sexta-feira, 31 de agosto de 2012

“Inteligentes” e “Iluminados”






 

 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
Atualmente, muitas pessoas falam sobre competência. Fala-se até em “meta-competência” nestes tempos de competitividade profissional... Sem dúvida o conhecimento quando é assimilado e posto em prática torna-se uma competência, assim como, quando o talentos e a habilidade se abraçam, também temos a competência como resultado... No entanto, as competências são reconhecidas comumente pela capacidade que temos de tomar decisões, de resolver e administrar problemas. Afinal, ser competente é saber fazer e fazer bem, avaliando isso honestamente.
Existem aqueles que confundem competência com profissionalismo, e tarefas feitas sem seriedade e competência com amadorismo. Quero dizer que aos nossos olhos podemos estar nos vendo como “competentes e profissionais”, mas na verdade podemos ser os incompetentes e despreparados da história...
Gosto bastante de uma narrativa conhecida de muitos, que fala de um açougueiro estava em sua loja e ficou surpreso quando um cachorro entrou singularmente no estabelecimento. Ele espantou o cachorro, mas logo o cãozinho voltou. Novamente ele tentou espantá-lo, foi quando viu que o animal trazia um bilhete na boca. Ele pegou o bilhete e leu: - O senhor pode me mandar doze salsichas e uma perna de carneiro, por favor? Assinado... Ele olhou assustado e viu que dentro da boca do cachorro havia uma nota de 50 Reais. Então, pegou o dinheiro, separou as salsichas e a perna de carneiro, colocou numa embalagem plástica, junto com o troco, e pôs na boca do cachorro...
O açougueiro estava impressionado e como já era mesmo hora de fechar o açougue, decidiu seguir o animal ao seu destino. O cachorro desceu a rua, quando chegou em um cruzamento deixou a bolsa no chão, pulou e apertou o botão para fechar o sinal. Esperou pacientemente com o saco na boca até que o sinal fechasse e pudesse atravessar a rua.
O açougueiro e o cão foram caminhando pela rua, até que o cão parou em uma casa e pôs as compras na calçada. Então, voltou um pouco, correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso algumas vezes, mas ninguém respondeu na casa. Então, o cachorro circundou a casa, pulou um muro baixo, foi até a janela, e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes.
Depois disso, caminhou de volta para a porta principal, e foi quando alguém abriu a porta e começou a bater e agredir o cachorro... O açougueiro correu até esta pessoa e o impediu, dizendo: - Por Deus do Céu, o que você está fazendo? Esse seu cão é um gênio! A pessoa respondeu: - Um gênio? Esta já é a segunda vez na semana que este estúpido esquece a chave!
Destacamos algumas lições nesta ilustração. Uma delas é a certeza de que você pode continuar excedendo às expectativas, mas para os olhos de alguns, você estará sempre abaixo do esperado, e sendo considerado um incompetente... A outra é que muita gente confunde amadorismo com incompetência, ou que profissionalismo é sinônimo de competência. Contudo, podemos fazer coisas com amadorismo (coisas feitas por amor) usando de muito conhecimento e competência...
Alguém já disse certa vez que quem conhece os outros é: Inteligente. Entretanto, mais que isso, eu defendo a ideia de que quem conhece a si mesmo é: Iluminado... Esses, os “Inteligentes” e “Iluminados” se destacam no que fazem, mas nem sempre são chamados de “competentes” e “profissionais” na história...

domingo, 26 de agosto de 2012

Para mim, “ateniense”...



Gostaria de relembrar aos amigos uma mitológica história. Foi na Grécia antiga, quando o rei grego Cécrope, da Ática, anunciou que fundaria uma nova cidade. Logo começou a disputa entre os deuses do Olímpo pela proteção da nova Pólis. Com isso Atenas (Minerva para os romanos) e Possêidon (Netuno pra os romanos) se ofereceram como candidatos a “protetores” da nova cidade.


O rei Cécrope decidiu então, que os cidadãos teriam o direito de escolher o seu “deus” protetor. Esse deveria oferecer a cidade um presente relevante, de maior utilidade, beleza e significado para a vida do povo. Assim, a cidade receberia o nome desse mesmo deus, em sua homenagem.

Nessa hora, Netuno se adiantou e criou o Cavalo, ao bater com o seu tridente na terra, e apresentou o belíssimo e útil animal ao povo... Já Minerva, por sua vez, batendo com a ponta de sua lança na terra, criou a Oliveira, para o deslumbre de todos... Como naquela época, os feitos definiam os votos, após um tempo de observação sobre os feitos de cada deus grego, pareceu ao povo daquela Urbe que a Oliveira seria de mais valia para a cidade, pois nunca mais a cidade deixaria de ser abastecida pelos medicamentos, bálsamos, perfumes, combustíveis e sabores do azeite de oliva... Enflorada, além de muito bela, a Oliveira também se tornaria um símbolo universal da Paz...

Foi assim que aquela nova cidade da região da Ática ficou sendo chamada de: “Atenas” (nome que os gregos davam a deusa Minerva).

Parece que as coisas não mudaram muito desde os tempos do Olímpo, quando vemos alguns candidatos se apresentando como a solução dos problemas de nossas cidades e de nossa nação. Disse certa vez que parece estarmos a viver numa mitologia ante uma “utopia possível”. Os candidatos tornam-se os Mítus consagrados nas urnas pelo nosso voto...

Então, a quem vamos escolher como nosso protetor?

A verdade é que em nós está o poder de decisão, de escolha. Um poder igual para todos os cidadãos. Um poder que nos faz responsáveis pelo nome que queremos para a nossa “Pólis”. O voto nos faz decidir entre cavalos ou oliveiras, entre o que queremos, temos, ou teremos...

Olhando para os presentes oferecidos até aqui, poderemos apontar o que ficaria de mais valor para nossa cidade. Mesmo com a ciência de escolher entre “deuses”, de certo, nada protetores, sejamos os mais honestos possíveis em nosso voto, pois se dissermos que não gostamos de política, não nos furtaremos de sermos governados por quem gosta...

Pensei em “deuses”, promessas, propostas, feitos, cavalos e suas oliveiras... E me veio a pergunta: Que nome vamos ter? “Helênica”, “Jorgínia”, ou Cesaréia...? Para mim, “ateniense”, o meu augusto voto vai para...

Ah, lembrei! O voto é secreto!

domingo, 19 de agosto de 2012

Até os gorilas vamos abraçar...



Recentemente, dois irmãos gorilas protagonizaram cenas emocionantes na Inglaterra, ao se reencontrarem após mais de dois anos separados. O parque de diversões e safári Longleat, no sudoeste da Inglaterra, registrou em matéria nacional o momento em que o gorila Kesho, de treze anos, retornou ao parque, reviu e abraçou seu irmão mais novo, Alf, de nove anos. Os dois se abraçaram muito. Um terceiro irmão, Evindi, de seis anos, também foi recebido calorosamente por abraços do gorila mais velho.
O conservacionista Ian Redmond, especialista no comportamento de gorilas, descreveu a cena em termos semelhantes aos usados para um reencontro humano: "É a alegria de reencontrar alguém com quem você se divertia e agora pode voltar a se divertir".
Em tempos de pós-modernidade ser afetuoso pode ser uma intromissão...
Intromissão... O fato é que essa afirmação não é uma inverdade em tempos que revelam um ser humano mais solitário, mais competitivo, mais distante, mais fragmentado e ao mesmo tempo mais necessitado do seu semelhante...
Há algum tempo atrás fiquei chocado com uma reportagem sobre uma “Guru” hindu chamada “Amma”. Ela é considerada por muitos como uma "Santa Viva" e aonde vai, multidões tornam-se cada vez maiores com a divulgação crescente de seu nome. Foi descrita pelas Nações Unidas como "Uma proeminente Líder Espiritual para o século 21"... Sabe o que “Amma” faz de tão especial? Abraça pessoas...
A Guru já abraçou mais de 20 milhões de pessoas ao redor do mundo. “Amma” esteve no Brasil em 2007 e testemunhas disseram que o seu abraço aconchega, pacifica, acalma... Para alguns, ele chega a abençoar, uma vez que milhões de pessoas reconhecem a ela como uma encarnação do amor... Filas imensas se formam, e “Amma” chega a ficar até 20 horas seguidas sem se levantar somente distribuindo seus famosos abraços. Enquanto houver uma pessoa esperando, “Amma” continua ali, disponível, a quem quer que seja.
Precisamos nos reencontrar com nós mesmos; precisamos nos reencontrar com o nosso semelhante; precisamos nos reencontrar com Deus... Tenho certeza que até os gorilas vamos abraçar... Não precisamos de filas para isso, só abertura.
Estamos vivendo uma Era em que nos “apartamos” daquele que mais precisamos: o Outro. No final, o que queremos mesmo é um abraço de reencontro...
Meu abraço fraterno para os mais solitários gorilas!

sábado, 11 de agosto de 2012

Eu parei para “afiar o machado”...



Conta-se que numa cidade canadense havia um torneio de lenhadores muito famoso em todo o país. Afinal, os “Lumberjacks” (lenhadores canadenses) são conhecidos como os homens mais fortes do mundo. Esse torneio consistia em cortar o máximo de árvores durante um dia inteiro. Ao final do dia, um fiscal contava os troncos cortados e determinava como “vencedor” aquele lenhador que tivesse o maior número de troncos cortados...
Entretanto, durante anos, um velho lenhador foi o Campeão. Ele tinha uma singular metodologia de ação nas disputas. A cada hora de trabalho parava 15 minutos... Vários adversários tentaram descobrir qual era o segredo de parar tantas vezes durante o dia e, mesmo assim, ao final do torneio cortar mais árvores que todos os outros.
Foi então que um jornalista em uma entrevista conseguiu a resposta. Numa reportagem perguntou ao campeão, já aposentado, qual o segredo do seu sucesso: “Como o senhor, que parava tantas vezes de bater o machado nas árvores, conseguia ganhar a disputa com quem batia o machado nas árvores incessantemente?”. Respondeu ele: “É simples, meu filho... Eu parava para afiar o machado...”.
Parar para afiar o machado é renovar-se... O tempo do renovo existe em toda a natureza. E muitas vezes é preciso que haja uma situação difícil, para que a natureza se recomponha e a vida se refaça. As chances da natureza se recompor são inesgotáveis! O ser humano também é parte dessa mesma natureza. Precisamos de renovação de ânimo, de energias, de objetivos, de metas e de futuro... Possivelmente o novo nunca mais será como antes.
Deus nos chama para o renovo quando nos convida para nos voltarmos para ele. Seus braços estão sempre estendidos nos aguardando, seus ouvidos sempre prontos a nos ouvir. Sem dúvida as maiores conquistas espirituais acontecem quando nos vemos lá no fundo do poço, e assim deixamos que o Senhor nos tire de lá e nos coloque firmados sobre uma rocha.
Recentemente parei de escrever nesta minha coluna por um pequeno espaço de tempo, e muitos perguntaram o porquê. Nunca contei o meu segredo, mas que agora revelo aos que sempre me acompanharam: Eu parei para “afiar o machado”...
Renovação! Essa é uma lição que deixo aos amigos que se esquecem de que o fio do machado também fica cego, e que precisamos parar para afiar a ferramenta humana em busca da Excelência.
Como disse certa vez Abraham Lincoln: "Se eu tivesse oito horas para derrubar uma árvore, passaria seis afiando meu machado".

domingo, 5 de agosto de 2012

“Citius, Altius, Fortius...”





Talvez você não saiba, mas os primeiros Jogos Olímpicos na Grécia Antiga aconteciam também de quatro em quatro anos há mais de 2.700 anos. Os jogos não celebravam outra coisa senão os deuses. Era um tributo aos senhores do Monte Olimpo. O mais curioso é que durante esse tempo de celebração e jogos, todas as cidades deveriam interromper suas guerras. Então, por volta dos anos 393 e 394 dC, o imperador romano Teodósio I (em um Império já “cristianizado”) acabou com os Jogos justificando seu ato como uma luta contra as referencias pagãs... Ou seria porque o “deus” a ser alvo do tributo celebrativo deveria ser o próprio Imperador...?
Mas em 1896, Pierre de Frédy, um pedagogo e historiador francês, entrou para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Ele ficou mais conhecido pelo seu título de Barão de Coubertin.
Na essência, os Jogos Olímpicos nos remetem a valores que podem mudar a vida humana. Sinais que apontam para a possibilidade de reconstruir o futuro e superar limites. Sob essa ótica, o esporte é um grande motivador social que revela a necessidade do ser humano em romper as barreiras, o suportar a dor e o medo, e marcar sua vida e memória com sentimentos únicos...
Em 1924, durante os Jogos de Paris, surge pela primeira vez o uso do lema olímpico: “Citius, Altius, Fortius...”. Esse lema olímpico, em expressão Latina, queria dizer: “Mais Veloz, Mais Alto, Mais Forte...”. Assim, os limites do ser humano seriam o objetivo da atividade humana feita com perfeição. Agora o “deus” a ser celebrado era o homem; o “Super-Homem”... Coubertin, disse: “Os jogos Olímpicos foram criados para a glorificação do campeão”.
Todavia, os ideais olímpicos não são suficientes descrever a capacidade da condição humana.
Meu convite a você é a reflexão em busca de ideais e propósitos junto com o Deus Criador de todas as coisas. Diante dos propósitos que ELE tem pra cada um de nós, tal como acontece nos jogos, a vida exige de nós uma ação dedicada para alcançarmos a eles. A vida sem propósitos é vazia... O apóstolo Paulo diz em sua 1ª. Carta aos Coríntios 9: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”.
Nós precisamos desenvolver valores que nos ajudem a assumir uma atitude vitoriosa e virtuosa frente aos desafios que nos são apresentados na vida e que nos proporcionam um relacionamento mais profundo com Deus.
Competir, superar-se, ser o melhor, tornou-se uma necessidade. Mas o que celebramos hoje? Os “deuses”, “o imperador”, “o homem”...?
Bem, ponderando isso, lembro que a nossa experiência com Deus e a nossa luta contra nós mesmos, certamente nos leva a um tempo de amadurecimento, de vitória e de bênçãos! Pois, se não formos desqualificados por aquilo que não somos capazes de vencer - nossos mais amargos vícios - alcançaremos um prêmio que não se corrompe com o tempo: A Coroa Incorruptível da Vitória...
Afinal, Deus está nos treinando para sermos “Mais Velozes, Mais Altos e Mais Fortes”...  Isso sim, deve ser celebrado!