Segundo Rudolf Steiner, em seu tratado de
antroposofia “A Ciência Oculta”, foi no ano de 869 no Concílio de
Constantinopla que a Igreja Católica Romana estabeleceu o dogma de que o ser
humano é formado apenas “de Corpo e da Alma”, tendo-se eliminado o Espírito de
sua constituição. Estabeleceu-se, ainda, que “a alma tinha algumas
características espirituais”.
Para Steiner, esse foi um dos motivos da
cisão da Igreja Ortodoxa (acontecido em 1050), que continuou a encarar o ser
humano como “tri-membrado”. Historicamente, até hoje, isso leva muitas pessoas
a confundirem Alma com Espírito, ou achar que tudo é a mesma coisa...
Por esse motivo, estando ausente do
vocabulário oficial da Igreja Católica Romana que, durante séculos, ditou no
ocidente os costumes e conceitos ligados à espiritualidade, passando a palavra
Espírito a ter múltiplas conotações. Hoje causa ainda confusão na cabeça de
muitos que falam de “alma penada”, “alma doente”, “coisas da alma”...
Mas, a partir de Descartes, houve uma
fragmentação da realidade em corpo e alma, o que incentivou o desenvolvimento
de linhas mais materialistas. Esse modelo “Cartesiano” começou a ser
questionado no século XX, com estudos sugerindo a retomada da visão integral do
homem e a valorização daquilo que os cartesianos haviam abandonado e a igreja
negligenciado: o ESPÍRITO.
Chegou-se a essa tecnologia moderna,
avançada, e que ninguém pode descartar, mas hoje é fundamental e inquestionável
a retomada a unidade outrora perdida. Não se trata de voltar atrás, mas de dar
um novo passo em direção ao ser humano.
Entende-se que assim, sendo o ser humano um
co-criador de instituições sociais (grupos, empresas, comunidades, associações,
sociedades, países e etc.), esse faz dessas a imagem e semelhança de sua
estrutura mais sutil e espiritual. Muitas dimensões do ser foram suprimidas em
prol do desenvolvimento material que, possivelmente gerou uma sociedade
excludente. Lembremos que hoje dois terços da humanidade não podem consumir a
tecnologia e a ciência que é produzida...
Assim, surge então uma reflexão interessante.
De acordo com alguns educadores, dentro da educação existe uma pergunta que
parece óbvia, mas não é: “O que é educar?”. Educar depende da concepção que ser
humano tem dele mesmo; se ela é estreita, sua maneira de educar será igualmente
estreita... Se profunda, será igualmente profunda.
A proposta “Holística”, “Quântica”, ou
“Complexa” ainda choca a tradição universitária, que está acostumada ao saber
positivo, entretanto é preciso lembrar que a psicologia positiva não depõe
contra isso. Embora a metodologia científica seja necessária, precisamos
reconhecer também a complexidade da condição humana, e assim trilhar o caminho
pedagógico para desenvolvimento da espiritualidade deste que se encontra em
crise: O Ser Humano.
Afinal, se o Espirito não é Alma, nem Alma é
Espírito, a Espiritualidade está muito além do emocional e do religioso. Ela
está na agulha que costura tudo e todos... Por isso, o Espírito não morre, a
Alma sim, mesmo em vida...

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