segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Um dia nasceremos...




A relação que Deus estabelece com o homem não é de distância, assim como nessa relação, não é possível conhecê-lo separado da história de cada um. Mas diante da morte, onde está Deus? Afinal, estamos morrendo a cada dia...
Certa vez fui questionado sobre o fato de que quando um avião cai matando todos os passageiros, aquela pessoa que chegou atrasada no aeroporto perdendo o vôo, vem e diz: Deus me salvou! ... Por que as outras centenas de passageiros morreram? Por que Deus não olhou por elas também?
Bem, a consciência de que a morte é o fim da vida, é nossa. Somos limitados... Nossa ideia de Vida também é Limitada, Finita, e Humana. Então, a verdade a ser abraçada é: Para Deus não existe morte! É isso mesmo! Para Deus não existe morte... Para Deus só existe VIDA!
A morte é patrimônio do ser humano, e seu questionamento também. Para Deus todos continuamos vivos... Respondi então: Certamente as centenas de pessoas que caíram no avião são tão importantes para Deus quanto a que não entrou no avião... Todos continuam vivos. Um numa condição e outros em outra condição.
O que pertence a Deus, na verdade, é o propósito da nossa existência. A resposta sobre esse proposito existencial só ele tem. A boa notícia é que podemos descobrir em tempo nosso propósito existencial! Somos desafiados a descobrí-lo ainda aqui, nessa experiência humana.
Para tanto, Deus é um Deus de vida e não de morte. Em Jesus de Nazaré testemunhamos que tudo não passa de uma Páscoa existencial... Uma “Passagem” de uma condição para outra, e não o fim de uma vida. Nada mais que um novo nascimento... Uns nascem quando estão prontos, outros nascem até prematuramente... Mas todos estamos na gestação de uma nova VIDA. Deve ser um privilégio ao final dessa vida humana olhar para os amados e amigos e dizer: Posso ir, estou pronto para nascer... Valeu!
Outros também nascem prematuramente, mas nascem! Então, se Deus é um Deus de Vida, não morremos. Nós nascemos! Para ELE não faz diferença se de morte morrida, se de morte matada ou se em acidentes ou tragédias... Nós, um dia, estaremos nascendo em Deus para uma nova condição... Olhemos para o Nazareno e vejamos que essa nossa “morte” (a humana) foi envergonha da pela sua Ressurreição. Recordo das palavras dos anjos diante daquelas mulheres que foram ao túmulo de Jesus no domingo pela manha: “Ele não está aqui; eis que ele ressuscitou...”.(Lucas 24:6)
Diante de situações limites da experiência humana, como a dor e a morte, ou mesmo como o sucesso e a felicidade, ainda aí o homem tem a liberdade de acolher ou rejeitar a presença divina. Nas situações de fronteira da vida, temos a oportunidade concreta de encontro com Deus, de invocá-lo e de adorá-lo tal como ele é: Um Deus de Páscoa, de Novidades de Vida.
Resta-nos a saudade dos amados que partiram para seu nascimento... Um dia nasceremos, para outra experiência, e eles estarão lá para sorrir e ouvir nosso novo choro existencial. E toda lágrima será enxugada pelo Cordeiro de Deus. (Apocalipse 21:4).   Pois como diria o filósofo Theilard Chardin: "Não somos seres humanos tendo experiências espirituais, somos seres espirituais tendo experiências humanas...".

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Afastada a Justiça... Afastou-se o Papa





Sabe-se das dificuldades politicas e institucionais as quais tem enfrentado o papa Bento XVI, das suas dificuldades físicas, e das dificuldades da pós-modernidade para a Igreja Católica Romana. Tendo seu direito à renuncia, o fez, e foi mais um a renunciar depois de 400 anos na história dos papas. Ora, se os Papas buscam ficar neste trono até a morte... Se seu antecessor resistiu no papado, mesmo doente, até seus últimos dias de vida... Por que renunciar, se estava lá para ter seu calvário também?
A pretensa alegação de idade avançada é simplesmente caricata, pois Ratzinger assumiu o papado aos 78 anos, e não foi escolhido pela obra do acaso pelo Colégio de Cardeais, já que na ocasião praticou aquilo que sabe fazer bem, articulação política ostensiva, tanto que foi “escolhido” logo no segundo escrutínio... Agora a Renuncia será sua marca.
Bem, dito isso, uma questão deve ser sempre levada em consideração em relação ao poder político da Igreja Católica Romana: Igreja Católica é uma coisa, Vaticano é outra... Afinal, o Vaticano é um Estado...
O Josef Ratzinger chegou ao “Trono de Pedro” com a promessa de que conduziria uma “limpeza” na Igreja. Chegou a declarar certa vez em 2005, em uma reflexão para a IX estação da Via Sacra: "Quanta sujeira na Igreja...". Afinal ele teria sido, quando Cardeal, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (uma espécie de Santa Inquisição), onde conduziu vários processos, inclusive o interrogatório, em setembro de 1984, na condenação do teólogo Leonardo Boff a um ano de “silêncio obsequioso”. Contudo, Bento XVI jamais conseguiu implementar sua ideia "de tolerância zero" em relação à pedofilia, por exemplo... Também deu indicações de que poderia rever algumas de suas posições, como a questão do preservativo. Mas, por mais que tenha tentado, seus cardeais mostraram-se irritados e se apressaram em negar-se ao debate. Esse não seria o único caso de desobediência... Algumas de suas decisões de punir cardeais foram meramente ignoradas ou levaram anos para serem cumpridas, em um desafio claro ao poder  Papal.  E o resultado, porém, foi o oposto ao “equilíbrio” de poder que havia durante os anos de João Paulo II...
Outros fatos também pesaram muito para o tombo da “cátedra” de Bento, como a revelação de corrupção no Banco do Vaticano (investigado desde setembro de 2012 pela justiça por suposta de lavagem de grandes cifras em dinheiro), seguido pela descoberta de que seu próprio mordomo, pessoa que o vestia e estava em sua intimidade, havia roubado documentos que expunham a corrupção na Igreja. Algo que certamente foi arquitetado por quem não age sozinho... Hoje, em prisão domiciliar no Vaticano, seu mordomo é a testemunha maior de que o Papa não podia confiar mais nem em quem servia seu chá da tarde, sem desconfiar do próprio chá... Enfim, concordar ou não com os fatos cabe a cada um. A certeza que temos é que em cada lado do rio Tibre, em matéria de Vaticano, nunca vai se saber toda a verdade...
Bento XVI teve seu “Judas”, e ainda carrega sua “Cruz”, pois em termos de justiça ele se viu incapaz para fazer a “limpeza” em seu “reino”... Lembro que em sua primeira Encíclica -Deus Caritas Est (2005) - citou Santo Agostinho, que na sua obra Cidade de Deus afirma: "Afastada a justiça, o que são os reinos senão grandes bandos de ladrões? E os bandos de ladrões o que são, senão pequenos reinos?".

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Legado de Pombal e o nosso...




Em décadas passadas, muitas famílias perderam seus entes queridos em incêndios em edifícios, como no caso do Andraus, do Joelma e do Andorinha, e agora o caso da Boate Kiss em Santa Maria... As tragédias acompanham a humanidade na história das civilizações. Elas não acontecem todos os dias, se assim não fossem as empresas de seguro não viriam a existir...
Foi em 1755 que um terremoto que acometeu Lisboa e matou mais de 90 mil portugueses, arrasando praticamente toda a cidade, a qual foi reconstruída com o ouro de Minas Gerais... Lembro que nesse terremoto foi firmada a primeira resolução prática para as tragédias. O Marques de Pombal, conselheiro real, quando foi acometido pela pergunta de seu Rei Dom José: "E agora?". Respondeu com a seguinte proposição: “Enterrai os mortos, Fechai os portos e Cuidai dos vivos!”.
Transformada em resolução a ação levou a organizar-se equipes de bombeiros para combater os incêndios e se recolher os milhares de cadáveres para evitar epidemias. Epidemias essas que hoje também podem ser morais e de sensacionalismos...  O fechar os portos impediria que algo de novo acontecesse, e que ninguém que chegasse doente ao porto entrasse na cidade promovendo novas doenças... A blindagem é sempre necessária para que nada atrapalhe quem quer reconstruir o novo... Por fim, cuidar de quem está vivo garante o futuro, pois quem constrói o futuro são os vivos e não os mortos... O ministro e o rei encomendaram projetos aos arquitetos e engenheiros reais, e em menos de um ano depois do terramoto já não se encontravam em Lisboa ruínas e os trabalhos de reconstrução iam adiantados. O rei desejava uma cidade nova e ordenada e grandes praças e avenidas, largas e retilíneas, marcando a planta da nova cidade. Reza a lenda ter sido à época perguntado ao Marquês de Pombal para que serviriam ruas tão largas, ao que este respondeu que “um dia hão de achá-las estreitas”…
Mas, o que o Marques de Pombal deixou como grande legado para Lisboa não foi a reconstrução da cidade, mas algo ainda mais concreto. Ele ordenou um inquérito, enviado a todas as paróquias do país para apurar a ocorrência e efeitos do sismo. O questionário incluía as seguintes questões: Quanto tempo durou o sismo? Quantas réplicas se sentiram? Que tipo de danos causou o sismo? Os animais tiveram comportamento estranho? Que aconteceu nos poços? As respostas estão ainda arquivadas na Torre do Tombo. O inquérito do Marquês do Pombal foi a primeira iniciativa de descrição objetiva no campo da sismologia, razão pela qual é considerado um precursor da ciência da sismologia. Assim, seu legado foi o nascimento da Sismologia!
De alguma forma, as pessoas estão hoje muito mais protegidas. Mas as tragédias continuarão a acontecer. Olhando para o feito de Pombal, a pergunta para os que estão vivos em Santa Maria é: Que legado nós vamos deixar para a cidade de Santa Maria, para o Rio Grande do Sul, para o Brasil, e quem sabe, para o Mundo...?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Nosso minuto de silêncio por Santa Maria




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Nosso Pai Celestial conforte todos os familiares e amigos diante de toda dor e saudade, pois esta, a Saudade, é o que nos resta. Amém.