quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Escolhi ser Planeta... E você?




Utilizando o telescópio Spitzer, a agência espacial americana, a NASA, conseguiu captar a luz de dois planetas que orbitam fora do Sistema Solar pela primeira vez na história. Dizem os estudiosos, que o Spitzer oferece uma poderosa ferramenta para aprendermos sobre as temperaturas, atmosferas e órbitas de planetas que estão a centenas de anos-luz de distância da Terra e que detecta quando eles passam em frente a uma estrela, fazendo-a "piscar".

Chama-me a atenção o uso do termo “Estrela” ou “Estrelão”, por pessoas que se diferenciam dos outros por julgarem ser detentoras de “luz própria”... No entanto, podemos também aprender que os planetas não têm o famoso “brilho próprio”, contudo, os antigos gregos denominaram de Planeta ou Planētēs – que significa Errante em grego – os astros que se moviam por entre os Astêr que eram astros fixos ou “Estáticos”, termo grego que traduzimos como Estrela. Em resumo, as Estrelas estão sempre paradas e os Planetas estão sempre se movimentando...

Certa vez se assentou ao meu lado numa viagem de avião uma senhora que estava há trinta e sete anos sem ver seus parentes, e nunca tinha viajado de avião. Em um determinado momento da viagem, à noite, quando estávamos sobrevoando o espaço aéreo de São Paulo, ela olhou para baixo e disse algo que tocou minha alma com uma sabedoria e simplicidade singular. Ela declarou: “Quando estamos lá em baixo olhamos as estrelas no céu, mas quando estamos aqui em cima olhamos as estrelas no chão...”. Referindo-se ao cintilar das luzes da cidade em meio à escuridão da noite...

De fato, podemos ser “Estrelas” ou “Planetas” durante nossa vida. É uma questão de escolha de postura de vida... A maioria das pessoas quer ser “Estrelas”, ter o “brilho próprio”, independente se isso dura um tempo meteórico ou não... Tempo esse que se encerra muitas vezes com o ostracismo. Hoje, ser uma Celebridade, um “Estrelão”, ter um nome “de Peso”, deter um “nome famoso” é o que importa numa sociedade que consome, entre outras coisas, a imagem. Essas “Estrelas” aparecem inicialmente como resolutivas, dinâmicas, simbólicas, mas muitos esquecem que elas estarão sempre estáticas e não produzirão nada além de si e para si... Resumem-se a preocupação de brilharem solitárias. As Estrelas são amigas do interesse pessoal e estão longe da solução dos grandes problemas, pois só solucionam problemas de sua vida... São quentes por fora e frios por dentro, como mostra o fenômeno da “Coroa Solar”, que afirma que a superfície do nosso Sol é mais quente que seu interior...

Entretanto, somos vocacionados a ser Errantes, caminhantes, peregrinos, construtores em nossa jornada. No planeta existe vida e na estrela não. No planeta o calor está no seu interior e a vida na sua face. O planeta se preocupa em sustentar a luz da vida e caminhar por entre as estações, a estrela só com seu brilho... Alguém já disse que “ser um sucesso é produzir o sucesso do outro”. Eu digo que ser um sucesso é ser planeta! Basta estender o que você pode fazer com o que você é...

Diante daquela afirmação “aéreo-noturna” sobre a capital paulista fiquei a me perguntar: Quantos “planetas” estão dando lugar às “estrelas” entre nós? Talvez o interesse por ser estático responda isso...

Eu sei que escolhi ser Planeta faz tempo, e você?

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eis que tudo novo se fará...


Por vezes nos esquecemos de reconhecer a maravilha da criação, e como conseqüência disso, da maravilha de recebemos o dom da Vida. Podemos ver, por exemplo, a singularidade e a beleza da gestação no caminho da vida de todo ser humano. Pois, é tempo obrigatório da vida. É etapa vivida e não conscientemente lembrada de um lugar chamado útero materno.

Algumas gestações impressionaram o mundo. Uma delas foi o caso incrível da jovem mãe de 23 anos, Hannah Kersey, da cidade britânica de Northam, que teve as gêmeas univitelinas Ruby e Tilly, nascidas num mesmo útero, e a outra, Grace, nascida num outro. Ou seja, Hannah pode ter sido a primeira mulher com dois úteros a dar à luz trigêmeos. Antes, mulheres com dois úteros tiveram bebês de úteros diferentes, mas nunca gêmeos em um e um único bebê em outro. Considerando ainda, que a chance de trigêmeos nascerem de dois úteros é de cerca de uma em 25 milhões, e que há apenas 70 casos no mundo inteiro de mulheres que ficaram grávidas em dois úteros. No futuro, Ruby, Tilly e Grace poderão falar algo a respeito do momento mais fantástico partilhado em suas vidas, mas certamente reconhecerão que esse foi vivido durante suas gestações...

            Também, não menos impressionante, foi o caso de Amillia Taylor, Uma menina considerada o bebê que menos tempo ficou no útero de sua mãe. Quando nasceu, em 24 de outubro de 2006, Amália tinha menos de 22 semanas de gestação e pesava apenas 284 gramas. Segundo relatos sobre nascimentos prematuros, não se conhecia históricos de bebês com um período de gestação de menos de 23 semanas que tivessem sobrevivido. Os pais da menina e os médicos que a trataram, consideraram que sua sobrevivência foi um milagre. A determinação da menina em viver foi inspiradora aos seus pais, que resolveram chamá-la Amillia, que em Latim significa lutadora.

            O útero que gerou Amália foi o suficiente, foi o breve, foi o importante e primeiro lugar de vida na sua vida. Esse marcará um tempo singular no caminho da vida dessa menina lutadora...

            Nesses dias de pós-modernidade somos convidados de uma forma comunitária e pessoal a permanecer na espiritualidade do “útero divino”. O útero, por vezes, pode parecer um lugar deserto, solitário e escuro... Mas o útero é lugar de nutrição, de preparo e de expectativa. Para nossa vida pessoal pode ser tudo que precisamos para perceber a luz de algo novo e abençoado pelo qual estamos por ventura esperando.

            Não importa onde você está, pode ser o tempo de preparo. O que importa é reconhecer que para desfrutarmos da oportunidade de algo novo em nossa vida, devemos nos preparar! Importa-nos reconhecer que existe um “tempo de útero” para todas as coisas; para tudo que virá em nossa vida. A pergunta é: Nós estamos aproveitando a oportunidade do “útero de Deus”...?

            Preparemo-nos no calor da esperança “uterina”, pois podemos estar diante das dores do parto... “Eis que tudo novo se fará...”!

 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Ah, esse coração de pedra...


 
            Na arte, como na vida, a sabedoria é algo que está muitas vezes distante da intelectualidade, e na maioria das vezes próxima da alma. Temos a tendência de construir nosso conceito sobre “sábios” a partir de uma intelectualidade elitista que não aceita a cultura produzida pela alma do humano. Alimentamos-nos de um néscio preconceito quanto à sabedoria popular.

Bem, acabamos nos limitando... Limitando nosso olhar e nossa identidade; nossa sabedoria. Existem pessoas que acham que sabem muito e sempre querem dar a última palavra, e sempre ter a razão. De fato, quando estamos usando de sabedoria não só temos razão como também percebemos a razão do outro... Recordo-me das palavras de um conterrâneo, Dom Helder Câmara, que dizia: “Até um relógio parado tem razão pelo menos duas vezes ao dia”...

            O problema é saber identificar de quais são os Ecos em nossa alma... Na mitologia grega, Eco era uma bela ninfa que amava os bosques e tudo que era belo nos campos. Ela era a favorita da deusa Diana e sempre acompanhava a deusa em seus feitos. Mas Eco tinha um problema: Falava demais; e em qualquer conversa ou discussão, queria sempre dizer a última palavra.

Um dia, na tentativa de encobrir uma “diversão” do marido da deusa Juno com outras ninfas, Eco conseguiu entreter a deusa conversando “sabiamente” até as amigas fugirem sem que ela notasse. Percebendo-se enganada, Juno condenou Eco com as seguintes palavras: “- Só conservarás o uso desta língua com aquilo que me iludiste, para assim fazer uma coisa de que gostas tanto: Responder. Continuarás, portanto, a dizer a última palavra, mas não poderás falar em primeiro lugar”.

Entristecida por não conseguir dialogar com ninguém, pois sempre repetia o que ouvia, Eco passou a viver nas cavernas onde definhou, e seus ossos se transformaram em rochedos, nada mais restando além de sua voz. Assim sendo, ela continua a responder a quem quer que a chame com o velho hábito de repetir a última palavra...

Sempre seremos a voz daquilo que está marcado nas cavernas de nossa alma, nos bosques de nosso coração. Por isso, temos que identificar aquilo que é bom em nós, e aquilo que vem dos “ecos” para produzirmos a “terceira coisa”; dialogicamente. Enquanto estivermos querendo dar a última palavra e ter sempre a razão, poderemos estar cometendo o mesmo erro de Eco, repetindo aquilo que ouvimos sem sermos justos, sem dar chance ao novo, ao todo, e a mais nada...

Se a verdade fosse apenas essa, tudo seria mais fácil, a questão é que o nosso maior pecado é o egoísmo. Seja esse social, cultural ou não. O ser humano não quer, muitas vezes, abrir mão de suas razões pessoais e acaba por repetir os sons (ecos) da angústia, da divisão, da mágoa, da humilhação, do ódio, da guerra, da vaidade, do descaso e tantas outras mazelas das relações humanas. Terminará a humanidade menos humana, mais triste e petrificada, lembrada apenas pela repetição dos seus sons. Já o sábio encontrará algo a aprender no outro e não algo a repetir no outro.

            Você pode se perguntar então: Em que momento eu sou “Eco”, e em que momento eu sou Sábio? Ah, esse coração de pedra...

“Dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ezequiel 36.26-27).