Fogos de artifícios, girândolas coloridas e
muito barulho são as mais comuns testemunhas do que chamamos de “a Virada do
Ano”. Sempre me perguntei porque tanto barulho se faz presente, num momento somos
convidados ao silêncio e oportuna reflexão...
Bem,
o filósofo e educador Rubem Alves diz que as pessoas fazem isso para não ouvir
o barulho que se encontra dentro delas... O barulho de fora tem que ser maior do
que o barulho de dentro... Inquieto e desconfortante, o barulho de dentro nos
lembra que mais um ano passou e temos que encarar pela natureza da vida, um
balanço nem sempre positivo...
Muitos
vêem no barulho dos fogos uma oportunidade de esquecer da falta... De tudo que
ainda falta em nós e fora de nós; do barulho da ausência. Ausência que é tão
importante para nossa esperança.
É...
Os anos passam, são virados, são marcados nas nossas vidas. E passam para
todos... Passam para mim e para você. Assim, ficamos com o passar dos anos: Enrrugados...
E essas rugas podem ser “de expressão”, da falta de colágeno no corpo, ou da
alma.
Lembro-me
que recentemente, em uma reunião com o Prefeito Cezar Schirmer sobre soluções
urbanas para nossa Santa Maria, uma citação dita por um empreendedor do ramo de
mobilidade urbana chamou a atenção de todos. Disse ele: “Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a
alma...”. Logo o prefeito voltou-se para mim e disse: Olha aí, meu amigo!
Mais uma, para você que gosta de reflexões!
Fiquei
então ruminando aquela frase como quem já havia ouvido aquele pensamento antes.
Sim, teria lido em um livro chamado: “A Arte de Lidar com Pessoas”, de Jamil
Albuquerque. Jamil parafraseia Albert Schweitzer, o teólogo, músico, filósofo
alemão, citando esse aforismo assim: “A
idade enruga a pele, mas a ranzinzice enruga a alma!”.
Depois
de mais um Revellion uma pessoa de 20
anos pode parecer ter 80 anos; outras com 80 podem parecer ter 20. Umas
envelhecem, outras crescem, evoluem e amadurecem.
Por
que isso acontece?
O
segredo, possivelmente, está nisso: Bom-humor; Entusiasmo... E tudo aquilo que
propicia bons relacionamentos, amizades verdadeiras, facilidade em fazer amigos
e gerar esperança em todos! Isso faz renovo em todas as almas.
Já
a ranzinzice gera queixume, intolerância, e crítica a tudo e a todos... Com ela
os anos são envelhecedores e desgastantes. A pessoa mal humorada torna-se cruel
e intolerante com aqueles que ama e por quem ela é amada; tambem leva a ranzinzice
para sua atividade profissional. Assim, sua linguagem gera postura e sua
postura gera resultados. Essa atitude, queima a saúde e a empatia, dificulta a
sintonia, a afinidade, e o plugar-se... Enfim, enruga a alma.
Espero
que minhas rugas continuem aparecendo em minha face e desaparecendo em minha
alma a cada ano virado. Espero que no momento do barulho dos fogos de artífios
você possa lembrar de tudo que pode melhorar dentro de você, e o que ainda está
precisando de renovação. Deus, em Cristo, pode ajudar diretamente nisso. Pode acreditar!
Na
minha terra se chama, em tom de brincadeira, uma pessoa com muitas rugas na
face de “maracujá de gaveta”, por essa estar bem engelhada. Fica então a pergunta
diante desse final de ano: Estamos envelhecendo nossa alma como um “maracujá de
gaveta”, ou renovando nosso interior?
Minha
dica é que fiquemos amigos do Bom Humor e do Entusiasmo! Tenho a certeza que
isso vai tornar o nosso Novo Ano menos enrugado...

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