No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ela
estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dela,
e sem ela nada do que foi feito se fez. Nela estava a vida, e a vida era a luz
dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra
ela. (Evangelho de João 1:1-5).
Diante
do prólogo desse evangelho, destaca-se o “mistério
do Logos”. O Logos é aquele que
está presente desde o início de todas as coisas e estava com o Criador de todas
as coisas; o Logos era o próprio
Criador e estava no Criador. Esse Logos citado por João está presente na
mediação de todas as coisas criadas, e iluminando a humanidade desde o
princípio. Porém o significado do Logos
é mais profundo e é resultado de um conjunto de conceitos que revelam a sua
importância na vida de um aprendiz maçom. São esses conceitos que podemos de
uma forma breve abordar a seguir.
O Logos (λόγος - no grego pode várias
traduções), o Verbo, uma palavra, uma narração ou pronunciamento, prática,
conceito ou idéia. Não é a palavra como é falada ou escrita, mas o significado,
ou seja, seu conceito. Reforçando ainda o conceito mais profundo do Logos, sabe-se que o termo
"palavra", puro e simples, no grego é: Lexi.
Antes
do surgimento da filosofia, o Logos
significava apenas Palavra. Porém, filósofos como Heráclito de Éfeso, apontaram
esse conceito como: Razão universal.
Foi a
partir dos filósofos gregos o termo Logos
passou a ter um significado mais amplo. Tanto como a capacidade de
racionalização individual ou como um princípio cósmico da manutenção da Ordem e
da Beleza.
Para
o Estoicismo todo o universo é corpóreo e governado por um LOGOS divino (noção que os estóicos tomam de Heráclito e
desenvolvem). Para esta escola de pensamento a alma humana está identificada
com este princípio divino, como parte de um todo ao qual ela mesma pertence.
Assim, este Logos (ou razão universal) ordena todas as coisas; tudo surge a
partir dele mesmo, e de acordo com ele, graças a ele o mundo é um KOSMOS (termo
que em grego significa "harmonia").
Para
Fílon de Alexandria (filósofo judeo-helenista 25 a.C. – 50 d.C), o Deus
absoluto é cercado por seus poderes (δυναμεις - dunameis) como um rei por seus
servos. Esses poderes são, em linguagem platônica, idéias, e para os judeus, os
anjos, mas todos são essencialmente Um, e sua unidade, tal como existem em
Deus, eles emanam Dele.
Diante
da influência do pensamento grego de Heráclito de Éfeso, do Estoicismo e de
Fílon de Alexandria, o Evangelista João (que a tradição da Igreja defende ser
“João de Éfeso”) elabora seu evangelho pedagogicamente para um público de
cultura greco - judaica. O evangelista tinha como alvo de sua mensagem a
comunidade dos “gentios cristãos” de sua época, ou seja, a comunidade de não
judeus convertidos ao cristianismo.
Para
o Evangelista o Verbo é pessoal, relacional e é o próprio Deus. Só através dele
existe uma mediação entre o Finito (homem) e o Infinito (Deus). Ele está na
mediação na criação do mundo, e que entra na vida humana tornando-se carne,
para que, como Jesus Cristo homem (o Messias histórico), possa viver e morrer
como homem e revelar a todos o coração do absoluto; o Criador de todas as
coisas.
Você
conhece o Logos?

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