sábado, 4 de fevereiro de 2012

É urgente aprender a desaprender

Cada vez mais o ser humano se depara com um mundo em grandes transformações, e que exige novas aprendizagens, de tal modo que não dá para se pensar apenas numa recepção de informações empilhadas. É claro que com a velocidade das informações, tão presente hoje, furta mais a Formação de que a Informação. Vive-se num tempo em que o ser humano é mais Informado do que Formado. Na Formação se carece de aprendizado, na informação nem sempre...


Talvez vivamos no tempo de experimentar aprender a desaprender... O problema é que o acúmulo de informações que recebemos ao longo da vida e que nos são impostas como exigências acabam, de algum modo, resultando em verdadeiros entulhos que confinam a nossa percepção do que é a vida. Existe uma relativização dos valores que produz uma capacidade mínima de descobrir as virtudes e a beleza que há em muitos aspectos relacionados àquilo que podemos chamar de Humano.

O problema do ser humano da pós-moderdidade é que ele aprendeu inverdades a cerca de si... Informaram-lhe de várias formas e métodos que ele era um sujeito autônomo e super-dotado de vontade... Um super-homem. Porém, o pior aconteceu. Ele aprendeu o que não lhe trouxe Paz. Por isso, devemos desaprender esse aprendizado, para aprender a ser mais dependentes de Deus.

Como disse um teologo carioca de nossos dias: “Precisamos desaprender a imagem de um Deus paternalista e terrível, como se fosse um vigia sorrateiro, um manipulador de marionetes, pronto a mandar pessoas para o inferno, como nos ensinou a cristandade, para aprender mais sobre a maneira de acolher o cuidado amoroso de Deus por nós”.

Devemos desaprender a idéia de que Jesus foi um Deus disfarçado, que sabia de tudo e que viveu sem sentir a dor, o sofrimento, as duvidas, as paixões, para aprender sobre o mistério que envolve a pessoa de Jesus de Nazaré, que, através de sua vida totalmente humana, revela-se o Filho enviado pelo Pai, encharcado do Espírito de Deus, a fim de que possamos viver uma vida vivida com VIDA.

Devemos desaprender a idéia de que ser cristão é está unido a verdades que se descobrem sozinho, e que são patrimônio particular de uma determinada corrente doutrinária; é ser cumpridor de normas e regras religiosas que muitas vezes são desrespeitosas ao Amor, para aprendermos a recuperar a alegria de viver o relacionamento pessoal com Deus que se dá a partir do meu relacionamento com os irmãos.

Devemos desaprender a idéia de que a fé se expressa por meio de ações mágicas e extraordinárias, por mérito, barganha e de troca, para aprender que a FÉ só faz sentido a partir da prática da Mensagem de Cristo que se manifesta através da vida em Comunhão com o outro. Não se vive a Fé na solidão... Isso é alienação.

Se aprendêssemos mais sobre o Caminho pederíamos perceber que a lista de recomendações seria ainda maior, mas essas poucas já nos mostram o quanto é urgente aprender a desaprender, principalmente para nós: Eternos aprendizes.