quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Novo Olhar ou Nova Mandinga...?


Diante de um momento de transição, ou de passagem, a chegada do Ano Novo nos lembra “Restauração”. Por isso é um momento assinalado por esperanças e expectativas, principalmente por causa daquilo que não foi suficiente, daquilo que não foi alcançado, dos fracassos e das perdas experimentadas diante do ano que termina.

Boa parte das pessoas não adota novas perspectivas e sim “mandingas”... Esse é o tempo das simpatias, bruxarias, mandingas, magias, sortilégios que “garantam” o encontro com as respostas sobre o que não deu certo até agora... É um período de sacralização da sorte no futuro... Todo mundo quer sorte no “recomeço”. Muita gente vai pular uma ondinha no mar ou vestir branco para dar “sorte”... Desejam a cada ano fazer dieta, fazer exercícios físicos, adquirir algum bem em especial, fazer uma viagem, fazer um novo curso, ganhar mais dinheiro... Mas o olhar não muda, é o velho jeito de sempre de olhar para tudo...

Entretanto, na maioria das vezes precisamos mudar apenas o olhar... Ou melhor, ver tudo a partir de um Novo Ponto de Vista. Um pastor amigo apresentou algumas perspectivas que gostaria de compartilhar com meus leitores para esse Novo Ano, ao meu modo: 1. Construa relacionamentos a partir do sentido sadio de comunhão e não de interesses pessoais. Viver voltado só para si mesmo resulta em um grande vazio existencial. 2. Preocupe-se mais com aquilo que você está se tornando, deseje ser ainda mais integro e virtuoso. Seus próximos passos são mais decisivos do que os que você deu até agora. 3. Transforme suas ações cotidianas em expressões de amor e liberdade. Só assim você vai dar valor às suas conquistas. Até mesmo as mais simples. 4. Ponha ordem em sua vida começando com o que pode aperfeiçoar o seu caráter. Seu mundo interior é muito mais complexo do que o espaço que você ocupa ou vai ocupar. 5. Deixe de viver tanto para seu espaço e passe a viver mais para o espaço do outro. É na abertura para o outro que você encontra melhores compreensões para seus próprios conflitos. Sempre há alguém em pior condição que a sua... 6. Valorize mais a gratidão que suas conquistas pessoais. Aceite que a vida é constituída mais de dádivas e oportunidades do que por nossa própria capacidade. Não se preocupe, alguém um dia vai valorizar sua ajuda se entender isso... 7. Cuide mais do seu caráter que de sua reputação. A única coisa que você vai levar consigo até a eternidade é o seu caráter. 8. Aproxime-se de Deus para servi-lo, não para usá-lo. Não faça barganha ou comércio com Deus... Deus subtrai. NAO TEM Contabilidade. Todo Perdão é um esquecimento. Não há nada que se possa fazer para que Deus o abençoe mais, ELE tem prazer nisso. 9. Reconheça que cuidar do corpo é cuidar da vida como um todo. O corpo é um presente que Deus te deu para cuidar. Sua vida tem mais a ver com a sua existência que com sua aparência. 10. Promova soluções em vez de fazer críticas e comparações. A melhor maneira de ser feliz é colocando a sua vida a serviço do outro. Críticas construtivas não existem... Recomende!

Assim, tenha uma ATITUDE diferente neste Novo Ano: MUDE O OLHAR! Vale lembrar o conselho da parte de Deus na pena do Profeta Isaías: “Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios nos lugares secos. (Isaías 43:18-19). Um Grande e Abençoado Novo Olhar para todos!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Medo, o Fim do Mundo e o Inferno...






 
O criminalista Valdir Trancoso Peres anunciou que o medo é a “mola” da sociedade, e que Freud estava errado quando falava que essa “mola” era a Libido... De fato, o Medo é um dos instrumentos que a mídia, a publicidade, as religiões e outras instituições lançam mão a fim de manipular as massas na compra de seus Produtos, seus Alarmes, seus Seguros, ou mesmo, seus Dogmas, sua Salvação do “Inferno”, ou, até quem sabe, do “Fim do Mundo”...
Além de surgir como um mecanismo de defesa de nossa própria natureza, o que o medo nos causa? Bem, sabemos que o medo desmedido aprisiona e limita, e que ficamos tristes ao vermos as pessoas que gostamos presas dentro de suas limitadas visões de mundo medonho... Instituições religiosas e outras seculares usam o Medo como ferramenta de domínio e destruição da alma de muitas pessoas.
Lamentavelmente, conheço pessoas destruídas pelo Medo que outros gerenciam em suas vidas...
O anunciado “Fim do Mundo” do calendário Maia não impediu você de estar lendo esse texto hoje. Em pleno 21 de dezembro você continua vivo! No entanto, quantas pessoas, juntamente com você, tiveram “medo” sobre a veracidade da profecia Maia a respeito do Fim da humanidade...?
Bem, o Apocalipse Maia anunciava que a humanidade, catastroficamente, teria fim no dia de hoje... Esse medo passou, mas outros continuam com Medo de outras coisas, Medos em outras moradas, em outros mundos, ou quem sabe em seu próprio “mundinho”...
A verdade é que muitas religiões PRECISAM DE UM APOCALIPSE. Ora, se o mundo demorar pra acabar, as pessoas não terão tanta pressa em se converterem e “serem salvas”. Quanto mais rápido vier o fim do mundo ou a ameaça iminente do inferno, mais rapidamente as pessoas correrão para quem oferece a salvação... Sim, porque as pessoas precisam ter medo de alguma coisa, para que quem tiver a “solução” de seus medos possa prosperar...
O Fim do Mundo e o Inferno metem medo em muita gente. Vive-se num tempo de descartável segurança espiritual por parte de muitos. Alguns ditos “fiéis” têm o medo da rejeição no fim de suas vidas por parte do criador do “Inferno”. Sim, pois, para quem acredita nele, o Inferno é criação divina. Ou não? Mas, como disse Rubem Alves sobre Deus e o Inferno: Se você se decidir a acreditar que Deus tem uma câmara de torturas que lhe dá prazer, então você tem de acreditar também que ele é um monstro igual aos torturadores que brincam com as crianças durante o dia e torturam pessoas indefesas durante a noite. Sua bondade diurna não passa de uma farsa. Eu não poderia amar um Deus assim. Você poderia?”.
Sem Paz e com suas culpas potencializadas, hoje muitos só dormem com Lexotan, Prozac, Rivotril e etc... E ainda falam que aprenderam do Perfeito Amor de Deus; acho difícil... Aprenderam tudo errado. O Perfeito Amor nos faz conhecer a ELE, e esse Amor lança fora todo Medo! Diz João em 1 João 4:17-19: “Nisto é aperfeiçoado em nós o Amor, para que no dia do fim tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos também nós neste mundo. No amor não há medo, antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos, porque ele nos amou primeiro”.
Tendes Medo? Acenda a luz ou Ame mais! 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Bucho Furado: Bucho Furado: Minha Homenagem a Oscar Niemeyer

Bucho Furado: Bucho Furado: Minha Homenagem a Oscar Niemeyer: Bucho Furado: Minha Homenagem a Oscar Niemeyer

Um Lugar diante do “FIM”...



Em tempos de contagem regressiva para o “Fim do Mundo”, lembrei que os gregos antigos tinham Três palavras para localizar o tempo: Eon, Chronos e Kairós. Enquanto Eon representava o tempo cíclico espiral e das contradições que se repetem a cada ciclo, e Chronos refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, o Kairós refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece, em Teologia, é chamado "o tempo de Deus"..  Ou seja, o Kairós é o lugar perfeito.
Lembrando de perfeição, lembrei do Salmo 133, e lembrei também que, o que é perfeito tem que ser Kairós, pois se não é oportuno de nada serve para o lugar que você ocupa agora. De fato, o Salmista Davi nos apresenta nessa poesia um recado oportuno e especial para o ser humano do “Fim do Mundo”... Esse indivíduo que está tão descentrado, dividido, dividindo, individualizando, mais egoísta, mais egocêntrico e mais estressado... Davi nos alerta que podemos prejudicar as bênçãos oportunas do Criador se não atentarmos para alguns perigos na temporalidade da vida.
O primeiro alerta é que devemos atentar para a tristeza que a divisão e a uniformidade promovem. Davi certamente estava se referindo à união de irmãos quando celebrava a união de todas as tribos em seu reinado em Israel. Para ele, era uma alegria ver a diversidade de cores, de expressões culturais de cada tribo de Israel, da vocação de cada família, da riqueza de cada tenda reunida para formar um caleidoscópio familiar que celebrava o melhor que eles tinham: A benção do seu Deus. Infelizmente, hoje temos um apelo para sermos “números” e deixamos de lado aquilo que podemos partilhar na diferença e na diversidade. Em outras palavras, Unidade não é uniformidade, e viver em união é uma condição de Benção Eterna. Você percebe como isso é agradável?
O segundo alerta é que devemos abraçar a sabedoria, antes de sermos cultos ou intelectuais. Há uma grande diferença entre o Intelectual, o Culto e o Sábio. O Intelectual tem um grande conhecimento, mas não compartilha esse com ninguém, guardando-o só para ele; o homem Culto faz do seu grande conhecimento um instrumento de vaidade, e só o expõe para seu proveito ou quando pode ser aplaudido por ele; já o homem Sábio compartilha seu o conhecimento com o povo, para o povo e no meio do povo, pois sabe que precisa do povo para construir a sua sabedoria... Davi nos canta a pedra do valor de ser Sábio e Servo como aquele azeite em abundância que cura e restaura o lugar onde se azeita...
Por fim, devemos atentar para o refrigério necessário na alma do ser humano. Na geografia da Palestina, o monte Hermom, que fica ao norte dessa região, permanece coberto de neve ano após ano, e quando a brisa e os ventos fortes carregam para o sul o frescor do seu pesado orvalho, esse, gelado, alcança até as regiões mais secas e áridas próximas do monte Sião, atravessando assim o extenso deserto do Neguebe. Surge então a VIDA, a partir do Hermom, pois esse estende seu refrigério e renovo até Sião. Refrigera o que está seco!
Que diante desse “FIM” o Kairós prevaleça! E que você possa ouvir o poeta hebreu em seu salmo 133 afirmando que no lugar perfeito “o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre”.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Espiritualidade de Niemeyer


 
Muitos acreditam que os que se afirmam como “ateus” não possuem espiritualidade. Outros acreditam ainda que espiritualidade é coisa dos religiosos... Foi quando conheci a Catedral Metropolitana de Brasília que descobri que muitos desses ateus declarados têm uma espiritualidade por vezes mais madura do que outros tantos religiosos...

Além de uma estética singular proposta em seu momento histórico, aquela obra arquitetônica traduz em seu partido plástico a expressão da adoração ao Deus Criador tão bem representada em seu “Arvoramento ao Céu” ne expressão de sua estrutura, simbolizando a relação de adoração do fiel cristão diante do seu Deus.

É na experiência de um passeio que vai do pátio externo até chegar ao ambiente interno na Catedral, que se descobre um caminho litúrgico do encontro do ser humano com Deus, representado no espaço proposto pelo seu projeto. O fiel entra por um corredor estreito e escuro e, como que de repente, se depara com o ambiente da nave recheada de Luz por todos os lados.

Diz o autor da obra: “Na Catedral de Brasília, por exemplo, evitei as soluções usuais das velhas catedrais, sempre escuras, lembrando pecado. E, ao contrário, fiz escura a galeria de acesso à nave, e esta, toda iluminada, colorida, voltada com seus belos vitrais transparentes para os espaços infinitos”. Que Espiritualidade! Que mística!

Esse mesmo ateu nos deixou com seus 104 anos na quarta-feira, dia 05 de dezembro de 2012, sempre afirmou que não acreditava em uma Arquitetura “ideal”, “insubstituível”; somente em “boa” e “má” arquitetura. Afirmava gostar de Le Corbusier como de Mies Van der Rohe, de Picasso como de Matisse, de Machado de Assis como de Eça de Queirós. Esse é Oscar Niemeyer... Certa vez, quando o jornalista Geneton Moraes Neto perguntou como ele definiria a Vida Humana, em uma só palavra, a  resposta de Niemeyer foi: SOLIDARIEDADE.

Hoje quando penso no oficio de arquiteto não vejo só o profissional, mas vejo o ser humano que faz a Espiritualidade resultar em espaços físicos. Devo parte deste pensamento ao mestre Oscar. Por isso, se você for um ateu declarado, saiba que a sua espiritualidade pode ajudar o outro a mudar para melhor. Isso é uma Responsabilidade com a Solidariedade! Acredite. Não dá para fugir do Espiritual.

Disse Oscar: “A Solidariedade justifica o curto passeio da vida”. (...) “É tolice dizer que as coisas são imutáveis. Tudo pode ser mudado... Acho muito bom a pessoa se recolher e ficar pensando em si mesma, conversando com esse ser que tem dentro dela, que é nosso sósia, né? Eu converso com ele a vida inteira”...

Lembro do dia, na minha adolescência, em que passeava de carro pelas ruas do Recife com meu Pai (um comunista convicto naquela época), quando ele me perguntou: “Que vais querer ser?” Eu respondi: Arquiteto. Depois de alguns segundos de silêncio profundo, ele respondeu: “É... o “companheiro” Niemeyer é um dos grandes... Sábio...”.

Cri que foi aquela, a benção que recebi de meu pai... Fica o Meu Amém para meu Velho e Meu Obrigado a você Niemeyer! Bom descanso...