sexta-feira, 24 de maio de 2013

Papagaio come milho...


 
A “Auto-Realização” de que fala o psicólogo americano Abraham Maslow pode ser vista como o patamar final das necessidades humanas. Segundo ele, depois de satisfeitas a Sobrevivência, a Segurança, a Socialização e a Auto-Estima, sobra-nos a necessidade de Auto-Realização. Talvez, num mundo mais desenvolvido, a pirâmide de necessidades de Maslow já esteja invertida... A Auto-Realização urge como uma necessidade humana primeira da pós-modernidade.

De fato, a maioria das recomendações para situações de Auto-Realização são: “não desista”, “mantenha o foco”, “agregue valor”, “dê a volta por cima”, “supere a si mesmo”, “seja um vencedor”... Porém, dificilmente alguém vai chegar até você para dizer: “Amigo, modéstia não é Anonimato...”. Isso significa que a Modéstia ou a Humildade não podem ser confundidas com o “não Aparecer” ou o “Anonimato”...

“Aparecer” não têm nada a ver com sua estatura física. Isso tem mais a ver com a maneira como você vê a si mesmo, pois é isso que você está apresentando de si para os outros. Se você quer dar um incentivo à sua carreira ou aos seus relacionamentos e, ao mesmo tempo, estar diante do justo reconhecimento, você precisa pensar sobre esse tema.

Na verdade, não existe um remédio instantâneo para “Aparecer”.  Todos nós queremos melhorar em alguma coisa. Mas nada impede que desejemos progredir. O problema é que existem muitas barreiras que atravessam o nosso caminho e, por conta disso, muita gente acaba desistindo de sair do “Anonimato” por achar que não precisa aparecer... O resultado é que no final vem outra pessoa e aparece em seu lugar... O “humilde anonimato” só colabora com os outros e em nada serve para quem realmente foi, ou é o competente da história. Por isso, para Crescer é preciso Aparecer também!

Lembrei que em tempos de competitividade devemos atentar para a imagem de referência que deixamos para todos, pois sempre existe o papagaio e o periquito da fábula. Lembre-se que “Papagaio come milho e Periquito leva a fama”. Escolha ser sempre o papagaio e depois não reclame do que acontecerá com o seu futuro.

Ultimamente, a minha preocupação tem estado voltada para a busca de orientações para o desenvolvimento humano de forma pessoal. Crescer é próprio dos seres vivos, mas só o ser humano se preocupa com a sua Auto-Realização. Assim, não podemos negar que somos influenciados e que influenciamos, que ficamos perplexos diante dos desafios atuais, mas podemos fazer escolhas.

Jesus foi o maior mestre sobre Auto-Realização pessoal e de uma singular reflexão sobre a nossa condição humana que já viveu entre os homens. Ele não somente deixou ensinos profundos que têm influenciado o pensamento humano, como também viveu de um modo que nos intriga até hoje. Não importa como você O estude, O conheça, seja do ponto de vista histórico ou do ponto de vista da fé, Jesus Cristo serve como exemplo e referencial para comportamento de “agir responsável” de qualquer ser humano, em qualquer contexto até hoje. Não me lembro de encontrar nesse nazareno uma atitude diferente da Modéstia ou da Humildade... No entanto, não foi jamais um Anônimo. Ele escolheu APARECER!

Se você é o papagaio da história, pense nisso...

domingo, 19 de maio de 2013

Santa Maria... Oportunidade é a Idade Oportuna



De vento a cidade de Santa Maria entende... Claro, não é exagero afirmar que uma cidade que tem ventos singulares soprandodurante o ano saiba descrever o que eles promovem em suas passagens... O Vento Norte é o mais conhecido e característico dos “soprantes” por essas bandas.É um vento agressivo, de personalidade quente e precursordas chuvas locais...
No entanto, em se falando de ventos gostaria de lembrar de dois outros ventos que sopram no mundo, mais especificamente no Mediterrâneo. Um deles é o “Euraquilão”. O Euraquilãoé o um vento europeu que sopra nordeste, e que é a tradução do grego para a palavra Euro-Aquilon, citado na bíblia (At 27.14). A palavra é, na verdade, é um termo híbrido, do grego Eûros, "vento leste "(ou sudeste), e do latim Aquilo, "vento norte".
O vento Euraquilão é tempestuoso e amigo das tragédias, ocorre no mar Mediterâneo e é responsável por inúmeros naufrágios e perdas... Quando o Euraquilão passa os barcos perdem o comando de seus destinos e ficam a deriva... Quando sopra na nossa vida nos deixa com a sensação de que estamos sem destino e sem segurança...
Outro vento também conhecido dos navegadores mediterrâneos é o “ObPortus”. Os romanos da antiguidade tinham o hábito de dar nome aos ventos,e um vento que eles apreciavam imensamente era o que levava o navio em direção ao porto.Eles chamavamesse de “ObPortus”, do Latim Ob (em direção), e Portus (lugar seguro, porto). Diante de qualquer situação difícil o ObPortus sempre trazia uma nova chance de segurança e de novo destino...
O ObPortus é o vento do porto, ou o “Vento Oportuno”. Lembre-se que é quando se pega o vento favorável, que esseleva o navio para o porto. Assim o vento inoportuno é o que tira o navio da direção do porto. Para tanto, o que é o porto? O porto - assim como uma porta - é a segurança, é a entrada e saída, é aquilo que impede o sujeito de ficar parado na coisa mais perigosa que existe, a Mesmice...Assim, o porto é lugar da nova viagem, da nova partida. Daí vem a palavra:“OPORTUNIDADE”.
Na nossa vida a oportunidade é o momento de termos segura uma nova chance de mudança. Após a tempestade surgem os ventos oportunos que nos levam ao porto. Na vida de cada ser humano ou na vida de uma cidade, a oportunidade é sempre um vento que esta para soprar... O perigo em ambas as situações é não estar disposto a levar o barco para um porto, ou desejar uma nova viagem. Isso é o principio do fim. É aguardar o próximo Euraquilão soprar. Por isso a mesmice é a melhor amiga do Euraquilão...
A Oportuna-Idade é a idade do porto. É a idade da mudança segura. É a idade da nova viagem. É a idade do novo destino. A Oportunidade é a Idade Oportuna...
Hoje, Santa Maria completa a OPORTUNA-IDADE de 155 anos nos mares de sua história. Essa Nau que passa por um momento oportuno de mudança após um “Euraquilão”,pode tomar para si três posicionamentos quanto ao seu destino: Ser Otimista, Ser Pessimista ou Ser Realista.
Como disse o teólogo inglês, William George Ward: “O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas”. Mas Ward também alertou que “as oportunidades são como o nascer do Sol: se você esperar demais, vai perdê-las”.
Boa Oportunidade Santa Maria! Parabéns pela Idade Oportuna!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Que Importa?


O que é “parar na hora certa”? Bem, a marca da despedida será sempre uma vitória sobre o coração, mas também um reconhecimento do propósito de cada missão. Lembro que a despedida de Gustavo Kuerten diante do público brasileiro, foi marcada pelo choro... Guga chorou, não porque perdeu para Carlos Berlocq, mas pela impossibilidade de seguir fazendo o que mais gostava de fazer: jogar tênis. O seu corpo não permitiu que, como maior ídolo do tênis brasileiro, encerrasse a sua carreira da forma desejada, ou seja, na “hora certa”... O tenista chegou a dizer em lágrimas: "Não é que eu não queira mais continuar jogando... Peço até desculpas... Mas é que não consigo mais...”.

            As lágrimas de Guga me lembraram da lenda do choro de Alexandre Magno. Conta-se que o conquis
tador macedônio depois de submeter a Grécia a seu domínio, vencer os exércitos dos Persas, conquistar o Egito e fundar a cidade de Alexandria, sem mais reinos para vencer, sentou e olhando na direção do oriente chorou, pois não havia mais nada a ser conquistado... Entretanto, não conseguindo vencer o mundo que havia dentro de seu próprio coração, caiu no vício desenfreado da “próxima conquista” e morreu aos 33 anos.

Sempre ouvi de meu pai e de alguns amigos mais velhos, que Pelé só é tudo o que é, porque soube a “hora certa de parar”. Bem, Bill Gates anos atrás também anunciou sua despedida da Microsoft (empresa que ele criou e fez dele o homem mais rico do mundo). A decisão de Gates pegou o mundo dos negócios de surpresa. Por que um empresário jovem e cheio de vida, dono de uma enorme capacidade de ganhar rios de dinheiro, e de uma formidável história de sucesso, deixaria o negócio que ajudou a criar para os seus “sucessores”? Os analistas dizem que ao deixar sua empresa, Gates queria evitar uma das ameaças mais letais ao sucesso de um negócio... Diz o consultor Renato Bernhoeft: "O mundo dos negócios não perdoa empresários que, mesmo tendo um passado brilhante, não percebem a hora em que devem transferir a liderança e dedicar-se a novos projetos pessoais e profissionais”.

Mas é preciso coragem para vencer o mundo do coração. Muitos conhecem e acompanham o drama de alguns que buscam a famosa “hora certa de parar”... Perguntando-se: Até quando desejar conquistar o que não está mais alcance?

            Certamente o coração é o nosso maior adversário. Queremos continuar com o prazer de vencer, com o prazer de conquistar, com o prazer de conduzir o destino, com o prazer do “poder”, e os esquecemos do Propósito da Missão pessoal...

É também verdade que Jesus chorou também diante do fim de uma jornada. Ao chegar perante a visão da cidade de Jerusalém, ele chorou, conforme nos informa o menor versículo da bíblia (João 11.35). Entretanto, o choro de Jesus lamentava por Jerusalém, que representava aqueles que não compreenderiam o propósito da Sua Missão. Conhecer o propósito da Missão pessoal em qualquer área, lugar ou momento é fundamental para acalmar o coração. Conhecer o propósito da Missão que nos é conferida, nos faz entender que outros devem continuá-la, que somos o exemplo, que devemos fazer parte da construção do sucesso do outro, que devemos preservar a essência sadia de nossos corações. Jesus conhecia muito bem o propósito da sua missão, por isso teve sucesso em sua continuidade!

Deixo aos amigos o que nos inspira um profeta conterrâneo sobre o findar da Missão, Dom Helder Câmara:

“Que importa, se ao chegar eu nem pareça pássaro! / Que importa se ao chegar venha me arrebentando / caindo aos pedaços, / sem aprumo e sem beleza!... / Fundamental mesmo / é cumprir a missão / e cumpri-la / até o fim!...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

“Carpe Relationem”


Tanto as frutas como as relações precisam ser colhidas. Ambas têm suas estações apropriadas e caminhos próprios para alcançar o fruto nas fruteiras. A grande verdade desta espiritualidade é que alcançamos e somos alcançados pelas pessoas, dependendo qual fruta nós somos. Lembro-me de duas frutas que estão presentes na minha vida e em meus sabores, são elas: o Coco e o Caju. São frutas maravilhosas e com suas peculiaridades, porém para quem conhece um coqueiro e um cajueiro percebe que nessas fruteiras somos desafiados também a olharmos para os caminhos que trilhamos até seus frutos.


Qual o caminho até o coco? Bem, o coqueiro é uma fruteira que chega a trinta metros de altura, com seu tronco cilíndrico, nervoroso e áspero, ao qual se encerra em folhas pinadas. É uma verdadeira arte chegar até sua fruta, tornando atlético e artístico o ofício de um “tirador de coco”. Esses “catadores” colhem as frutas, munidos de cordas que enlaçam em seus pés e ao troco da árvore, fazendo um frenético jogo de pernas e braços até alcançar os cachos da fruteira com seu facão. Para complicar a imagem dessa fruta, na origem do termo "coco" temos a declaração de medo, pois foi nominada pelos portugueses numa viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1498), a partir da associação da aparência do fruto, em que o endocarpo e os poros de germinação assemelham-se à face de um "Coco" – um monstro do imaginário ibérico com que se assusta as crianças; um Papão; um Ogro.


Como é difícil e árduo alcançar o coco... Mas, quando conseguimos tudo muda... O coco é uma das frutas mais ricas e nutritivas que conhecemos. Recordo-me do doce “baba-de-moça”, uma iguaria pernambucana, feito por minha mãe com a carne do coco verde... indescritível! Não esqueço apreciar uma água-de-coco bem gelada no calor da beira-mar recifense.


Existem relações com pessoas que são semelhantes ao caminho do coco, num primeiro momento são ásperas, rudes, duras, difíceis de alcançar. Entretanto, quando nos esforçamos e chegamos até seus frutos, conseguimos colher e conhecer a doçura, a beleza, e a riqueza de suas almas.


E o caminho até o caju? O cajueiro é uma fruteira exótica e belíssima, pois em seus frutos, geralmente carnosos, são encontrados vários e sedutores tons vermelho-amarelados, amarelos e rosados. Não existe muita dificuldade para chegar até o fruto. O tronco do cajueiro é tortuoso e relativamente baixo, fazendo com que até uma criança que estendendo o seu braço em direção aos galhos colha facilmente um caju. Porém o caju nos “engana”...


O caju trata-se de um pseudofruto, pois o que entendemos popularmente como "caju" se constitui de duas partes: a fruta propriamente dita, que é a castanha; e seu pedúnculo floral, pseudofruto geralmente confundido com o fruto. Suas folhas têm uma resina tóxica à qual só os macacos são imunes. Seu sabor apesar de doce é travoso, e a mordida generosa na carne da fruta enoda rapidamente os dentes de seu degustador. Ou seja, aquilo que vemos é o “pseudo”...


Existem pessoas que nos confundem como um caju. São de fácil acesso, de bela aparência, sedutoras, e num primeiro momento conquistam a simpatia de todos. No entanto, quando conhecemos seus frutos, descobrimos a amargura, o jeito travoso, as nodas que mancham, e as toxinas que oferecem...


Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... Quem sabe o tão falado “Carpe Diem” não fosse “colha a relação” ao invés de “colha o dia”... Seria o “Carpe Relationem” ! Como começar então? Descobrindo o quanto podemos ser mais saborosos...