A
imagem cultural nordestina nunca foi tão bem representanda pela sanfona e o
chapéu de couro do poeta e compositor Luiz Gonzaga, o “Eterno Cantador”. Gonzaga
teve uma carreira musical consolidada e reconhecida, com seu som “agreste”
atravessando barreiras e fronteiras, onde foi e é apreciada pelo povo
brasileiro. Ele expressava através de sua voz, suas dores, esperanças e amores,
e sua autêntica representação da alma sertaneja, cantando sua história, com
simplicidade e dignidade.
“Lua”,
como também era afetuosamente chamado pelos amigos, estaria completando 100
anos este ano. Dentre as várias homenagens ao seu centenário está a do Clube de
Máscaras Galo da Madrugada em seu desfile oficial, o qual em 2011 arrastou mais de 1,7 milhões de foliões
pelas ruas de Recife.
Das
centenas de composições desse bardo brasileiro está uma, não tão conhecida da
maioria das pessoas, que fala de uma árvore singular chamada: Acácia. A Acácia
é uma árvore de madeira muito dura... Dentre suas espécies, algumas produzem
goma-arábica, outras fornecem fruto comestível, tanino, e madeira de grande
valor. Todas elas produzem flores perfumadas brancas ou amarelas, sendo muito
utilizadas como adorno, e o seu fruto em forma de vagem figura entre os meses
de julho e dezembro. Existem quase 400 variedades presentes no mundo todo, e no
Brasil, a cidade de Goiânia, capital do Estado de Goiás, é a cidade fora da
Europa que tem o maior número de acácias no mundo.
Contudo,
Luiz Gozaga fala da Acácia Amarela (acacia
farnesiana), a qual muitos acreditam que sua madeira teria sido usada na confecção
da cruz em que Jesus fora crucificado. Também afirma-se biblicamente que fora usada
na construção do Tabernáculo hebraico (Ex 26:15-16), para a Arca da Aliança
(Êxodos, 25: 10), usada para a mesa dos pães propiciais (Êxodo, 25: 23) e no
altar dos holocaustos (Êxodo, 27: 1). Para estudiosos da simbologia, a acácia amarela
representa, também, a pureza e a imortalidade, além de ser o símbolo da
ressurreição, por influência da tradição mística dos árabes e dos hebreus.
Como
estudioso que era, o compositor de “Asa Branca” ao falar da Acácia Amarela, fala
da busca pela virtude humana, da possibilidade do alívio da alma, da segurança
da beleza interior, da dignidade sem “subjugar”, lutar e usar de discórdia com
ninguém. O poeta sertanejo aponta que isso é singelamente escandaloso para
alguns, semelhantemente ao escândalo da Acácia Amarela quando flori em especial
beleza.
De
modo geral, na Bíblia, os vegetais e as plantas representam a natureza humana.
A madeira de acácia representa a natureza humana elevada, provada e firme, que
resiste ao sofrimento e a tribulação. A Acácia florida pode ser vista como uma símbolo
que acolhe o mais harmonizado dos homens...
Como
bem cantava Luiz “Lua” Gonzaga: “Ela é tão linda, é tão bela/ Aquela Acácia Amarela/
Que a minha casa tem/ Aquela casa direita/ Que é tão justa e perfeita/ Onde eu
me sinto tão bem. Sou um feliz operário/ Onde aumento de salário/ Não tem luta,
nem discórdia/ Ali o mal é submerso/ E o Grande Arquiteto do Universo/ É
harmonia, é concórdia... É harmonia, é concórdia”.
Parabéns
Luiz Gonzaga!

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