Foi
durante a coroa do Imperador Constantino (272-337 a.C.) que a Igreja passou
de um “organismo” vivo para ser uma “organização”. Não se esclareceu até hoje
que a “Igreja” a qual Jesus se referia no texto de Mateus era a Ekklesia e não Sinagogé... (Mateus 16:18). A palavra usada por Jesus, Ekklesia, é composta de dois radicais
gregos: EK, que significa “para fora”, e KLESIA, que significa “chamado”.
Depois de séculos fazendo Sinagogé (em
grego, Assembleia de homens reunidos em lugar fechado), será que a Sinagogé que vai resistir às dinâmicas
daquilo que chamamos de pós-modernidade?
Para
tanto, gostaria de apontar algumas cogitações atuais ou factíveis,
principalmente no Brasil. A primeira delas seria o fenômeno do “denominacionalismo
dogmático”, Igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, anglicanas,
luteranas, metodistas, católicas entre outras) buscarão se blindar em suas
doutrinas, métodos e sua tradição, ante responder ao novo tempo. Assim como na
Europa, deverão ver a redução gradativa na quantidade de membros. No futuro,
muitos templos poderão fechar, tornando-se bibliotecas, auditórios, estúdios de
gravação, salas de espetáculo, ou centros de cultura cristã.
Surgirão Igrejas independentes e novas em
crescimento acelerado. Sincretistas, estarão misturando tudo. Simbologias
religiosas africanas, indígenas, e características do folclore brasileiro combinadas
com a tradição cristã pentecostal e católica. Por pregarem um evangelho
inventivo, que promete bênçãos materiais em troca da fé, comprometem a essência
da mensagem do Cristo.
Outra tendência forte é que continuarão a
serem fundadas Igrejas para corrigir desvios das comunidades de onde saíram seus
fundadores. Elas tendem com o tempo à institucionalização dogmática personalista
sem base teológica madura, e depois a volta aos possíveis desvios que nasceram
para “corrigir”. Também crescerá o número de pessoas “Caça-Benção” que, a
princípio, são atraídos por promessas de bênçãos imediatas e Mega-Templos que
amontoam pessoas e shows liturgicos, mas com o cansaço disso, tornam-se mais
frustrados... O resultado final é a decepção com “Deus”, deixando assim essa estória
de igreja e alimentando o “rodizio” de fiéis.
Com bons olhos, já vemos o crescimento das
“Igrejas nos Lares”. Pessoas que não frequentam, nem são membros de uma “igreja”
(instituição denominacional), mas que se reúnem com outros cristãos nas suas casas
para estudar a bíblia, orar, adorar a Deus e manter a comunhão.
Observa-se também o aumento do “movimento da
informalidade”. Um movimento não institucional que representa os cristãos que
aproveitam o espaço das instituições, igrejas, missões, sem se comprometerem
com nada. Esse é o cristão que vai ocasionalmente a uma igreja hoje, amanhã em
outra, dá seu dízimo para uma ONG cristã ambiental da Amazônia, oferta recursos
para uma determinada Missão Evangélica na África, mas não pertence a nenhuma
destas expressões. Seria um “pan-denominacionalismo” cristão individual. O
cristão que parece ser “tudo” e “nada” ao mesmo tempo...
Que Deus nos ajude a ver quem realmente somos
como Ekklesia. Que a chave
hermenêutica da Bíblia seja Jesus e não o interesse institucional... Isso faz a
diferença no conhecimento da verdade que liberta. Constantino, o que foi que
você fez cara...?

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