Certa vez disse o grande advogado
criminalista, Dr. Waldir Trancoso Peres, em um dos seus discursos que Freud
estava errado ao apontar o Prazer (a Libido) como sendo a “mola” da sociedade.
O Medo, dizia ele, o Medo é a “mola” da sociedade! Será que ele estava certo?
Bem, o medo nos traz a clara sensação de que estamos vivos.
Como qualquer mecanismo de defesa, o nosso
organismo encontra no medo um grande auxílio no alerta aos perigos e as ameaças
que podem nos afligir e promove em nós uma reação preventiva. Isso nos prova
que todos que têm saúde, têm medo. Temos medo de tudo... Medo de não viver,
medo de insegurança, medo do abandono, medo do fracasso, medo de ter uma vida
irrelevante... Por exemplo, você pode estar lendo esse texto por medo; medo de
perder o que tenho para compartilhar na reflexão desta semana...
Juntos nós podemos aprender que o medo não é
para ser superado ou derrotado, mas para ser enfrentado. Lembro-me da época em
que era atleta de natação de alto nível, quando meu técnico, o respeitado
professor João Reynaldo “Nikita” (atual técnico da nadadora olímpica Joana Maranhão),
afirmava para seus atletas: “Vocês têm que ter “um certo medo” antes da prova,
o medo vai deixar vocês focados na responsabilidade de vencer. Só não tenham
covardia...”. Ter o medo é saber que ele tem suas vantagens e pode nos ensnar boas lições. Isso nada tem a ver com
covardia.
Covardia é permitir que o medo nos imobilize
e evite que tomemos as atitudes necessárias. O covarde é aquele que fica
dependente de seu medo e com o passar do tempo torna-se seu prisioneiro.
Entretanto, a coragem (que não precisa ser heroica) é o resultado de um
alto-conhecimento que nos leva a entender quem somos, e assim enfrentar os riscos
de atingir nossos objetivos. A coragem é a fruto de uma inteligência espiritual
desenvolvida e amadurecida, que nos ajuda a enfrentar as adversidades, tomar
decisões e acreditar em nosso potencial. Coragem é enfrentar os perigos com
responsabilidade, pois enfrentá-los irresponsavelmente é ser valente. Valentia
e coragem nem sempre se beijam...
Já o medo é muitas vezes alimentado por uma
pedagogia da mediocridade. Esse é o problema... Muitos estimulam a
mediocridade, pois assim não terão medo do que acontecerá no futuro. A
mediocridade do presente torna o futuro medíocre. Os que se sobressaem são
taxados como ameaça, os que inovam como loucos, os talentosos são vistos como
complicados... Tudo em nome da mesmice do “modelo”. Para muitos é melhor a
padronização covarde que a diversidade corajosa. Esses ficam em busca do conforto
e das certezas que não livram ninguém do medo, nem do perigo da acomodação de
uma “zona de conforto”...
Com a oração, Jesus enfrentou o medo no
momento mais difícil de sua jornada até a Cruz. Ele se fortaleceu para um
futuro vitorioso, mas que exigia total sacrifício. Assim, me lembro de suas
primeiras palavras depois de ressuscitado, ainda no jardim do sepulcro, para
aquelas mulheres: “Não tenham medo!” (Mt. 28:10).
Estás com medo? Coragem! “Porque Deus não nos
deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”. (2 Timóteo
1:7).

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