sexta-feira, 1 de março de 2013

Na agulha que costura...




Segundo Rudolf Steiner, em seu tratado de antroposofia “A Ciência Oculta”, foi no ano de 869 no Concílio de Constantinopla que a Igreja Católica Romana estabeleceu o dogma de que o ser humano é formado apenas “de Corpo e da Alma”, tendo-se eliminado o Espírito de sua constituição. Estabeleceu-se, ainda, que “a alma tinha algumas características espirituais”.
Para Steiner, esse foi um dos motivos da cisão da Igreja Ortodoxa (acontecido em 1050), que continuou a encarar o ser humano como “tri-membrado”. Historicamente, até hoje, isso leva muitas pessoas a confundirem Alma com Espírito, ou achar que tudo é a mesma coisa...
Por esse motivo, estando ausente do vocabulário oficial da Igreja Católica Romana que, durante séculos, ditou no ocidente os costumes e conceitos ligados à espiritualidade, passando a palavra Espírito a ter múltiplas conotações. Hoje causa ainda confusão na cabeça de muitos que falam de “alma penada”, “alma doente”, “coisas da alma”...
Mas, a partir de Descartes, houve uma fragmentação da realidade em corpo e alma, o que incentivou o desenvolvimento de linhas mais materialistas. Esse modelo “Cartesiano” começou a ser questionado no século XX, com estudos sugerindo a retomada da visão integral do homem e a valorização daquilo que os cartesianos haviam abandonado e a igreja negligenciado: o ESPÍRITO.
Chegou-se a essa tecnologia moderna, avançada, e que ninguém pode descartar, mas hoje é fundamental e inquestionável a retomada a unidade outrora perdida. Não se trata de voltar atrás, mas de dar um novo passo em direção ao ser humano.
Entende-se que assim, sendo o ser humano um co-criador de instituições sociais (grupos, empresas, comunidades, associações, sociedades, países e etc.), esse faz dessas a imagem e semelhança de sua estrutura mais sutil e espiritual. Muitas dimensões do ser foram suprimidas em prol do desenvolvimento material que, possivelmente gerou uma sociedade excludente. Lembremos que hoje dois terços da humanidade não podem consumir a tecnologia e a ciência que é produzida...
Assim, surge então uma reflexão interessante. De acordo com alguns educadores, dentro da educação existe uma pergunta que parece óbvia, mas não é: “O que é educar?”. Educar depende da concepção que ser humano tem dele mesmo; se ela é estreita, sua maneira de educar será igualmente estreita... Se profunda, será igualmente profunda.
A proposta “Holística”, “Quântica”, ou “Complexa” ainda choca a tradição universitária, que está acostumada ao saber positivo, entretanto é preciso lembrar que a psicologia positiva não depõe contra isso. Embora a metodologia científica seja necessária, precisamos reconhecer também a complexidade da condição humana, e assim trilhar o caminho pedagógico para desenvolvimento da espiritualidade deste que se encontra em crise: O Ser Humano.
Afinal, se o Espirito não é Alma, nem Alma é Espírito, a Espiritualidade está muito além do emocional e do religioso. Ela está na agulha que costura tudo e todos... Por isso, o Espírito não morre, a Alma sim, mesmo em vida...