quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sua Realização tem Sabor?




Se você não percebeu ainda o centro da mensagem cristã é que Deus se fez humano por amor ao humano. O humano faz a grande diferença nessa mensagem... A encarnação do Cristo, a maneira como viveu e a crucificação de Jesus estabeleceram um novo paradigma para a noção de realização humana.
Quando falamos sobre REALIZAÇÃO HUMANA falamos do humano, e sempre é a partir de um palco restrito. Por quê? Porque o único que pode elaborar um conhecimento do humano em sua condição real é Deus, não só como Criador de tudo, mas também por ter assumido a própria condição humana.
Até mesmo quando se pensa no SUCESSO como uma forma de realização humana, sempre será pelo viés da incompletude, da limitação, da restrição, dentro dos limites de nossa razão. Além de o SUCESSO ser algo nem sempre compreendido como subjetivo, ser bem-sucedido levando-se em consideração os modelos fornecidos pela sociedade de consumo ou pela lógica da competitividade é uma forma de rejeição da humanização.
O novo modelo proposto pela espiritualidade do Nazareno é ser semelhante à humanidade do Cristo. Sem dúvida, é muito mais confortável ajustar-se ao modo de vida aceito pela sociedade do que aceitar o desafio de viver como Cristo.
Simples. É pelo paradigma do Cristo que é possível ter esperança de humanização, pois Nele a humanidade se fez nova, ganhou novo significado. Jesus deu a luz à uma nova atitude de ser, uma nova vida, uma nova pessoa: o novo homem se voltando para um Deus que se volta para o homem. Um Deus menos distante e mais pessoal, íntimo, com sabor e cheiro. Isso significa que Deus toma forma no humano para que possamos viver a nossa humanidade perante Deus e perante nosso semelhante.
Significa que Cristo toma forma no humano a partir de circunstâncias concretas vividas.
Um grande teólogo do século passado, Dietrich Bonhoeffer, afirmou que “o ser humano real e renovado não existe senão na espiritualidade do Cristo e, consequentemente, na conformação com ele”. Aí está o problema... Ninguém consegue fazer isso sozinho.
Essa é uma experiência íntima e comunitária: Íntima porque o Espírito Santo nos encoraja a assumir o caráter em Cristo e comunitária porque é na sociedade que se constitui o espaço onde se pratica a conformidade com Cristo. Não adianta querer ser Sal dentro do saleiro... Isso é fingimento! Hipocrisia! O SAL deve salgar e dar gosto em meio à sociedade. Aí sim, ser semelhante ao Cristo faz grande diferença. Essa experiência entre as paredes da Igreja não passa de “clubismo”. A Realização Humana relevante é provada fora dos portões da Igreja...
Disse Jesus: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens”. (Mateus 5:13).
A Terra a que Ele está se referindo não é a terra arável e cultivável na qual se pode plantar uma semente, mas a sociedade humana. Segundo Jesus, viver neste mundo não tem sabor, é amargo; a existência é insípida e sem prazer. O que Jesus está dizendo é que a Sua expectativa, quanto à nossa existência no mundo, é a mais prazerosa possível. Ninguém fala de sal, de gosto, de tempero, sem falar de uma existência com sabor, alegria, incitamento, desafio e sem aventura. Sua REALIZAÇÃO tem sabor?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Com ELE não passará de um dia...




Conta-se que no Canadá em um vilarejo na costa de New Bruswick, dois adolescentes chamados Damian e Danny, ambos com dezesseis anos, resolveram dar uma caminhada em uma das trilhas da floresta próxima à aldeia em um ensolarado dia de agosto.
Nunca lhes passou pela cabeça que pudesse existir qualquer perigo em andar por aquelas trilhas, mas não demorou para que se achassem envolvidos nas mais aterradoras três horas de suas vidas. 
Na maioria das vezes a vida é assim. As coisas parecem estar bem tranquilas até que, de repente, sem nenhum aviso, acontece algo sério ou surge um mal grave que muda tudo. “Não presumas do dia de amanhã, porque não sabes o que ele trará”.  (Provérbios 27:1).
Danny e Damian naquela caminhada encontraram um ninho de águia-pescadora sobre uma árvore por entre um campo de amoreiras, e pararam para observá-lo. Eles notaram que tudo estava estranhamente quieto; quieto até demais... Quando olharam para trás, a menos de dez metros deles havia um enorme urso negro! Aquilo causou um imenso susto nos jovens, mas mantiveram a calma, pois haviam lido que os ursos negros canadenses costumam evitar as pessoas. Assim, começaram então a se afastar vagarosamente.
Foi quando, de repente, o urso começou a correr em direção a eles. Os rapazes sabiam que é impossível se escapar de um urso correndo, e bem no lugar onde estavam não havia uma árvore baixa para que pudessem subir. Valendo-se de um último recurso, usado por caçadores em situações semelhantes no Canadá, os dois se jogaram no chão e fingiram estar mortos, encolhendo-se para protegerem os braços e as pernas.
Eles esperavam que o urso perdesse o interesse neles e fosse embora. Porém, por alguma razão desconhecida, o urso não estava reagindo como a maioria dos ursos negros. Ele andou ao redor dos rapazes, cheirou-os, ergueu-se sobre as patas traseiras, deu tapas nos arbustos que havia atrás deles, e até mordeu o sapato de um deles.
Depois de algum tempo, já parecia ter perdido o interesse nos rapazes; foi o suficiente para que os dois saíssem em disparada, tentando fugir. Mas aquilo despertou novamente o interesse do urso, que passou a persegui-los. O urso estava quase alcançando os dois, quando novamente resolveram fingir que estavam mortos. Mais uma vez o urso andou ao redor deles, e voltou a se erguer sobre as patas traseiras. Os dois amigos, petrificados de medo, podiam escutar a respiração do urso próximo a eles. O tempo parecia haver parado, mas na verdade algumas horas se passaram.
O que se seguiu foi a pior parte. O urso cheirou Damian e depois Danny. Voltando para Damian, enfiou seu focinho por debaixo do braço do rapaz e tentou virá-lo de barriga para cima. Damian ficou firme, todo encolhido. O urso voltou-se para Danny. Arrancou sua bota, lambeu sua perna e calcanhar, e então mordeu o calcanhar de Danny! Então passou a lamber o cotovelo dele, e resolveu mastigar um pouco a bota de borracha. Voltou-se outra vez para Damian deu-lhe várias mordidas nas costas e nádegas, fazendo o mesmo com Danny... Então, finalmente o urso se afastou.
Os dois rapazes, pouco feridos, puseram-se em pé. Achando que o urso poderia voltar a persegui-los, não hesitaram em chegar até o fim da trilha e encontrar um abrigo seguro. Desejo contar a você algo muito importante sobre Danny e Damian.  Conta-se que enquanto o urso os atacava, eles oravam ao Senhor, pedindo por ajuda.
O que está angustiando você agora pode ser enfrentado com uma grande ajuda. Corra, ou conheça o Senhor da Fé de Danny e Damian. ELE irá fazer você lembrar que a angustia não passará de um dia junto a ELE... “Invoca-me no dia da angústia; Eu te livrarei, e tu Me glorificarás.”. (Salmo 50:15).

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Diante do Improvável, se Reinvente...





Há dez mil anos as comunidades deixaram de ser extrativistas e andantes, e assim desenvolveram outras relações de produção. Criou-se o trabalho subserviente e, com ele, a diferença e as formas de prática do poder de um sobre o outro. O conhecimento precisava ser apreendido e reproduzido a partir dos modelos fornecidos pelos “chefes”. A humanidade inventava a civilização.
Sete mil e setecentos anos depois a humanidade foi investida por um modo de pensar que apontava para a possibilidade do ser humano de conhecer a si mesmo. O anseio pela verdade deixa de ser um desejo para se tornar uma prática. O verdadeiro passa a ser aquilo que pode ser percebido, observado e racionalizado.
Faz quatrocentos anos a humanidade descobriu a chamada “ciência”, a possibilidade da certeza das coisas através da “prova”. Uma ruptura se instala e transforma a Ciência no campo de garantia das incertezas e a religião no campo de garantia das certezas mediante a Fé.
Como diz um teólogo da atualidade: “Para superar a incerteza, a ciência cria a tecnologia para exercer controle e a Religião se inclina para o dogmatismo, sectarismo, fanatismo e fundamentalismo para garantir as certezas”. Como Mediador dessa ruptura surge o Mercado para quem todas as coisas se direcionam. Tudo se transforma num Produto. Vivia-se o inicio da Modernidade...
Hoje no Pós-moderno ou em sua “fluidez líquida”, a humanidade tem descoberto novas possibilidades de conhecimento, de tal modo que a quantidade de informações fornecidas pelas novas formas do saber não são totalmente processadas pelo indivíduo. Temos uma mudança clara na forma de nos relacionarmos com o outro, com o Criador e com nós mesmos...
Nessa trajetória toda, vivemos a volta de um antropocentrismo maquiado de vaidade. Não o antropocentrismo do renascimento, do ser humano como excepcional entre as espécies burras do universo, mas o de um ser humano com a certeza de gerenciar a própria Vida.
É a tentativa clara de se exercer a certeza do controle sobre a vida humana. É o desenvolvimento de uma civilização do controle crescente, que deságua nessa sociedade contemporânea do conhecimento e da informação instantânea.
Para tanto, o improvável faz parte da nossa vida e somos convocados a buscar novos rumos. A inteligência não está na capacidade de acumular certezas, mas na capacidade de se perceber a arte em que o saber é construído. O sábio não é o que sabe muito, mas o que é capaz de tomar decisões e fazer escolhas diante do improvável.
Diante do IMPROVÁVEL quem é o burro, afinal? O ser humano vaidoso ou o universo?
Não se trata mais de buscar a resposta certa, mas de mudar a forma de fazermos perguntas. Não se trata de evitar as certezas, mas de se reinventar na liberdade... O improvável é o espaço do contraditório e condição de liberdade, envolve a aventura de correr riscos para se descobrir e reinventar novos caminhos.
Assim, se estamos na Era do Improvável, vamos nos reinventar no Caminho... Lembro que um “certo galileu” disse outrora: “- Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim...”. (João 14:6). REINVENTE-SE!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Como está o teu Exército?





Gostaria de relembrar uma questão “Bonapartiana” que há alguns anos escrevi neste meu espaço do Jornal A Razão. Questão essa que penso estar muito oportuna para dias de Mudanças. (com ”M” maiúsculo). Sim, Mudanças, porque como disse o poeta “o tempo não para”... Na oportunidade da Mudança, ou você Muda, ou Mudam com você...
Essa relembrança não passa de uma receita estratégica de Napoleão diante desses momentos. Afinal, “a estratégia é a ciência do tempo e do espaço”. E certamente, deveríamos ser mais avaros com o espaço que com o tempo. O espaço, podemos ganhá-lo novamente. O tempo perdido, jamais.
Em ocasiões que o espaço é curto e o tempo é ínfimo podemos afirmar que para planejamos estrategicamente a mudança devemos considerar a economia de nosso exército no tempo de guerra. Para tanto, devemos considerar as ideias de Bonaparte para com sua armada.
Lembrei então que Napoleão usava de algo singular para escolher aqueles que iriam ajudá-lo em suas conquistas, e como ele fazia para selecionar os mais relevantes parceiros na realização dos objetivos.
Napoleão sempre selecionava, segundo seus critérios, os integrantes para seu exército em quatro possíveis perfis para ocupar os espaços da realização. Eram eles: Os Sem Conhecimento e Sem Iniciativa, Sem Conhecimento e Com Iniciativa, Com Conhecimento e Com Iniciativa e Com Conhecimento e Sem Iniciativa.
O grupo dos Com conhecimento e Sem iniciativa eram colocados como oficiais. Esses, se bem conduzidos e liderados formariam bons realizadores das tarefas mais difíceis. São grandes parceiros em nossa vida e na gestão. Seguem as regras, e se bem motivados pelo exemplo do líder conquistam novos terrenos...
Outro grupo era os Com Conhecimento e Com Iniciativa. Esses eram colocados fora da frente de batalha. Com uma visão do todo, constituíam sua comunidade de estrategistas, que tinham liberdade de sugerir e planejar as ações a executar. Esses eram os generais do Conquistador francês.
O maior grupo constituído era os Sem Conhecimento e Sem Iniciativa. Eles eram os soldados colocados na frente de batalha (chamados “buchas de canhão”). São os que não fazem mal a ninguém e devem fazer parte da grande força coletiva na batalha. Bem motivados e orientados adequadamente são ativos a cada realização.
No entanto, havia um pessoal que Napoleão odiava ao encontrar entre seus comandados. Eram os Sem Conhecimento e Com Iniciativa. Esses inicialmente não eram admitidos por nenhum preço em suas hostes. E se o fossem, a esses ele caçava e expurgava assim que os identificava. O Comandante francês acreditava que a falta de conhecimento com iniciativa pode causar um verdadeiro estrago em qualquer exército e consequentemente nas suas realizações.
Decisões bem motivadas, mas que vêm da parte de quem tem pouco, ou nenhum, conhecimento destroem a vida do grupo, dos objetivos do comando, e das realizações futuras. Uma tropa inteira pode cair numa emboscada se seu líder, muito motivado em ganhar a batalha, não conhecendo o caminho pegar um atraente e desconhecido atalho que leve aos braços inimigos...
Certamente podemos reconhecer o real motivo de sermos os nossos próprios generais ou saber escolher os nossos muito bem. Contudo, devemos olhar para o planejamento de nossas vidas e organizações convictos de que quanto mais conhecimento tivermos junto as nossas iniciativas, mais estaremos conquistando novas fronteiras.
Fica então a pergunta em tempos de Mudança: Como está o teu Exército?