quinta-feira, 19 de abril de 2012

Espiritualidade Sustentável



O físico e filósofo austríaco Fritjof Capra apresenta a Sustentabilidade como uma consequência de um complexo padrão de organização que apresenta cinco características básicas: interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade. Em suma, retrata na pratica, a ação de garantir para as gerações futuras aquilo que podemos deixar como legado positivo, vivo e perene no planeta... Capra indica que, se estas características, encontradas em ecossistemas, forem “aplicadas” às sociedades humanas, essas sociedades também poderão alcançar a sustentabilidade.

O físico define que jamais a civilização humana teve no âmbito do planeta, o poder destruidor que a sociedade atual possui. Segundo suas afirmações, a humanidade está num momento de definição histórica. Afirma ele: "Estamos chegando a um momento decisivo como indivíduos, como sociedade e como civilização." (...). "Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente, sendo problemas sistêmicos, interligados e independentes...".

Entretanto, já existe um floreio sobre a pratica sustentabilidade chamado de: “Maquiagem verde”, ou “Greenwashing”, que está ganhando força no Brasil e no mundo. Por exemplo, muitas empresas buscam “maquiar” embalagens e peças publicitárias para passar a imagem de produtos que não agridem a natureza... Já existe até lei e várias iniciativas de combate à esta prática.

Percebemos então que estamos burlando a sustentabilidade pelo bem do nosso consumismo imediatista... Hoje consumimos tudo... Alimentos, tempo, vaidade, ambientes, relações, pessoas e etc. Não buscamos cultivar valores virtuosos e atuar na permanência desses em nossa vida e na vida dos que estarão depois de nós...

Logo, se o potencial da sustentabilidade está no potencial da cooperação humana, esse potencial passa pela espiritualidade humana. Ora, se o mundo não vai melhorar sozinho, nós também não... Ora, se o ser humano de hoje deve garantir o Planeta para as próximas gerações, na Espiritualidade ele deve garantir Valores para as mesmas gerações. Enfim, temos que ter uma espiritualidade sustentável também!

Daí a necessidade urgente de um modelo de desenvolvimento que se firme numa espiritualidade sustentável.

O problema é que “maquiamos” nossa sustentabilidade espiritual também. Como disse o Apóstolo Paulo: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino... agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.”( I Co. 13:11-12).

Tem muita gente querendo permanecer menino... Paulo está nos ensinando que o conhecimento de Deus e a maturidade existencial são coisas que caminham de forma paralela. À medida que a consciência vai sendo transformada pelo conhecimento pessoal de Deus, deixa-se para trás as “coisas de menino”, ou seja, as futilidades, vaidades e tolices próprias de quem ainda não chegou a tornar-se adulto, e passa-se a consolidar outro tipo de comportamento.

Então atentemos! As pessoas que possuem um “cultivo maduro e responsável a valores universais” mais adensados, são justamente aquelas que, simultaneamente, desenvolvem uma Espiritualidade Sustentável...