sexta-feira, 15 de março de 2013

Bingo! Deu a Tendência...




Desde o início do século III o termo "Papa" (do grego Pappas, uma palavra carinhosa para pai), era utilizado como uma expressão de veneração afetuosa, tanto para o Bispo de Roma, quanto para os outros bispos do Ocidente. Posteriormente passou a ser usado apenas pelo Bispo de Roma. Isso porque evidentemente representava a voz do Imperador Romano junto aos outros bispos, e devido ao peso dessa “voz” era chamado de Papai nos encontros conciliares.
Qual a importância da eleição de um Papa no âmbito teológico? Diria que de muito pouca importância para a Teologia no mundo ocidental. A Igreja Católica continuará a mesma, com seus “santos” e pecadores, e suas diversas correntes de pensamento. Afinal, bem previsível na sua expressão para o mundo teológico...
No entanto, qual a expectativa e o que realmente mudará? Por que o “mundo” fica tão interessado em acompanhar o evento da eleição papal? Ora, a imprensa está apresentando o espetaculoso, e as pessoas se atraem pelo sensacional; e por terem a chance de acompanhar a eleição de uma das últimas Monarquias do ocidente: O Papado. Nada muito diferente disso é igualmente ver a cobertura jornalística do casamento do príncipe Williams da Inglaterra sendo acompanhado pelo mundo inteiro, como se todos fossem de súditos britânicos... Contudo, o mais provável é que o próximo papa, muito mais que abertura e contemporaneidade, traga na mitra o conservadorismo e a manutenção das raízes dogmáticas católicas romanas para as “ameaças da Pós-modernidade”.
Quando me questionaram sobre quem seria cardeal “favorito” para o novo papa, eu respondi que não saberia o nome, mas saberia dizer que certamente ele continuaria na linha dura do conservadorismo de Paulo II e Bento XVI. O Casamento de Padres, o Sacerdócio Feminino, a aceitação dos Contraceptivos, o Casamento de divorciados, e outras questões contemporâneas não estarão na agenda do novo pontífice. Sua agenda seria muita mais “interna”, interessada em atuar contra a desmoralização da igreja, escândalos de pedofilia, escândalos financeiros do Estado do Vaticano, traições e desgaste da estrutura institucional...
A “torcida” por um cardeal favorito, e a expectativa por um papa conterrâneo, fica para o âmbito popular, para o povo, e regido pela mão da imprensa... Na Estrutura da Igreja Católica não existe pessoalidade e espaço para “favoritismo”, e sim para Tendência. Diferente do que muitos pensam, não existe a avaliação da biografia e currículo para saber quem é o cardeal mais “santo” para o momento. O que existe é a estratégia bem traçada da Igreja Católica para responder a seus problemas, e que seu futuro líder confirme um plano de ação para isso.
Sem surpresa nenhuma para mim, surge o nome eleito de Jorge Mario Bergoglio, chamado agora de Papa Francisco. Já poderia ser papa há mais tempo. Oito anos atrás foi o maior adversário de Joseph Ratzinger nas urnas, só abrindo mão da disputa no último escrutínio... Ou seja, um forte articulador político (a politica eclesiástica tem dois mil anos e é para poucos), um argentino (sacerdote do fértil terceiro mundo), filho de italianos (tem pedigree), e representante da linha ultra-conservadora da igreja católica (nada de abertura e surpresas...).
Isso se chama: Tendência. Bingo! Deu a Tendência...