O que é “parar
na hora certa”? Bem, a marca da despedida será sempre uma vitória sobre o
coração, mas também um reconhecimento do propósito de cada missão. Lembro que a
despedida de Gustavo Kuerten diante do público brasileiro, foi marcada pelo
choro... Guga chorou, não porque perdeu para Carlos Berlocq, mas pela
impossibilidade de seguir fazendo o que mais gostava de fazer: jogar tênis. O seu
corpo não permitiu que, como maior ídolo do tênis brasileiro, encerrasse a sua
carreira da forma desejada, ou seja, na “hora certa”... O tenista chegou a
dizer em lágrimas: "Não é que eu não
queira mais continuar jogando... Peço até desculpas... Mas é que não consigo
mais...”.
As
lágrimas de Guga me lembraram da lenda do choro de Alexandre Magno. Conta-se
que o conquis
tador macedônio depois de submeter a Grécia a seu domínio, vencer
os exércitos dos Persas, conquistar o Egito e fundar a cidade de Alexandria, sem
mais reinos para vencer, sentou e olhando na direção do oriente chorou, pois
não havia mais nada a ser conquistado... Entretanto, não conseguindo vencer o
mundo que havia dentro de seu próprio coração, caiu no vício desenfreado da
“próxima conquista” e morreu aos 33 anos.
Sempre
ouvi de meu pai e de alguns amigos mais velhos, que Pelé só é tudo o que é, porque
soube a “hora certa de parar”. Bem, Bill Gates anos atrás também anunciou sua
despedida da Microsoft (empresa que ele criou e fez dele o homem mais rico do
mundo). A decisão de Gates pegou o mundo dos negócios de surpresa. Por que um
empresário jovem e cheio de vida, dono de uma enorme capacidade de ganhar rios
de dinheiro, e de uma formidável história de sucesso, deixaria o negócio que
ajudou a criar para os seus “sucessores”? Os analistas dizem que ao deixar sua
empresa, Gates queria evitar uma das ameaças mais letais ao sucesso de um
negócio... Diz o consultor Renato Bernhoeft: "O mundo dos negócios não perdoa empresários que, mesmo tendo um
passado brilhante, não percebem a hora em que devem transferir a liderança e
dedicar-se a novos projetos pessoais e profissionais”.
Mas é
preciso coragem para vencer o mundo do coração. Muitos conhecem e acompanham o
drama de alguns que buscam a famosa “hora certa de parar”... Perguntando-se: Até
quando desejar conquistar o que não está mais alcance?
Certamente
o coração é o nosso maior adversário. Queremos continuar com o prazer de
vencer, com o prazer de conquistar, com o prazer de conduzir o destino, com o
prazer do “poder”, e os esquecemos do Propósito da Missão pessoal...
É também verdade
que Jesus chorou também diante do fim de uma jornada. Ao chegar perante a visão
da cidade de Jerusalém, ele chorou, conforme nos informa o menor versículo da
bíblia (João 11.35). Entretanto, o choro de Jesus lamentava por Jerusalém, que representava
aqueles que não compreenderiam o propósito da Sua Missão. Conhecer o propósito
da Missão pessoal em qualquer área, lugar ou momento é fundamental para acalmar
o coração. Conhecer o propósito da Missão que nos é conferida, nos faz entender
que outros devem continuá-la, que somos o exemplo, que devemos fazer parte da
construção do sucesso do outro, que devemos preservar a essência sadia de
nossos corações. Jesus conhecia muito bem o propósito da sua missão, por isso
teve sucesso em sua continuidade!
Deixo aos
amigos o que nos inspira um profeta conterrâneo sobre o findar da Missão, Dom
Helder Câmara:
“Que importa, se ao chegar eu nem pareça pássaro!
/ Que importa se ao chegar venha me arrebentando / caindo aos pedaços, / sem
aprumo e sem beleza!... / Fundamental mesmo / é cumprir a missão / e cumpri-la
/ até o fim!...

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