terça-feira, 19 de novembro de 2013

O “Garganta do Vento Norte”...

 
                                          Homenagem recebida em 2013 com o troféu "Garganta do Vento Norte"


Numa jogada polêmica de futebol entre as seleções do Brasil e do Egito na Copa das Confederações de 2009, um jogador egípcio conseguiu evitar um gol brasileiro com o braço, e, com um gesto quase que faraônico, mantendo aquela pose real, afirmava que a bola não tinha batido em seu braço, e sim na trave.
Bem, o juiz não podendo acompanhar visualmente o lance, ficou por alguns minutos sem definir a falta a favor do Brasil, até que subitamente de algum lugar foi supostamente avisado por um quarto árbitro que, guiado pelas câmeras de TV, confirmava que o jogador egípcio havia tirado a bola com a mão... Pronto! Confusão estabelecida...
Polêmicas e contendas a parte, podemos ver que esse esporte é, sem sombra de dúvidas, apaixonante... O futebol é uma arte que pode se praticar como esporte, pode se pesquisar como fenômeno social e pode ser vivido como “religião”...
O torcedor atende pelo nome do seu clube, do seu time, da sua seleção. O imaginário, mesmo com a tecnologia disponível nos dias atuais, continua cada vez mais fortalecido pelo comprometimento de torcer, de vibrar, seja qual for a circunstância.
O pernambucano e dramaturgo Nelson Rodrigues disse certa vez que “entre as coisas menos importantes da vida, a mais importante é o futebol...”. Importância essa que leva os sonhos e projeta as esperanças do individuo nas cores dos lauréis de seu clube de coração...
Hoje, ainda me lembro das tardes de domingo, que quando criança acompanhava meu pai aos jogos do glorioso Sport Club do Recife. Naqueles dias, já me atentava em decorar a escalação do “rubro-negro da Ilha do Retiro”, e quando não podia ir ao estádio, abraçava as ondas AM das rádios locais me transportando, quase com asas, para dentro do gramado. Sou fã do rádio e apaixonado por futebol. Sou testemunha de que a magia do rádio é tão embriagante que alcança a imaginação da criança que nunca deixa de existir dentro de nós.
Mesmo que você não saiba como a bola bateu no braço do jogador egípcio, o poder vindo do narrador esportivo da rádio nos transporta para o local da jogada e nos faz ver a bola, o jogador, o juiz, o lance, e em alguns casos, até sentir o cheiro da grama... Aliás, a televisão jamais nos fará sentir o cheiro da grama como os narradores das rádios nos fazem.
A emoção aguerrida e visceral é a melhor amiga dos narradores das ondas curtas. Contudo, existem aqueles que são craques no uso de sua voz. Com um singular “poder” implantam asas na imaginação de milhares de torcedores. São esses que fazem do gol o grande momento do futebol... E isso é patrimônio de poucos.
Sendo assim, não podia deixar de prestar a minha homenagem ao grande narrador esportivo e amigo, Marion Mello. O “Garganta do Vento Norte” (como carinhosamente o chamo) é um competente e “poderoso” narrador santamariense, que com clareza e autoridade faz das ondas curtas seu domicílio, e ali nos chama para entrar e celebrar o futebol com ele. A vibração das cordas vocais de Marion Mello faz ressoar a paixão dos torcedores de Santa Maria como o som quente do “Vento Norte” em nossas orelhas. Isso faz do gol um momento mais que especial; isso faz do nosso gol um momento nosso...
Quando é dia de jogo de futebol em nossos gramados, fico olhando pela janela e vendo se vai ventar na cidade... Sei que se soprar o Vento Norte vou ouvir um belo grito de gol na voz do “Garganta do Vento Norte”.
Acho que domingo vai ventar...