quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Estás com medo?




Certa vez disse o grande advogado criminalista, Dr. Waldir Trancoso Peres, em um dos seus discursos que Freud estava errado ao apontar o Prazer (a Libido) como sendo a “mola” da sociedade. O Medo, dizia ele, o Medo é a “mola” da sociedade! Será que ele estava certo? Bem, o medo nos traz a clara sensação de que estamos vivos.
Como qualquer mecanismo de defesa, o nosso organismo encontra no medo um grande auxílio no alerta aos perigos e as ameaças que podem nos afligir e promove em nós uma reação preventiva. Isso nos prova que todos que têm saúde, têm medo. Temos medo de tudo... Medo de não viver, medo de insegurança, medo do abandono, medo do fracasso, medo de ter uma vida irrelevante... Por exemplo, você pode estar lendo esse texto por medo; medo de perder o que tenho para compartilhar na reflexão desta semana...
Juntos nós podemos aprender que o medo não é para ser superado ou derrotado, mas para ser enfrentado. Lembro-me da época em que era atleta de natação de alto nível, quando meu técnico, o respeitado professor João Reynaldo “Nikita” (atual técnico da nadadora olímpica Joana Maranhão), afirmava para seus atletas: “Vocês têm que ter “um certo medo” antes da prova, o medo vai deixar vocês focados na responsabilidade de vencer. Só não tenham covardia...”. Ter o medo é saber que ele tem suas vantagens e pode nos  ensnar boas lições. Isso nada tem a ver com covardia.
Covardia é permitir que o medo nos imobilize e evite que tomemos as atitudes necessárias. O covarde é aquele que fica dependente de seu medo e com o passar do tempo torna-se seu prisioneiro. Entretanto, a coragem (que não precisa ser heroica) é o resultado de um alto-conhecimento que nos leva a entender quem somos, e assim enfrentar os riscos de atingir nossos objetivos. A coragem é a fruto de uma inteligência espiritual desenvolvida e amadurecida, que nos ajuda a enfrentar as adversidades, tomar decisões e acreditar em nosso potencial. Coragem é enfrentar os perigos com responsabilidade, pois enfrentá-los irresponsavelmente é ser valente. Valentia e coragem nem sempre se beijam...
Já o medo é muitas vezes alimentado por uma pedagogia da mediocridade. Esse é o problema... Muitos estimulam a mediocridade, pois assim não terão medo do que acontecerá no futuro. A mediocridade do presente torna o futuro medíocre. Os que se sobressaem são taxados como ameaça, os que inovam como loucos, os talentosos são vistos como complicados... Tudo em nome da mesmice do “modelo”. Para muitos é melhor a padronização covarde que a diversidade corajosa. Esses ficam em busca do conforto e das certezas que não livram ninguém do medo, nem do perigo da acomodação de uma “zona de conforto”...
Com a oração, Jesus enfrentou o medo no momento mais difícil de sua jornada até a Cruz. Ele se fortaleceu para um futuro vitorioso, mas que exigia total sacrifício. Assim, me lembro de suas primeiras palavras depois de ressuscitado, ainda no jardim do sepulcro, para aquelas mulheres: “Não tenham medo!” (Mt. 28:10).
Estás com medo? Coragem! “Porque Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”. (2 Timóteo 1:7).