segunda-feira, 13 de maio de 2013

Que Importa?


O que é “parar na hora certa”? Bem, a marca da despedida será sempre uma vitória sobre o coração, mas também um reconhecimento do propósito de cada missão. Lembro que a despedida de Gustavo Kuerten diante do público brasileiro, foi marcada pelo choro... Guga chorou, não porque perdeu para Carlos Berlocq, mas pela impossibilidade de seguir fazendo o que mais gostava de fazer: jogar tênis. O seu corpo não permitiu que, como maior ídolo do tênis brasileiro, encerrasse a sua carreira da forma desejada, ou seja, na “hora certa”... O tenista chegou a dizer em lágrimas: "Não é que eu não queira mais continuar jogando... Peço até desculpas... Mas é que não consigo mais...”.

            As lágrimas de Guga me lembraram da lenda do choro de Alexandre Magno. Conta-se que o conquis
tador macedônio depois de submeter a Grécia a seu domínio, vencer os exércitos dos Persas, conquistar o Egito e fundar a cidade de Alexandria, sem mais reinos para vencer, sentou e olhando na direção do oriente chorou, pois não havia mais nada a ser conquistado... Entretanto, não conseguindo vencer o mundo que havia dentro de seu próprio coração, caiu no vício desenfreado da “próxima conquista” e morreu aos 33 anos.

Sempre ouvi de meu pai e de alguns amigos mais velhos, que Pelé só é tudo o que é, porque soube a “hora certa de parar”. Bem, Bill Gates anos atrás também anunciou sua despedida da Microsoft (empresa que ele criou e fez dele o homem mais rico do mundo). A decisão de Gates pegou o mundo dos negócios de surpresa. Por que um empresário jovem e cheio de vida, dono de uma enorme capacidade de ganhar rios de dinheiro, e de uma formidável história de sucesso, deixaria o negócio que ajudou a criar para os seus “sucessores”? Os analistas dizem que ao deixar sua empresa, Gates queria evitar uma das ameaças mais letais ao sucesso de um negócio... Diz o consultor Renato Bernhoeft: "O mundo dos negócios não perdoa empresários que, mesmo tendo um passado brilhante, não percebem a hora em que devem transferir a liderança e dedicar-se a novos projetos pessoais e profissionais”.

Mas é preciso coragem para vencer o mundo do coração. Muitos conhecem e acompanham o drama de alguns que buscam a famosa “hora certa de parar”... Perguntando-se: Até quando desejar conquistar o que não está mais alcance?

            Certamente o coração é o nosso maior adversário. Queremos continuar com o prazer de vencer, com o prazer de conquistar, com o prazer de conduzir o destino, com o prazer do “poder”, e os esquecemos do Propósito da Missão pessoal...

É também verdade que Jesus chorou também diante do fim de uma jornada. Ao chegar perante a visão da cidade de Jerusalém, ele chorou, conforme nos informa o menor versículo da bíblia (João 11.35). Entretanto, o choro de Jesus lamentava por Jerusalém, que representava aqueles que não compreenderiam o propósito da Sua Missão. Conhecer o propósito da Missão pessoal em qualquer área, lugar ou momento é fundamental para acalmar o coração. Conhecer o propósito da Missão que nos é conferida, nos faz entender que outros devem continuá-la, que somos o exemplo, que devemos fazer parte da construção do sucesso do outro, que devemos preservar a essência sadia de nossos corações. Jesus conhecia muito bem o propósito da sua missão, por isso teve sucesso em sua continuidade!

Deixo aos amigos o que nos inspira um profeta conterrâneo sobre o findar da Missão, Dom Helder Câmara:

“Que importa, se ao chegar eu nem pareça pássaro! / Que importa se ao chegar venha me arrebentando / caindo aos pedaços, / sem aprumo e sem beleza!... / Fundamental mesmo / é cumprir a missão / e cumpri-la / até o fim!...