Se você não percebeu ainda o centro da mensagem cristã é que Deus se fez humano por amor ao humano. O humano faz a grande diferença nessa mensagem... A encarnação do Cristo, a maneira como viveu e a crucificação de Jesus estabeleceram um novo paradigma para a noção de realização humana.
Quando falamos sobre REALIZAÇÃO HUMANA
falamos do humano, e sempre é a partir de um palco restrito. Por quê? Porque o único
que pode elaborar um conhecimento do humano em sua condição real é Deus, não só
como Criador de tudo, mas também por ter assumido a própria condição humana.
Até mesmo quando se pensa no SUCESSO como uma
forma de realização humana, sempre será pelo viés da incompletude, da
limitação, da restrição, dentro dos limites de nossa razão. Além de o SUCESSO
ser algo nem sempre compreendido como subjetivo, ser bem-sucedido levando-se em
consideração os modelos fornecidos pela sociedade de consumo ou pela lógica da
competitividade é uma forma de rejeição da humanização.
O novo modelo proposto pela espiritualidade
do Nazareno é ser semelhante à humanidade do Cristo. Sem dúvida, é muito mais
confortável ajustar-se ao modo de vida aceito pela sociedade do que aceitar o
desafio de viver como Cristo.
Simples. É pelo paradigma do Cristo que é
possível ter esperança de humanização, pois Nele a humanidade se fez nova, ganhou
novo significado. Jesus deu a luz à uma nova atitude de ser, uma nova vida, uma
nova pessoa: o novo homem se voltando para um Deus que se volta para o homem.
Um Deus menos distante e mais pessoal, íntimo, com sabor e cheiro. Isso
significa que Deus toma forma no humano para que possamos viver a nossa
humanidade perante Deus e perante nosso semelhante.
Significa que Cristo toma forma no humano a
partir de circunstâncias concretas vividas.
Um grande teólogo do século passado, Dietrich
Bonhoeffer, afirmou que “o ser humano real e renovado não existe senão na
espiritualidade do Cristo e, consequentemente, na conformação com ele”. Aí está
o problema... Ninguém consegue fazer isso sozinho.
Essa é uma experiência íntima e comunitária:
Íntima porque o Espírito Santo nos encoraja a assumir o caráter em Cristo e
comunitária porque é na sociedade que se constitui o espaço onde se pratica a
conformidade com Cristo. Não adianta querer ser Sal dentro do saleiro... Isso é
fingimento! Hipocrisia! O SAL deve salgar e dar gosto em meio à sociedade. Aí
sim, ser semelhante ao Cristo faz grande diferença. Essa experiência entre as
paredes da Igreja não passa de “clubismo”. A Realização Humana relevante é
provada fora dos portões da Igreja...
Disse Jesus: “Vós sois o sal da terra; e se o
sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se
lançar fora, e ser pisado pelos homens”. (Mateus 5:13).
A Terra a que Ele está se referindo não é a
terra arável e cultivável na qual se pode plantar uma semente, mas a sociedade
humana. Segundo Jesus, viver neste mundo não tem sabor, é amargo; a existência
é insípida e sem prazer. O que Jesus está dizendo é que a Sua expectativa,
quanto à nossa existência no mundo, é a mais prazerosa possível. Ninguém fala
de sal, de gosto, de tempero, sem falar de uma existência com sabor, alegria,
incitamento, desafio e sem aventura. Sua REALIZAÇÃO tem sabor?
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