sábado, 18 de fevereiro de 2012

Só dentro do Saleiro...?





Teologicamente, podemos chamar de Sagrado aquilo que promove uma abertura entre o natural e o sobrenatural, que promove um vigor, que gera o assombro, o admirável, o mistério, o temor e o desejo. Na dimensão do simbólico, o Sagrado estabelece uma relação de vínculos que podem resultar em fascínio ou rejeição ,simpatia ou repulsa, autoridade ou submissão, religiosidade ou temor, amor ou animosidade.
                É no espaço da experiência de liberdade e possibilidade de transcender que o homem pode se realizar. Contudo, a grande verdade é que naquilo que se mostra nas relações da experiência humana verifica-se que toda a liberdade e transcendência são relativas, limitadas e condicionadas. Toda a realização se dá na dimensão da representação simbólica... E nisso está a necessidade do ser humano de superar as próprias limitações que levam à buscam de direção, para onde a vida conduz, que pode encontrar em Deus o fundamento último de sentido.
                Diante disso, a religião é uma experiência humana que se manifesta culturalmente e se atualiza à medida da própria experiência humana. É assim porque temos diante do ser humano a questão a ser respondida sobre o sentido da vida, pelo fim exsitencial.
                Dizer que o fenômeno religioso deixou de existir ou que perdeu a sua força, por conta do secularismo, do desencantamento do mundo e do pluralismo é um equivoco. Esse fenômeno na pós-modernidade aclama uma vida de sucesso e de prosperidade, e ainda apresenta um compêndio de como se deve fazer para conseguí-la, fomentando o fundamentalismo reigioso. Precisa-se do elemento mágico que transforme incerteza em autossegurança, que aponte caminhos para a restauração da personalidade, reelaborado de uma forma de encantamento, que seduza e que convença de que se está diante da experiência do sagrado.
                Se o homem não encontra em Deus o fundamento último de sua existência, tende a adotar outros absolutos e a fazê-lo conforme a sua imagem e semelhança. De outra forma, afunda no desespero e no vazio existencial.
                Enfim , estamos vivendo um tempo em que ficam à margem o sentimento de pertença e o sentido de vida em comunidade de forma sadia. Mas o que importa mesmo diante do “já e ainda não” é ser sal no saleiro... Porque o sal no saleiro não muda nada. Para dar “gosto” o sal deve estar fora do saleiro... Fora dos portões!
Aonde você está? Só dentro do Saleiro...?