Há dez mil anos as comunidades deixaram de
ser extrativistas e andantes, e assim desenvolveram outras relações de
produção. Criou-se o trabalho subserviente e, com ele, a diferença e as formas
de prática do poder de um sobre o outro. O conhecimento precisava ser
apreendido e reproduzido a partir dos modelos fornecidos pelos “chefes”. A
humanidade inventava a civilização.
Sete mil e setecentos anos depois a humanidade
foi investida por um modo de pensar que apontava para a possibilidade do ser
humano de conhecer a si mesmo. O anseio pela verdade deixa de ser um desejo
para se tornar uma prática. O verdadeiro passa a ser aquilo que pode ser
percebido, observado e racionalizado.
Faz quatrocentos anos a humanidade descobriu
a chamada “ciência”, a possibilidade da certeza das coisas através da “prova”.
Uma ruptura se instala e transforma a Ciência no campo de garantia das
incertezas e a religião no campo de garantia das certezas mediante a Fé.
Como diz um teólogo da atualidade: “Para
superar a incerteza, a ciência cria a tecnologia para exercer controle e a
Religião se inclina para o dogmatismo, sectarismo, fanatismo e fundamentalismo
para garantir as certezas”. Como Mediador dessa ruptura surge o Mercado para
quem todas as coisas se direcionam. Tudo se transforma num Produto. Vivia-se o
inicio da Modernidade...
Hoje no Pós-moderno ou em sua “fluidez
líquida”, a humanidade tem descoberto novas possibilidades de conhecimento, de
tal modo que a quantidade de informações fornecidas pelas novas formas do saber
não são totalmente processadas pelo indivíduo. Temos uma mudança clara na forma
de nos relacionarmos com o outro, com o Criador e com nós mesmos...
Nessa trajetória toda, vivemos a volta de um
antropocentrismo maquiado de vaidade. Não o antropocentrismo do renascimento,
do ser humano como excepcional entre as espécies burras do universo, mas o de
um ser humano com a certeza de gerenciar a própria Vida.
É a tentativa clara de se exercer a certeza
do controle sobre a vida humana. É o desenvolvimento de uma civilização do
controle crescente, que deságua nessa sociedade contemporânea do conhecimento e
da informação instantânea.
Para tanto, o improvável faz parte da nossa
vida e somos convocados a buscar novos rumos. A inteligência não está na
capacidade de acumular certezas, mas na capacidade de se perceber a arte em que
o saber é construído. O sábio não é o que sabe muito, mas o que é capaz de
tomar decisões e fazer escolhas diante do improvável.
Diante do IMPROVÁVEL quem é o burro, afinal?
O ser humano vaidoso ou o universo?
Não se trata mais de buscar a resposta certa,
mas de mudar a forma de fazermos perguntas. Não se trata de evitar as certezas,
mas de se reinventar na liberdade... O improvável é o espaço do contraditório e
condição de liberdade, envolve a aventura de correr riscos para se descobrir e
reinventar novos caminhos.
Assim, se estamos na Era do Improvável, vamos
nos reinventar no Caminho... Lembro que um “certo galileu” disse outrora: “- Eu
sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim...”.
(João 14:6). REINVENTE-SE!

Comentários
Postar um comentário