mundo do tênis, com uma atuação insegura, caiu diante da portuguesa
Michelle Larcher de Brito, número 131 no ranking da WTA.
Então o que faz a grande diferença entre eles na
hora do jogo? A resposta é: Quem vence o seu jogo interior.
Na história recente desse esporte um tenista que
depois de mudar seu modelo mental, conheceu a tão esperada vitória no Torneio
de Wimbledom. Foi o escocês Andy Murray.
Murray chegou nos últimos anos em várias finais
de grandes torneios, mas não os ganhava. A vitória sempre escapava no final,
entretanto, em 2013, em Wimbledom, foi o primeiro britânico a ganhar o torneiro
depois de 77 anos.
Como ele fez isso? Como ele ganhou seu jogo
interior?
Ora, mudou o modelo mental e assim mudou seus
resultados!
Levou tempo, mas ele conseguiu.
Se você ainda não chegou lá, mude o resultado do jogo em 2014!!
Se Murray fez isso no seu jogo interior você também pode fazer isso no seu! Mude seu modelo mental e mude o jogo! Qualquer coisa peça ajuda ao seu Coach
Um Feliz e Realizador 2014!
Deixo você com um texto do especialista Paulo Cleto sobre a história e os desafios vencidos de Andy Murray até sua vitória em Wimbledom, e seus desafios futuros. É um pouco extenso mais vale a pena conferir!
O Escocês britânico
Paulo
Cleto- Coach esportivo, Treinador e Dirigente de Tênis no Brasil
Wimbledon
nunca mais será o mesmo. Nem Andy Murray. Durante os últimos 77 anos o torneio
foi uma festa onde os organizadores – o All England Club e a Federação Inglesa
– sempre fizeram questão de deixar claro nas entrelinhas, condenscendiam em
permitir que os estrangeiros comparecerem e, para seu eterno desgosto e
frustração, retribuíssem a suposta hospitalidade vencendo o torneio. A imprensa
local deitou e rolou nas ultimas décadas em ataques de auto miseração, e
tirando sarro do fato dos locais nunca estarem presentes na segunda semana do
evento. Para os ingleses – não sei bem se o fato de um escocês, que no ano que
vem votam em um referendo se tormam uma nação independente – é melhor ou pior.
De qualquer jeito, hoje toda a Grã Bretanha celebra e apadrinha o campeão. A
história do até pouco tempo conturbado tenista também será diferente. Uma
antes, outra depois de Wimbledon 2013.
Lembro
que sempre achei que era uma questão de tempo para Murray ganhar Wimbledon e
outros GS. Uma pancada de sofasistas, que hoje se escondem debaixo do tapete,
se indignavam, já que só enxergam o óbvio e esse óbvio se resume a dois ou três
tenistas que veneram, amam ou detestam. Os que acreditavam, como muito bem
bolou nosso amigo Flávio Bet@, cabiam na tal Romi Isetta.
Andy
Murray é um tenista difícil de gostar. Seu carisma é zero. Seu tênis,
brilhante, não se encaixa no padrão atual estilo de mãos pesadas ou mesmo de
jogadores mais clássicos. Tenistas como Jimmy Connors e John McEnroe lhe
esnobaram no início da carreira, se recusando a treiná-lo. Seu estilo é baseado
no contra ataque, no preparo físico espetacular construído com muito trabalho e
competência, cujo verdadeiro diferencial é a sua habilidade física,
especialmente as “mãos”. Além disso é um jogador tático que pensa, as vezes
demais, para jogar.
Desde
cedo ele procurou seu caminho, independente do que os outros achassem.
Abandonar a ilha do norte e procuram Barcelona foi ideia da mãe, que pensava,
com um bocado de razão, que os conterrâneos não tinha na alma o necessário para
serem campeões – foi pastar no saibro espanhol para aprender a lutar. Seu
temperamento se adaptou ao estilo espanhol de trabalho duro. Quando chegou a
hora voltou para a ilha, já com o estilo e o comprometimento definidos.
Uma de
suas qualidades foi ter se cercado de pessoas que pudessem fazer um impacto
positivo em sua carreira/vida. Fugiu do pessoal e das baboseiras da federeção
inglesa, procurando ajuda em profissionais que tinham experiência de trabalho
com outros esportes e do centro de excelência de esportes inglês. Ele tem um
preparador físico, um fisiocultor, um fisioterapeuta que estão no time há anos.
O rebatedor, um venezuelano que conheceu na academia de tênis em Barcelona.
Ivan Lendl, desde o início de 2012 e uma psicóloga que Lendl, que utilisava um
nos tempos de juvenil, o convenceu a contratar. O checo sabia que precisava de
alguem para afinar o hardware do bipolar escocês.
Todos falam
sobre a influência de Ivan Lendl na sua vitória. Com certeza existiu, mas, à
distância, não sei se é tão grande como se preconiza. O rapaz caminhava, no seu
torturante ritmo, e progredia na sua técnica há anos – só não vencia os grandes
eventos. Faltava-lhe quebrar o jejum de um título de Slam, o que veio no ano
passado em Nova York. Era inevitável e Lendl que também teve dificuldade
semelhante, veio ajudar no processo. As diferenças táticas são poucas e as
mudanças eram gritadas até pelos meus leitores mais sofasistas. Faltava alguem
que o convecesse a ser mais agressivo do que era. Mas a maior diferença foi a
mental, e aí é uma salada de influencias e confluências.
Desde o
primeiro Slam veio a final na Austrália onde perdeu para Djoko, pulou fora de
Paris (pra mim para se preparar para Wimbledon) e agora o maior título de sua
carreira, independente do que faça pelo resto dela. O trem embalou.
Com 26
anos de idade, só seis dias o separam de Novak Djokovic, com quem deve fazer a
próxima grande rivalidade do tênis, com Nadal, um ano mais velho, correndo por
fora nas quadras mais ráidas e no saibro deixando os outros por fora. Federer
deve jogar sua ultima cartada no U.S. Open, depois disso ficará cada vez mais
difícil, mas não impossível.
As
características que fazem com que Murray seja um produto não tão agradável
mercadologicamente pela falta de sinergia com o público, são as mesmas que
fazem com que seja um obstinado com sua carreira e o tênis. O seu intenso foco
no trabalho é uma consequência. Como a sua maior conquista afetará a carreira,
para o bem e o mal, é algo que começaremos a enxergar já a partir da temporada
americana de quadras duras. Ele pode tanto se encher de confiança e
auto-estima, algo que sempre lhe faltou um dedinho, e se tornar ainda mais
audaz e perigoso, como, mais uma vez se atrapalhar emocionalmente. A minha
aposta é pela primeira opção. E a outra consequência é que sai a Roli Isetta e
entra, pelo menos, uma van.
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