quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Seu Sorriso Poderoso




No ano de 2012 um estudo feito por Evan Carr, pesquisador do departamento de psicologia da University of California, em San Diego, concluiu que imitar o outro é um comportamento social que cumpre um papel importante no aprendizado, na compreensão e na comunicação entre duas pessoas. Carr quis examinar como o “poder” e o “status” influenciam a imitação de expressões faciais.
Nesse estudo ele observou que o impulso de apresentar, retribuir ou não, um sorriso de outra pessoa parece depender, em parte, de quão “poderosa” uma pessoa se sente e também do status social da pessoa que sorriu primeiro.
A pesquisa indicou que indivíduos que se sentem “poderosos” reprimem seu impulso de imitar o comportamento do outro, e sorrir de volta só se o outro possui status elevado. Segundo os exames já existem aqueles que não se sentem “poderosos”, e tendem a devolver os sorrisos de todos, independentemente do status social de quem sorriu.
Na oportunidade, avaliou-se outro comportamento também. Numa das pesquisas os participantes assistiram a vídeos selecionados, enquanto a equipe media as respostas de dois músculos em seus rostos: o Zigomático Maior (o músculo do sorriso - que eleva os cantos da boca) e o Corrugador do Supercílio (o músculo do franzido - que franze a testa). As medições permitiram que a equipe avaliasse mudanças sutis nos músculos faciais dos participantes, revelando que indivíduos que se sentiam “poderosos” apresentaram pouco movimento no músculo do sorriso em resposta a vídeos “felizes” mostrando pessoas de status alto. Já vídeos “felizes” mostrando pessoas de status baixo ativaram, com muito mais frequência, os músculos do sorriso desses participantes que se sentiam “poderosos”. O padrão mudou em relação a pessoas que se sentiam pouco “poderosas”. Nelas, o músculo do sorriso ficou ativo em resposta a vídeos “felizes” mostrando pessoas de vários status sociais - ou seja, pessoas que se sentiam pouco “poderosas” pareciam inclinadas a sorrir para todos.
Existe uma diferença entre Auto-estima bem resolvida e Arrogância. Depois de conhecer sobre essa pesquisa comecei a refletir sobre para quem, quando, e aonde eu naturalmente ofereço meu sorriso... De fato, muita gente que SE SENTE “poderosa” é arrogante, chata, pedante e não sorri muito para nada e para ninguém... No entanto, iludidas, não têm poder nenhum, só a distancia e a inimizade dos outros. Já os que não SE SENTEM “poderosos” sorriem para todos. E isso nada tem relação com Baixa-estima. Esses têm a simpatia da grande maioria, aproximam as pessoas, alegram ambientes, desarmam os rancorosos e motivam os tristes.
Quero considerar a afirmação de William Shakespeare que diz: “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada”. Com isso posso entender que quem tem Poder é quem sorri para todos. Mesmo que eles não sintam isso. O Poder de transformar uma realidade difícil para melhor é patrimônio de quem sorri gratuitamente para essa realidade. Sorriso pode ser o começo de tudo...
Os “Pobres de Espírito” a quem Jesus chama de “Bem-Aventurados” ou “Felizes”, certamente são as pessoas que não se sentem poderosas, mas sorriem para todos. (Mateus 5:3).
E o teu sorriso, como você oferece?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Estás com medo?




Certa vez disse o grande advogado criminalista, Dr. Waldir Trancoso Peres, em um dos seus discursos que Freud estava errado ao apontar o Prazer (a Libido) como sendo a “mola” da sociedade. O Medo, dizia ele, o Medo é a “mola” da sociedade! Será que ele estava certo? Bem, o medo nos traz a clara sensação de que estamos vivos.
Como qualquer mecanismo de defesa, o nosso organismo encontra no medo um grande auxílio no alerta aos perigos e as ameaças que podem nos afligir e promove em nós uma reação preventiva. Isso nos prova que todos que têm saúde, têm medo. Temos medo de tudo... Medo de não viver, medo de insegurança, medo do abandono, medo do fracasso, medo de ter uma vida irrelevante... Por exemplo, você pode estar lendo esse texto por medo; medo de perder o que tenho para compartilhar na reflexão desta semana...
Juntos nós podemos aprender que o medo não é para ser superado ou derrotado, mas para ser enfrentado. Lembro-me da época em que era atleta de natação de alto nível, quando meu técnico, o respeitado professor João Reynaldo “Nikita” (atual técnico da nadadora olímpica Joana Maranhão), afirmava para seus atletas: “Vocês têm que ter “um certo medo” antes da prova, o medo vai deixar vocês focados na responsabilidade de vencer. Só não tenham covardia...”. Ter o medo é saber que ele tem suas vantagens e pode nos  ensnar boas lições. Isso nada tem a ver com covardia.
Covardia é permitir que o medo nos imobilize e evite que tomemos as atitudes necessárias. O covarde é aquele que fica dependente de seu medo e com o passar do tempo torna-se seu prisioneiro. Entretanto, a coragem (que não precisa ser heroica) é o resultado de um alto-conhecimento que nos leva a entender quem somos, e assim enfrentar os riscos de atingir nossos objetivos. A coragem é a fruto de uma inteligência espiritual desenvolvida e amadurecida, que nos ajuda a enfrentar as adversidades, tomar decisões e acreditar em nosso potencial. Coragem é enfrentar os perigos com responsabilidade, pois enfrentá-los irresponsavelmente é ser valente. Valentia e coragem nem sempre se beijam...
Já o medo é muitas vezes alimentado por uma pedagogia da mediocridade. Esse é o problema... Muitos estimulam a mediocridade, pois assim não terão medo do que acontecerá no futuro. A mediocridade do presente torna o futuro medíocre. Os que se sobressaem são taxados como ameaça, os que inovam como loucos, os talentosos são vistos como complicados... Tudo em nome da mesmice do “modelo”. Para muitos é melhor a padronização covarde que a diversidade corajosa. Esses ficam em busca do conforto e das certezas que não livram ninguém do medo, nem do perigo da acomodação de uma “zona de conforto”...
Com a oração, Jesus enfrentou o medo no momento mais difícil de sua jornada até a Cruz. Ele se fortaleceu para um futuro vitorioso, mas que exigia total sacrifício. Assim, me lembro de suas primeiras palavras depois de ressuscitado, ainda no jardim do sepulcro, para aquelas mulheres: “Não tenham medo!” (Mt. 28:10).
Estás com medo? Coragem! “Porque Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”. (2 Timóteo 1:7).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Constantino, o que foi que você fez cara...?




Foi durante a coroa do Imperador Constantino (272-337 a.C.) que a Igreja passou de um “organismo” vivo para ser uma “organização”. Não se esclareceu até hoje que a “Igreja” a qual Jesus se referia no texto de Mateus era a Ekklesia e não Sinagogé... (Mateus 16:18). A palavra usada por Jesus, Ekklesia, é composta de dois radicais gregos: EK, que significa “para fora”, e KLESIA, que significa “chamado”. Depois de séculos fazendo Sinagogé (em grego, Assembleia de homens reunidos em lugar fechado), será que a Sinagogé que vai resistir às dinâmicas daquilo que chamamos de pós-modernidade?
Para tanto, gostaria de apontar algumas cogitações atuais ou factíveis, principalmente no Brasil. A primeira delas seria o fenômeno do “denominacionalismo dogmático”, Igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, anglicanas, luteranas, metodistas, católicas entre outras) buscarão se blindar em suas doutrinas, métodos e sua tradição, ante responder ao novo tempo. Assim como na Europa, deverão ver a redução gradativa na quantidade de membros. No futuro, muitos templos poderão fechar, tornando-se bibliotecas, auditórios, estúdios de gravação, salas de espetáculo, ou centros de cultura cristã.
Surgirão Igrejas independentes e novas em crescimento acelerado. Sincretistas, estarão misturando tudo. Simbologias religiosas africanas, indígenas, e características do folclore brasileiro combinadas com a tradição cristã pentecostal e católica. Por pregarem um evangelho inventivo, que promete bênçãos materiais em troca da fé, comprometem a essência da mensagem do Cristo.
Outra tendência forte é que continuarão a serem fundadas Igrejas para corrigir desvios das comunidades de onde saíram seus fundadores. Elas tendem com o tempo à institucionalização dogmática personalista sem base teológica madura, e depois a volta aos possíveis desvios que nasceram para “corrigir”. Também crescerá o número de pessoas “Caça-Benção” que, a princípio, são atraídos por promessas de bênçãos imediatas e Mega-Templos que amontoam pessoas e shows liturgicos, mas com o cansaço disso, tornam-se mais frustrados... O resultado final é a decepção com “Deus”, deixando assim essa estória de igreja e alimentando o “rodizio” de fiéis.
Com bons olhos, já vemos o crescimento das “Igrejas nos Lares”. Pessoas que não frequentam, nem são membros de uma “igreja” (instituição denominacional), mas que se reúnem com outros cristãos nas suas casas para estudar a bíblia, orar, adorar a Deus e manter a comunhão.
Observa-se também o aumento do “movimento da informalidade”. Um movimento não institucional que representa os cristãos que aproveitam o espaço das instituições, igrejas, missões, sem se comprometerem com nada. Esse é o cristão que vai ocasionalmente a uma igreja hoje, amanhã em outra, dá seu dízimo para uma ONG cristã ambiental da Amazônia, oferta recursos para uma determinada Missão Evangélica na África, mas não pertence a nenhuma destas expressões. Seria um “pan-denominacionalismo” cristão individual. O cristão que parece ser “tudo” e “nada” ao mesmo tempo...
Que Deus nos ajude a ver quem realmente somos como Ekklesia. Que a chave hermenêutica da Bíblia seja Jesus e não o interesse institucional... Isso faz a diferença no conhecimento da verdade que liberta. Constantino, o que foi que você fez cara...?