sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Constantino, o que foi que você fez cara...?




Foi durante a coroa do Imperador Constantino (272-337 a.C.) que a Igreja passou de um “organismo” vivo para ser uma “organização”. Não se esclareceu até hoje que a “Igreja” a qual Jesus se referia no texto de Mateus era a Ekklesia e não Sinagogé... (Mateus 16:18). A palavra usada por Jesus, Ekklesia, é composta de dois radicais gregos: EK, que significa “para fora”, e KLESIA, que significa “chamado”. Depois de séculos fazendo Sinagogé (em grego, Assembleia de homens reunidos em lugar fechado), será que a Sinagogé que vai resistir às dinâmicas daquilo que chamamos de pós-modernidade?
Para tanto, gostaria de apontar algumas cogitações atuais ou factíveis, principalmente no Brasil. A primeira delas seria o fenômeno do “denominacionalismo dogmático”, Igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, anglicanas, luteranas, metodistas, católicas entre outras) buscarão se blindar em suas doutrinas, métodos e sua tradição, ante responder ao novo tempo. Assim como na Europa, deverão ver a redução gradativa na quantidade de membros. No futuro, muitos templos poderão fechar, tornando-se bibliotecas, auditórios, estúdios de gravação, salas de espetáculo, ou centros de cultura cristã.
Surgirão Igrejas independentes e novas em crescimento acelerado. Sincretistas, estarão misturando tudo. Simbologias religiosas africanas, indígenas, e características do folclore brasileiro combinadas com a tradição cristã pentecostal e católica. Por pregarem um evangelho inventivo, que promete bênçãos materiais em troca da fé, comprometem a essência da mensagem do Cristo.
Outra tendência forte é que continuarão a serem fundadas Igrejas para corrigir desvios das comunidades de onde saíram seus fundadores. Elas tendem com o tempo à institucionalização dogmática personalista sem base teológica madura, e depois a volta aos possíveis desvios que nasceram para “corrigir”. Também crescerá o número de pessoas “Caça-Benção” que, a princípio, são atraídos por promessas de bênçãos imediatas e Mega-Templos que amontoam pessoas e shows liturgicos, mas com o cansaço disso, tornam-se mais frustrados... O resultado final é a decepção com “Deus”, deixando assim essa estória de igreja e alimentando o “rodizio” de fiéis.
Com bons olhos, já vemos o crescimento das “Igrejas nos Lares”. Pessoas que não frequentam, nem são membros de uma “igreja” (instituição denominacional), mas que se reúnem com outros cristãos nas suas casas para estudar a bíblia, orar, adorar a Deus e manter a comunhão.
Observa-se também o aumento do “movimento da informalidade”. Um movimento não institucional que representa os cristãos que aproveitam o espaço das instituições, igrejas, missões, sem se comprometerem com nada. Esse é o cristão que vai ocasionalmente a uma igreja hoje, amanhã em outra, dá seu dízimo para uma ONG cristã ambiental da Amazônia, oferta recursos para uma determinada Missão Evangélica na África, mas não pertence a nenhuma destas expressões. Seria um “pan-denominacionalismo” cristão individual. O cristão que parece ser “tudo” e “nada” ao mesmo tempo...
Que Deus nos ajude a ver quem realmente somos como Ekklesia. Que a chave hermenêutica da Bíblia seja Jesus e não o interesse institucional... Isso faz a diferença no conhecimento da verdade que liberta. Constantino, o que foi que você fez cara...?