A tradição das vestes litúrgicas brancas, tão
usadas pelos sacerdotes da Igreja ocidental, está na herança do vestuário oficial
dos políticos e do poder no Império Romano. Desde o VI século a. c., os Senadores
romanos vestiam branco... Nada parecido com a simplicidade do “Nazareno”, e sim
com o prestígio e poder político que circulava dentro do Império.
Por exemplo, a expressão “Candidatus” era usada por aqueles que se
apresentavam aos cargos públicos na antiga Roma, os quais se vestiam de branco
no Forum Romanum. A palavra, que vem
do latim, significa “vestido de branco”. Com isso, usando o branco, queriam
demonstrar que eram puros, sobretudo em suas intenções... Lembrei-me da
“necessária” pureza dos “candidatos”, assim, lembrei também que a palavra
Prefeito vem do latim Praefectus, de Prae, “antes, à frente”, e Fectus, “feito, fazer”. A pessoa que
recebia esse cargo era “colocada à frente” do comando de certas instituições ou
grupos. Um modelo disso no império era o Praefectus
Equitum, tido como o general de cavalaria. Outro também era o Praefectus Urbi, o qual tinha o sentido de
um geral administrador, comandante, agente de mando, ou de governo de uma cidade.
Já na Grécia antiga, o Politikós (Político, no latim) era o cidadão que reunia atributos a
ponto de construir um envolvimento direto na discussão e condução coletiva dos
assuntos de sua Pólis (cidade grega),
repletos de coletividade, igualdade, participação, e democracia. Entretanto, chamava-se
de Idhiótis (Idiota, no latim) o
cidadão que cuidavam apenas de seu interesse pessoal e privado, que olhava somente
para o seu “umbigo”, e não se interessava pelos assuntos públicos, comuns e
solidários... Esses eram os EGOístas...
Na verdade estaríamos escolhendo um
comandante “puro” para nossa Pólis...?
Bem, isso não é o mais importante. Não precisamos de políticos puros, e sim de
políticos íntegros. Muitos líderes, religiosos ou não, não são puros; mas são
íntegros. No entanto, já vi muitos líderes, dentro e fora da Igreja, sendo
vistos como “puros”, contudo, sem absolutamente nenhuma integridade.
Assim, diante da escolha de um Praefectus para seu Grupo, Comunidade,
Igreja ou Cidade, não seja um “Idiota” (como na Grécia antiga)... Lembre-se de
que o problema do “Poder” não está na falta da tão moralista “Pureza”, e sim na
falta da tão necessária Integridade.

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