quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Mude o resultado do Jogo em 2014!

 
No jogo como na Vida, o "jogo interno" domina o "jogo externo". Nosso referencial interior junto aos aspectos fisiológicos criam um modelo mental que domina o "grosseiro". Assim, afirmamos que o "sutil" sempre governará o "grosseiro"...

No jogo, o "grosseiro" - fundamentos, técnica, estratégia, tática, raquete, bola... - sempre estarão sujeitos ao sutil - liderança, confiança, visão ampla, carisma, equilíbrio emocional, motivação, maturidade, domínio próprio...

Assim, também na vida o modelo mental que você tem é que vai levá-lo a transformar seu potencial em realizações. Muitos são os eternos "potencias"... Contudo, se você vence o jogo interior, você vence também o jogo exterior com seus recursos, e isso sempre vai fazer uma grande diferença na quadra e na vida.

Lembrei de Galwey e do jogo de Tênis para exemplificar isso. No Tênis de alto nível, os tenistas ranqueados na WTA que estão entre os 100 melhores do mundo, não encontram entre eles grandes distâncias em suas técnicas, habilidades físicas e equipamentos. É muito possível ver em um torneio de Grand Slam um jogador número 100 do mundo ganhar para o numero 5 do ranking mundial.

A prova disso é que na edição de 2013 o mundo viu no torneio de Wiblemdom, na Inglaterra, esse fato acontecer, justo nessa que é a mais badalada competição do Grand Slam do tênis mundial. O então número 3 da WTA, Roger Federer, esqueceu de apresentar seus melhores golpes e foi surpreendido pelo ucraniano Sergiy Stakhovsky, 116º do ranking mundial. O ex-número 1 do mundo, o espanhol Rafael Nadal, caiu na primeira rodada de Wimbledon ao perder para o belga Steve Darcis, 135º do ranking mundial. E ainda a russa Maria Sharapova, número 3 do mundo do tênis, com uma atuação insegura, caiu diante da portuguesa Michelle Larcher de Brito, número 131 no ranking da WTA.

Então o que faz a grande diferença entre eles na hora do jogo? A resposta é: Quem vence o seu jogo interior.

Na história recente desse esporte um tenista que depois de mudar seu modelo mental, conheceu a tão esperada vitória no Torneio de Wimbledom. Foi o escocês Andy Murray.

Murray chegou nos últimos anos em várias finais de grandes torneios, mas não os ganhava. A vitória sempre escapava no final, entretanto, em 2013, em Wimbledom, foi o primeiro britânico a ganhar o torneiro depois de 77 anos.

Como ele fez isso? Como ele ganhou seu jogo interior?

Ora, mudou o modelo mental e assim mudou seus resultados!

Levou tempo, mas ele conseguiu.

Se você ainda não chegou lá, mude o resultado do jogo em 2014!!
Se Murray fez isso no seu jogo interior você também pode fazer isso no seu! Mude seu modelo mental e mude o jogo! Qualquer coisa peça ajuda ao seu Coach
Um Feliz e Realizador 2014!

Deixo você com um texto do especialista Paulo Cleto sobre a história e os desafios vencidos de Andy Murray até sua vitória em Wimbledom, e seus desafios futuros. É um pouco extenso mais vale a pena conferir!
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O Escocês britânico

Paulo Cleto- Coach esportivo, Treinador e Dirigente de Tênis no Brasil

Wimbledon nunca mais será o mesmo. Nem Andy Murray. Durante os últimos 77 anos o torneio foi uma festa onde os organizadores – o All England Club e a Federação Inglesa – sempre fizeram questão de deixar claro nas entrelinhas, condenscendiam em permitir que os estrangeiros comparecerem e, para seu eterno desgosto e frustração, retribuíssem a suposta hospitalidade vencendo o torneio. A imprensa local deitou e rolou nas ultimas décadas em ataques de auto miseração, e tirando sarro do fato dos locais nunca estarem presentes na segunda semana do evento. Para os ingleses – não sei bem se o fato de um escocês, que no ano que vem votam em um referendo se tormam uma nação independente – é melhor ou pior. De qualquer jeito, hoje toda a Grã Bretanha celebra e apadrinha o campeão. A história do até pouco tempo conturbado tenista também será diferente. Uma antes, outra depois de Wimbledon 2013.


Lembro que sempre achei que era uma questão de tempo para Murray ganhar Wimbledon e outros GS. Uma pancada de sofasistas, que hoje se escondem debaixo do tapete, se indignavam, já que só enxergam o óbvio e esse óbvio se resume a dois ou três tenistas que veneram, amam ou detestam. Os que acreditavam, como muito bem bolou nosso amigo Flávio Bet@, cabiam na tal Romi Isetta.


Andy Murray é um tenista difícil de gostar. Seu carisma é zero. Seu tênis, brilhante, não se encaixa no padrão atual estilo de mãos pesadas ou mesmo de jogadores mais clássicos. Tenistas como Jimmy Connors e John McEnroe lhe esnobaram no início da carreira, se recusando a treiná-lo. Seu estilo é baseado no contra ataque, no preparo físico espetacular construído com muito trabalho e competência, cujo verdadeiro diferencial é a sua habilidade física, especialmente as “mãos”. Além disso é um jogador tático que pensa, as vezes demais, para jogar.


Desde cedo ele procurou seu caminho, independente do que os outros achassem. Abandonar a ilha do norte e procuram Barcelona foi ideia da mãe, que pensava, com um bocado de razão, que os conterrâneos não tinha na alma o necessário para serem campeões – foi pastar no saibro espanhol para aprender a lutar. Seu temperamento se adaptou ao estilo espanhol de trabalho duro. Quando chegou a hora voltou para a ilha, já com o estilo e o comprometimento definidos.


Uma de suas qualidades foi ter se cercado de pessoas que pudessem fazer um impacto positivo em sua carreira/vida. Fugiu do pessoal e das baboseiras da federeção inglesa, procurando ajuda em profissionais que tinham experiência de trabalho com outros esportes e do centro de excelência de esportes inglês. Ele tem um preparador físico, um fisiocultor, um fisioterapeuta que estão no time há anos. O rebatedor, um venezuelano que conheceu na academia de tênis em Barcelona. Ivan Lendl, desde o início de 2012 e uma psicóloga que Lendl, que utilisava um nos tempos de juvenil, o convenceu a contratar. O checo sabia que precisava de alguem para afinar o hardware do bipolar escocês.


Todos falam sobre a influência de Ivan Lendl na sua vitória. Com certeza existiu, mas, à distância, não sei se é tão grande como se preconiza. O rapaz caminhava, no seu torturante ritmo, e progredia na sua técnica há anos – só não vencia os grandes eventos. Faltava-lhe quebrar o jejum de um título de Slam, o que veio no ano passado em Nova York. Era inevitável e Lendl que também teve dificuldade semelhante, veio ajudar no processo. As diferenças táticas são poucas e as mudanças eram gritadas até pelos meus leitores mais sofasistas. Faltava alguem que o convecesse a ser mais agressivo do que era. Mas a maior diferença foi a mental, e aí é uma salada de influencias e confluências.


Desde o primeiro Slam veio a final na Austrália onde perdeu para Djoko, pulou fora de Paris (pra mim para se preparar para Wimbledon) e agora o maior título de sua carreira, independente do que faça pelo resto dela. O trem embalou.


Com 26 anos de idade, só seis dias o separam de Novak Djokovic, com quem deve fazer a próxima grande rivalidade do tênis, com Nadal, um ano mais velho, correndo por fora nas quadras mais ráidas e no saibro deixando os outros por fora. Federer deve jogar sua ultima cartada no U.S. Open, depois disso ficará cada vez mais difícil, mas não impossível.


As características que fazem com que Murray seja um produto não tão agradável mercadologicamente pela falta de sinergia com o público, são as mesmas que fazem com que seja um obstinado com sua carreira e o tênis. O seu intenso foco no trabalho é uma consequência. Como a sua maior conquista afetará a carreira, para o bem e o mal, é algo que começaremos a enxergar já a partir da temporada americana de quadras duras. Ele pode tanto se encher de confiança e auto-estima, algo que sempre lhe faltou um dedinho, e se tornar ainda mais audaz e perigoso, como, mais uma vez se atrapalhar emocionalmente. A minha aposta é pela primeira opção. E a outra consequência é que sai a Roli Isetta e entra, pelo menos, uma van.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Já Morreu... Ou então Felicidade é brinquedo que não tem...


 O compositor José de Assis Valente teve como sua primeira composição de destaque o samba “Tem Francesa No Morro”, satirizando a “moda” de se falar francês nas altas rodas da sociedade carioca dos anos 30. Com uma brasilidade inquietante e popular, também conseguiu que Carmen Miranda gravasse “Good Bye Boy”, também satirizando a “moda” de se falar inglês. Quem é que não lembra do pedido do poeta para Tio Sam tocar pandeiro pro mundo sambar” em seu samba “Brasil pandeiro”? Canção que foi resgatada durante a Copa de 1994 pela mídia brasileira.

Entretanto, desde a década de 30 os brasileiros cantarolam uma das mais populares músicas do compositor, intitulada “Boas Festas”. Adequada ao “gênero natalino”, ela é incansavelmente repetida durante o mês de dezembro. É muito comum entrarmos nas lojas e nos shoppings, e rapidamente acompanharmos os acordes de “Boas Festas” de Valente.

Por vezes, não nos damos conta da verdade e da tristeza desta música...

Assis Valente foi um compositor que transformava as coisas que vivenciava, no dia-a-dia, em composições. Foi ele quem “pensava que todo mundo fosse filho de Papai Noel...”. De fato, a história desta música, dizem alguns biógrafos, é a de que Valente estava num quarto, solitário e com muita tristeza no coração, atordoado pela vida e pela distância de uma família, e fez desta música um apelo a “Noel” por sua felicidade.

Diz o compositor que quando anoitece, o sino geme, nós rezamos, e Papai Noel não vem...

O apelo comercial e a insistência em fazer do “bom velhinho” uma razão para o Natal existir, faz dele uma nuvem que dispersa a manjedoura do Cristo. Faz dele uma ironia elegante...

Muitas pessoas ficam extremamente tristes nesta época do ano, talvez porque lembrem que a “felicidade” de Papai Noel só dura alguns dias. Reconheçam que muitos, só são solidários no Natal para mascarar a falta de solidariedade durante todo o resto do ano. Conheçam no seu secreto, que o “Noel” de muitos é para poucos.

As pessoas fazem do “gorducho de barba branca” um arquétipo da sua “boa mentira”. Bem diferente de Nicolau Taumaturgo, arcebispo ortodoxo de Mira no século IV, que morreu faz tempo.

Ninguém reflete sobre a maneira como as crianças descobrem que “Noel” não existe...

Que decepção com os “adultos”... Os pequenos descobrem mais tarde que mentir é possível, normal e aceitável, e que mentira é algo comum na família, na escola, na sociedade...

Recentemente, uma professora foi demitida de uma escola inglesa quando contou a seus alunos, de 9 e 10 anos, que o Papai Noel não existe. Ela trabalhava na escola Boldmere Junior School, em Sutton Coldfield, na Inglaterra, e disse na ocasião: "Todos vocês são suficientemente velhos para saber que não existe Papai Noel. Se perguntarem a seus pais, eles dirão".

O absurdo foi que os pais ficaram furiosos com a atitude da professora! Tudo pela “magia” do Natal... Até demitir uma educadora.

Lembra-nos Assis Valente em sua canção: “Já faz tempo que pedi, mas o meu Papai Noel não vem, com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem...".

Neste Natal descubra o cheiro do estábulo, a rudez da manjedoura e o caminho singular conduzido pela criança. Está feito convite do Cristo Menino, que nasce todos os dias, e tem um presente precioso para nos dar a cada segundo.

A felicidade não está no saco de “Noel”.

A Alegria que excede o entendimento humano e a Paz que é loucura para muitos, pode ser partilhada diante do mistério do Menino da manjedoura querendo guiar pela mão a cada um de nós. Ele faz novas todas as coisas! Ele é o presente de Deus para nós! Ele é Emmanuel – Deus Conosco!

Já o Assis Valente não era uma pessoa feliz. Curiosamente, tentou o suicídio atirando-se do Corcovado e milagrosamente ficou preso numa árvore, 70 metros abaixo. Fraturou duas costelas e teve contusões e escoriações generalizadas. Tentou o suicídio por mais três vezes, tentando se jogar de uma janela, cortando os pulsos e tomando guaraná com formicida, numa praça pública, sua última e bem-sucedida tentativa. Esqueceu de ver que o Menino da manjedoura estava de braços abertos para ele desde o início...

Não espere por Papai Noel... Com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem... Lembre-se do profeta Isaías 700 anos antes de Cristo: “O leão se deitará com o cordeiro, e o leopardo com o cabritinho, e um menino pequeno os guiará!" (Isa.11:6-7).

Segure na mão do Menino e Feliz Natalidade!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Muros diabólicos, vidas simbólicas...



            Afirma-se que a única construção feita pelo homem que é possível ser vista da Lua é um “muro”. Isso mesmo, um muro. Embora isso não se confirme, parece que a milenar Grande Muralha da China, com seus quase 7000 quilômetros, é o um grande símbolo do valor que a humanidade forjou para seus muros. Lembro-me das palavras do cientista e valoroso anglicano, Isaak Newton: "Construímos muitos muros e poucas pontes"...

De fato, os muros têm atravessado a história da humanidade com a responsabilidade de conter, guardar, separar, limitar, isolar, excluir... O muro é o objeto símbolo da divisão.

Quando falamos em símbolo temos que compreender qual é o seu papel. O símbolo, reza a etimologia da palavra grega símbolos (Sim – unir; Bolos – partes), é o que une, agrega. O seu antônimo é diábolos (Dia – separar; Bolos - partes), o que desagrega, divide, e separa.

Os sinais de união, virtudes, são símbolos, pois o símbolo é aquilo que une duas realidades diferentes, é aquilo que faz memória atual da existência e do Amor nas relações. Tudo é passível de questionamento, de análise, de reflexão, para se avaliar se representa ou não sinal da união. Se o símbolo representa a união de duas realidades, o contrário se dá com o diábolo. Tudo aquilo que desagrega, que domina, que separa, que divide, que exclui, que oprime e reprime é diabólico (qualquer que seja a lei, a instituição, o cargo, o indivíduo, ou se achem inseridos sociologicamente).

Portanto, podemos afirmar que o papel do Muro na sua essência é muito mais diabólico que simbólico...

Quem não lembra do Muro de Berlim?

Na manhã, bem cedo, do dia 13 de agosto de 1961, a população de Berlim, próxima à linha que separava a cidade em duas partes, foi despertada por barulhos estranhos, exagerados. Dava-se o erguimento do longo muro, traçado bizarro da guerra fria, que grosseiramente separou a zona soviética da então zona aliada ocidental, provocando separações, dissolução de famílias, exclusões, além de muitas mortes. Talvez o muro mais vergonhoso de nossos tempos. Mas em 09 de novembro de 1989 de Diabólico, o divisor passa a ser Simbólico, quando da sua “queda”. Ato emblemático inicial da reunificação das duas Alemanhas.

No entanto, recentemente temos assistido às polêmicas sobre novos e famosos muros. A triste história dos muros recentes que começa bem com o derrubar do Muro de Berlim, continua mal com o perpetuar da “diabologia murista”.

O uso do obstáculo físico, ou não, para separar dois universos distintos pode ter um viés ideológico, econômico, afetivo, militar e até mesmo envolver uma componente religiosa, como é o caso do muro construído por Israel, a nação dos judeus, para isolar os palestinos, seguidores do islamismo.

O “Muro de Israel” tem sido o laurel da falta de capacidade de diálogo, entendimento e da tolerância entre os seres humanos. Algo extremamente diabólico. De fato, não se aprendeu nada com o “diábolos berlinense”...

Agora, assistimos a polêmica sobre a construção de uma barreira na fronteira entre México e Estados Unidos, com o objetivo de conter o avanço imigratório ilegal nos EUA vindo da fronteira com o México. A construção da barreira foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente George W. Bush.

O muro de Israel, o muro em Ceuta e Melila e o muro do México. O estado Israel, a Europa e os Estados Unidos, nações símbolos de liberdade, ou unidas como símbolos de exclusão…?

Lembrei-me que anos atrás também testemunhamos um anúncio do governo do Rio de Janeiro que queria construir um muro para cercar as favelas da Rocinha, do Vidigal e do Parque da Cidade. Diábolos...!

Quantos muros representam as muralhas sociais e pessoais que provamos diariamente.

Os muros não físicos, não são menos diabólicos que os físicos. A "Apartheid" foi um exemplo disso. Não esquecendo que ainda existem outros "Apartheids" construídos por aí.

De fato, por vezes em nossas vidas pessoais e sociais temos sido mais diabólicos que simbólicos... Famílias em crises de relacionamento, divisões sumárias, filhos distantes dos pais, pais separados dos filhos, comunidades ou grupos vítimas de separações excludentes, e tantos outros fatos que nos tornam agentes da divisão.

Uma convicção tenho; de que Deus abomina a divisão insana. Nada mais belo e mais divino do que a união do ser humano, carnal ou não. Por isso Jesus é o maior sinal de partilha. Ele é Emanuel - Deus Conosco!

Fomos criados para estarmos juntos e não para o isolamento, a distância e a solidão. Fomos criados para sermos simbólicos!

Num tempo em que o individualismo e a competitividade nos impelem a sermos diabólicos, tenhamos a certeza de que a nossa vocação é a de sermos engenheiros do Amor e da Paz. Construtores de pontes. Facilitadores da união...

Que o grande arquiteto do universo nos proteja e preserve de toda divisão.

 


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um buraco na Capri, um buraco na vida, uma piscina na areia


Certa vez, estava cavando um buraco na areia com a intenção de proporcionar uma possível “piscininha” para meu pequeno Samuel. Enquanto meu filho brincava faceiro naquele “buraco-banherinha”, eu pensava e sonhava no seu futuro, e sobre que futuro esperava por ele... Pensava no valor da vida humana.

Na verdade estamos cercados de buracos e com eles estão as nossas constatações, contemplações, indignações e reações. Procuramos pelo buraco de fechadura, fechamos o buraco na parede, o Camelo às vezes não passa pelo “buraco da agulha”, por vezes somos testemunhas de um buraco de bala, sofremos com um buraco no dente, tostamos com o buraco na camada de ozônio, perdemos com os buracos das estradas, costuramos os buracos na roupa, nos molhamos com os buracos no telhado e tantos outros que estão por perto... Temos também buracos em nossa pele, em nossos órgãos, em nosso corpo, pois se fossemos tapados certamente morreríamos...

Contudo, os presentes buracos em nós também presenciam o aparecimento de novos buracos da existência humana.

Foi durante a conhecida tragédia da Rua Capri em janeiro de 2007, na capital paulista, que lembrei o quanto estamos muitas vezes esquecendo a nossa relação com a vida, e da capacidade que os buracos têm de promover mudanças no ser humano. Provocado pela intensidade das chuvas do mês de janeiro na capital paulista, o buraco da rua Capri em meio as obras da linha 4 do metrô mais perecia uma cratera promovida por um meteoro.

Na época, o súbito desmoronamento das estruturas da nova linha do metrô paulista engoliu terra, tragou pessoas, abocanhou veículos e ainda comprometia a vida de todos ao seu redor. O barulho urbano que havia nas imediações da “Capri” deu lugar a um silêncio quase sagrado promovido pela angustia dos parentes das vítimas, pela coragem dos trabalhos subterrâneos dos bombeiros e pela presença atônita de todos que refletiam, diante daquela imagem, sobre as dimensões da vida humana.

Esse fato nos leva a pensar sobre quem poderia estar ali naquele dia e quem foi vitima do “imprevisto buraco”.

Temos que olhar para a vida reconhecendo que Deus é um Deus de Vida e não de morte, e que a morte só pertence a nossa condição limitada. Para ELE, você e eu temos um valor eterno e imensurável, que não está egoisticamente preocupado com quem está, ou não, passando pela Rua Capri neste momento.

Mas qual o “tamanho” do buraco em que sua vida está, ou contém?

Lembrei de um outro buraco que me deixou indignado em recente notícia. Um jovem australiano pôs a própria vida à venda no site de leilões na internet, e recebeu como maior oferta feita 7.500 dólares australianos - cerca de 12,5 mil Reais - bancada por um britânico. Nicael Holt, 24, surfista e aluno de filosofia da Universidade de Wollongong, ofereceu um "pacote", que incluía nome, número de telefone, todos os seus pertences pessoais - roupas, cerca de 300 CDs e uma bicicleta usada -, além de um curso de adestramento de quatro semanas para se tornar “Holt”, que implicava em aprender suas habilidades, incluindo surfe, skate e alpinismo.

Isso é que é um buraco... Um buraco na alma.

De fato, o buraco mais poderoso, mortífero, que mais fere e suga a vida humana é o buraco na alma. Uma alma furada não sabe o valor da vida. Existe um vazio na alma que só pode ser preenchido com a forma correta, e tudo que usarmos para preenchê-lo será tarefa em vão, se não descobrirmos humildemente que ele tem a forma de Deus.

Quando reconhecemos que esse buraco existe, reconhecemos também que há uma busca por nós mesmos, por Deus e pelo nosso semelhante. Quando reconhecemos o valor da vida, até quando somos vitimas do buraco da saudade. Podemos fazer desse um cálice de amor, fazer desse uma “piscina na areia” para outras vidas brincarem a nossa volta.

Atentemos com os buracos ao nosso redor, mas jamais esquecendo que um buraco na alma pode insistir em engolir seus sonhos e suas esperanças. Esse precisa ser preenchido com a coisa certa, e assim saberemos o valor que tem a vida humana.

Não venda sua vida... Tire a vida no buraco... E faça de alguns buracos pequenas piscinas na areia para brincarmos juntos...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CONVITE

Assista a palestra ao vivo em WEBINAR com o Life Coach Fábio Vasconcelos

"O Desenviolvimento pessoal no Século XXI"

 

13-12-13, às 20h, horário de Brasília

acesse:
https://www.anymeeting.com/WebConference-Beta/Default.aspx?code=534-787-957