Derivado das formas clássicas das palavras marculus e martulus, o Martelo é um instrumento usado para
golpear objetos, ou conforme o uso ao qual se destina, tem inúmeros tamanhos,
formatos e materiais de composição, tendo todas as características comuns de um
formato conhecido pela maioria das pessoas.
Os
achados arqueológicos apresentam formas primitivas em diversos tipos de pedra.
Muitas delas trazendo indícios de que era usado algum tipo de cabo-martelo nos
tempos mais antigos. O martelo tem seu uso tão variado que vai do Direito à Medicina;
da Carpintaria à Indústria; da Escultura à Borracharia, do Esporte às manifestações
Culturais.
Foi
com o martelo que o juiz condenou, com o ele o doutor aprovou os reflexos do
paciente, com o “maço” o pedreiro fixou-se a forma da pedra, com o “estampa” do
ferreiro deu-se a curva no ferro. Com marteladas em seu cinzel, Michelangelo
esculpiu com perfeição da estátua de “Moisés”, que ao final da obra, não
acreditando no que arrancara da pedra bruta clamou o artista: Parla! Parla!
Entretanto, do
coração e das mãos de quem segura o martelo, se pode construir e encantar, como
em outros momentos destruir e horrorizar. Lembro-me que algum tempo atrás me
choquei com a notícia de um homem de 43 anos fora acusado de matar a mulher e
dois filhos, de oito e nove anos, a golpes de martelo na cabeça na Favela Santa
Terezinha, Zona Sul de São Paulo. De acordo com a Secretaria de Segurança
Pública, após cometer os crimes, o homem ainda destruiu à marteladas 20
veículos estacionados próximos à sua casa e até mesmo um carro de polícia
chamado para atender a ocorrência. Atingido por um policial militar, o acusado
morreu após ser atendido em um hospital de Diadema, no ABC Paulista.
Lembrei-me
também do assassino russo conhecido como "Maníaco do Parque
Bitsevsky" que embebedava as vítimas e as matava com um golpe de martelo.
É... Martelo também mata!
Assassinos
e loucos à parte, de fato não podemos olhar para o nosso semelhante como um
objeto. Porém, tem pessoas que não conseguem ser saudáveis em suas relações,
porque sempre tratam a todos como prego... Com as velhas reservas de sempre, ou
com o eterno preconceito com o diferente, ou com a sagrada chatice diária e a
prepotência corriqueira do perigoso martelo...
O
problema é o que ignoramos que temos uma “Caixa de Ferramentas”! E o que temos
na nossa “Caixa de Ferramentas” talvez defina fundamentalmente como trataremos
o outro. É fundamental para aquele que se julga um habilidoso “marteleiro”
conseguir perceber que carrega em sua caixa outras ferramentas além do “Malho”.
É sempre importante um alicate de bico, uma chave de fenda, uma chave philips, uma
chave inglesa; pois essas também podem nos ensinar e ajudar muito sobre o
queremos construir...
Ferramentas são
usadas para aumentar o poder do corpo, mas podem nos levar ao encontro da
necessidade do outro. Podemos estar matando o futuro e a esperança das pessoas porque
só temos “Martelo” em nossa “Caixa de Ferramentas”... E sabe o que acontece
quando só temos martelos?
Corremos
o risco de tratarmos tudo o que vemos a nossa frente como “Prego”...
Cuidado!
Martelo também mata...

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