sexta-feira, 12 de abril de 2013

Diante do Improvável, se Reinvente...





Há dez mil anos as comunidades deixaram de ser extrativistas e andantes, e assim desenvolveram outras relações de produção. Criou-se o trabalho subserviente e, com ele, a diferença e as formas de prática do poder de um sobre o outro. O conhecimento precisava ser apreendido e reproduzido a partir dos modelos fornecidos pelos “chefes”. A humanidade inventava a civilização.
Sete mil e setecentos anos depois a humanidade foi investida por um modo de pensar que apontava para a possibilidade do ser humano de conhecer a si mesmo. O anseio pela verdade deixa de ser um desejo para se tornar uma prática. O verdadeiro passa a ser aquilo que pode ser percebido, observado e racionalizado.
Faz quatrocentos anos a humanidade descobriu a chamada “ciência”, a possibilidade da certeza das coisas através da “prova”. Uma ruptura se instala e transforma a Ciência no campo de garantia das incertezas e a religião no campo de garantia das certezas mediante a Fé.
Como diz um teólogo da atualidade: “Para superar a incerteza, a ciência cria a tecnologia para exercer controle e a Religião se inclina para o dogmatismo, sectarismo, fanatismo e fundamentalismo para garantir as certezas”. Como Mediador dessa ruptura surge o Mercado para quem todas as coisas se direcionam. Tudo se transforma num Produto. Vivia-se o inicio da Modernidade...
Hoje no Pós-moderno ou em sua “fluidez líquida”, a humanidade tem descoberto novas possibilidades de conhecimento, de tal modo que a quantidade de informações fornecidas pelas novas formas do saber não são totalmente processadas pelo indivíduo. Temos uma mudança clara na forma de nos relacionarmos com o outro, com o Criador e com nós mesmos...
Nessa trajetória toda, vivemos a volta de um antropocentrismo maquiado de vaidade. Não o antropocentrismo do renascimento, do ser humano como excepcional entre as espécies burras do universo, mas o de um ser humano com a certeza de gerenciar a própria Vida.
É a tentativa clara de se exercer a certeza do controle sobre a vida humana. É o desenvolvimento de uma civilização do controle crescente, que deságua nessa sociedade contemporânea do conhecimento e da informação instantânea.
Para tanto, o improvável faz parte da nossa vida e somos convocados a buscar novos rumos. A inteligência não está na capacidade de acumular certezas, mas na capacidade de se perceber a arte em que o saber é construído. O sábio não é o que sabe muito, mas o que é capaz de tomar decisões e fazer escolhas diante do improvável.
Diante do IMPROVÁVEL quem é o burro, afinal? O ser humano vaidoso ou o universo?
Não se trata mais de buscar a resposta certa, mas de mudar a forma de fazermos perguntas. Não se trata de evitar as certezas, mas de se reinventar na liberdade... O improvável é o espaço do contraditório e condição de liberdade, envolve a aventura de correr riscos para se descobrir e reinventar novos caminhos.
Assim, se estamos na Era do Improvável, vamos nos reinventar no Caminho... Lembro que um “certo galileu” disse outrora: “- Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim...”. (João 14:6). REINVENTE-SE!