sexta-feira, 28 de junho de 2013

“Y” nas ruas...




De acordo com pesquisadores e sociólogos americanos, entre 1943 e 1960, a Geração “Baby Boomers”, do pós-guerra, surge com os jovens apaixonados pelo idealismo. Conservadores, não gostavam de inovações e de não planejarem o futuro. Buscaram seguir um “passo a passo” para alcançá-lo. São carreiristas, de pouca abertura e não gostam muito do “novo”... Carregam suas verdades como imutáveis e preferem qualidade a quantidade...

Foram os Baby Boomers que saíram para as ruas nos protestos de 1968 em todo o mundo, em grande parte realizados por estudantes e trabalhadores. Enquanto a oposição à Guerra do Vietnã dominava os protestos (pelo menos nos Estados Unidos), também se protestava por liberdades civis, contra o racismo, a favor do feminismo, e contra armas nucleares e biológicas no mundo. No Brasil, a “Passeata dos Cem Mil” foi uma manifestação dos “Boomers” de protesto contra a Ditadura Militar no Brasil, ocorrida em 26 de junho de 1968, na cidade do Rio de Janeiro, organizada pelo movimento estudantil e que contou com a participação de artistas, intelectuais e outros setores da sociedade brasileira. Sua marca estética nas manifestações era a unidade das ideias de todos representada nos “braços dados” de quem marchava nas ruas... Identidade essa que perdurou até o “Diretas Já” em 83 e 84.

Depois vieram os da Geração X, nascidos entre 1965 e 1980, que apresentam uma busca pela individualidade sem a perda da convivência em grupo. Têm facilidade de conviver com as diferenças, já que são de uma geração de “pais separados”... Uma aparente maturidade na escolha de ideias de qualidade e inovadoras. Dão maior valor a indivíduos do sexo oposto e buscam racionalmente seus direitos. Gostam de liderar e de trabalhar em grupo em prol de um objetivo comum. Respeitam hierarquias, mas não aceitam o conformismo com o antigo e ultrapassado.

Foram os jovens da Geração X que tomaram as ruas no ano de 1992 e tinham como objetivo principal o impeachment do Presidente do Brasil, Fernando Collor de Melo, e sua retirada do cargo. O movimento baseou-se nas denúncias de corrupção que pesaram contra o presidente e ainda em suas medidas econômicas, contando com milhares de jovens em todo o país. O nome "caras-pintadas" referiu-se à sua principal forma de expressão, símbolo do movimento: as cores verde e amarelo pintadas no rosto, que formaram uma identidade estética dessa geração nas ruas.

Hoje, a condução das manifestações públicas está nas mãos da Geração Y, que são os nascidos entre 1980 e 1990. Os Y’s estão sempre conectados virtualmente. Diferentes dos X’s não se unem prontamente em torno de um objetivo comum, pois são muito individualistas nas articulações sociais, mesmo sendo grandes articuladores em redes sociais...

São extremamente impacientes com reuniões e encontros de longa duração, pois procuram informação fácil e imediata. Têm atenção seletiva e estão sempre em busca de novas tecnologias. Não se misturam... Preferem computadores a livros, e-mails a cartas, compartilham virtualmente tudo o que é seu: identidade, dados, fotos, hábitos. Assim, escondem atrás de uma mascara virtual; um Fake; um Avatar; uma “Mascara”... que não permite que eles revelem quem realmente são numa relação social...

A Rua hoje é deles. Essa geração não marcha por uma pauta comum, não consegue apresentar lideranças claras e relevantes, não se manifestam de braços dados, não estão em consenso com a forma de manifestar suas opiniões. Impacientes, não negociam, e máscaras cobrem seus rostos. A marca estética dessas manifestações tem sido a Máscara. As máscaras que escondem quem realmente são... Aliás, a máscara usada pelo personagem revolucionário anarquista “V de Vingança” é a mais usada em manifestações pelo país e também virou fenômeno de vendas nos últimos dias...

As manifestações populares emblematicamente são conduzidas pela geração que está em evidência em seu papel social, e que leva a chamada “classe média” para as ruas. Quer saber o que ainda pode acontecer? Observe a Geração Y...