Teologicamente, podemos chamar de
Sagrado aquilo que promove uma abertura entre o natural e o sobrenatural, que
promove um vigor, que gera o assombro, o admirável, o mistério, o temor e o
desejo. Na dimensão do simbólico, o Sagrado estabelece uma relação de vínculos
que podem resultar em fascínio ou rejeição ,simpatia ou repulsa, autoridade ou
submissão, religiosidade ou temor, amor ou animosidade.
É
no espaço da experiência de liberdade e possibilidade de transcender que o
homem pode se realizar. Contudo, a grande verdade é que naquilo que se mostra
nas relações da experiência humana verifica-se que toda a liberdade e
transcendência são relativas, limitadas e condicionadas. Toda a realização se
dá na dimensão da representação simbólica... E nisso está a necessidade do ser
humano de superar as próprias limitações que levam à buscam de direção, para
onde a vida conduz, que pode encontrar em Deus o fundamento último de sentido.
Diante
disso, a religião é uma experiência humana que se manifesta culturalmente e se
atualiza à medida da própria experiência humana. É assim porque temos diante do
ser humano a questão a ser respondida sobre o sentido da vida, pelo fim exsitencial.
Dizer
que o fenômeno religioso deixou de existir ou que perdeu a sua força, por conta
do secularismo, do desencantamento do mundo e do pluralismo é um equivoco. Esse
fenômeno na pós-modernidade aclama uma vida de sucesso e de prosperidade, e
ainda apresenta um compêndio de como se deve fazer para conseguí-la, fomentando
o fundamentalismo reigioso. Precisa-se do elemento mágico que transforme
incerteza em autossegurança, que aponte caminhos para a restauração da
personalidade, reelaborado de uma forma de encantamento, que seduza e que
convença de que se está diante da experiência do sagrado.
Se
o homem não encontra em Deus o fundamento último de sua existência, tende a
adotar outros absolutos e a fazê-lo conforme a sua imagem e semelhança. De
outra forma, afunda no desespero e no vazio existencial.
Enfim
, estamos vivendo um tempo em que ficam à margem o sentimento de pertença e o
sentido de vida em comunidade de forma sadia. Mas o que importa mesmo diante do
“já e ainda não” é ser sal no saleiro... Porque o sal no saleiro não muda nada.
Para dar “gosto” o sal deve estar fora do saleiro... Fora dos portões!
Aonde você está? Só dentro do Saleiro...?

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