domingo, 19 de agosto de 2012

Até os gorilas vamos abraçar...



Recentemente, dois irmãos gorilas protagonizaram cenas emocionantes na Inglaterra, ao se reencontrarem após mais de dois anos separados. O parque de diversões e safári Longleat, no sudoeste da Inglaterra, registrou em matéria nacional o momento em que o gorila Kesho, de treze anos, retornou ao parque, reviu e abraçou seu irmão mais novo, Alf, de nove anos. Os dois se abraçaram muito. Um terceiro irmão, Evindi, de seis anos, também foi recebido calorosamente por abraços do gorila mais velho.
O conservacionista Ian Redmond, especialista no comportamento de gorilas, descreveu a cena em termos semelhantes aos usados para um reencontro humano: "É a alegria de reencontrar alguém com quem você se divertia e agora pode voltar a se divertir".
Em tempos de pós-modernidade ser afetuoso pode ser uma intromissão...
Intromissão... O fato é que essa afirmação não é uma inverdade em tempos que revelam um ser humano mais solitário, mais competitivo, mais distante, mais fragmentado e ao mesmo tempo mais necessitado do seu semelhante...
Há algum tempo atrás fiquei chocado com uma reportagem sobre uma “Guru” hindu chamada “Amma”. Ela é considerada por muitos como uma "Santa Viva" e aonde vai, multidões tornam-se cada vez maiores com a divulgação crescente de seu nome. Foi descrita pelas Nações Unidas como "Uma proeminente Líder Espiritual para o século 21"... Sabe o que “Amma” faz de tão especial? Abraça pessoas...
A Guru já abraçou mais de 20 milhões de pessoas ao redor do mundo. “Amma” esteve no Brasil em 2007 e testemunhas disseram que o seu abraço aconchega, pacifica, acalma... Para alguns, ele chega a abençoar, uma vez que milhões de pessoas reconhecem a ela como uma encarnação do amor... Filas imensas se formam, e “Amma” chega a ficar até 20 horas seguidas sem se levantar somente distribuindo seus famosos abraços. Enquanto houver uma pessoa esperando, “Amma” continua ali, disponível, a quem quer que seja.
Precisamos nos reencontrar com nós mesmos; precisamos nos reencontrar com o nosso semelhante; precisamos nos reencontrar com Deus... Tenho certeza que até os gorilas vamos abraçar... Não precisamos de filas para isso, só abertura.
Estamos vivendo uma Era em que nos “apartamos” daquele que mais precisamos: o Outro. No final, o que queremos mesmo é um abraço de reencontro...
Meu abraço fraterno para os mais solitários gorilas!