A relação que Deus estabelece com o homem não
é de distância, assim como nessa relação, não é possível conhecê-lo separado da
história de cada um. Mas diante da morte, onde está Deus? Afinal, estamos
morrendo a cada dia...
Certa vez fui questionado sobre o fato de que
quando um avião cai matando todos os passageiros, aquela pessoa que chegou
atrasada no aeroporto perdendo o vôo, vem e diz: Deus me salvou! ... Por que as
outras centenas de passageiros morreram? Por que Deus não olhou por elas também?
Bem, a consciência de que a morte é o fim da
vida, é nossa. Somos limitados... Nossa ideia de Vida também é Limitada,
Finita, e Humana. Então, a verdade a ser abraçada é: Para Deus não existe morte!
É isso mesmo! Para Deus não existe morte... Para Deus só existe VIDA!
A morte é patrimônio do ser humano, e seu
questionamento também. Para Deus todos continuamos vivos... Respondi então: Certamente
as centenas de pessoas que caíram no avião são tão importantes para Deus quanto
a que não entrou no avião... Todos continuam vivos. Um numa condição e outros
em outra condição.
O que pertence a Deus, na verdade, é o
propósito da nossa existência. A resposta sobre esse proposito existencial só ele
tem. A boa notícia é que podemos descobrir em tempo nosso propósito
existencial! Somos desafiados a descobrí-lo ainda aqui, nessa experiência humana.
Para tanto, Deus é um Deus de vida e não de
morte. Em Jesus de Nazaré testemunhamos que tudo não passa de uma Páscoa
existencial... Uma “Passagem” de uma condição para outra, e não o fim de uma
vida. Nada mais que um novo nascimento... Uns nascem quando estão prontos,
outros nascem até prematuramente... Mas todos estamos na gestação de uma nova
VIDA. Deve ser um privilégio ao final dessa vida humana olhar para os amados e
amigos e dizer: Posso ir, estou pronto para nascer... Valeu!
Outros também nascem prematuramente, mas
nascem! Então, se Deus é um Deus de Vida, não morremos. Nós nascemos! Para ELE
não faz diferença se de morte morrida, se de morte matada ou se em acidentes ou
tragédias... Nós, um dia, estaremos nascendo em Deus para uma nova condição...
Olhemos para o Nazareno e vejamos que essa nossa “morte” (a humana) foi
envergonha da pela sua Ressurreição. Recordo das palavras dos anjos diante daquelas
mulheres que foram ao túmulo de Jesus no domingo pela manha: “Ele não está
aqui; eis que ele ressuscitou...”.(Lucas 24:6)
Diante de situações limites da experiência
humana, como a dor e a morte, ou mesmo como o sucesso e a felicidade, ainda aí
o homem tem a liberdade de acolher ou rejeitar a presença divina. Nas situações
de fronteira da vida, temos a oportunidade concreta de encontro com Deus, de
invocá-lo e de adorá-lo tal como ele é: Um Deus de Páscoa, de Novidades de Vida.
Resta-nos a saudade dos amados que partiram
para seu nascimento... Um dia nasceremos, para outra experiência, e eles
estarão lá para sorrir e ouvir nosso novo choro existencial. E toda lágrima
será enxugada pelo Cordeiro de Deus. (Apocalipse 21:4). Pois
como diria o filósofo Theilard Chardin: "Não somos seres humanos tendo
experiências espirituais, somos seres espirituais tendo experiências humanas...".

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