quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Aquela Acácia Amarela...

            

             A imagem cultural nordestina nunca foi tão bem representanda pela sanfona e o chapéu de couro do poeta e compositor Luiz Gonzaga, o “Eterno Cantador”. Gonzaga teve uma carreira musical consolidada e reconhecida, com seu som “agreste” atravessando barreiras e fronteiras, onde foi e é apreciada pelo povo brasileiro. Ele expressava através de sua voz, suas dores, esperanças e amores, e sua autêntica representação da alma sertaneja, cantando sua história, com simplicidade e dignidade.
            “Lua”, como também era afetuosamente chamado pelos amigos, estaria completando 100 anos este ano. Dentre as várias homenagens ao seu centenário está a do Clube de Máscaras Galo da Madrugada em seu desfile oficial, o qual em 2011 arrastou mais de 1,7 milhões de foliões pelas ruas de Recife.
            Das centenas de composições desse bardo brasileiro está uma, não tão conhecida da maioria das pessoas, que fala de uma árvore singular chamada: Acácia. A Acácia é uma árvore de madeira muito dura... Dentre suas espécies, algumas produzem goma-arábica, outras fornecem fruto comestível, tanino, e madeira de grande valor. Todas elas produzem flores perfumadas brancas ou amarelas, sendo muito utilizadas como adorno, e o seu fruto em forma de vagem figura entre os meses de julho e dezembro. Existem quase 400 variedades presentes no mundo todo, e no Brasil, a cidade de Goiânia, capital do Estado de Goiás, é a cidade fora da Europa que tem o maior número de acácias no mundo.
            Contudo, Luiz Gozaga fala da Acácia Amarela (acacia farnesiana), a qual muitos acreditam que sua madeira teria sido usada na confecção da cruz em que Jesus fora crucificado. Também afirma-se biblicamente que fora usada na construção do Tabernáculo hebraico (Ex 26:15-16), para a Arca da Aliança (Êxodos, 25: 10), usada para a mesa dos pães propiciais (Êxodo, 25: 23) e no altar dos holocaustos (Êxodo, 27: 1). Para estudiosos da simbologia, a acácia amarela representa, também, a pureza e a imortalidade, além de ser o símbolo da ressurreição, por influência da tradição mística dos árabes e dos hebreus.
            Como estudioso que era, o compositor de “Asa Branca” ao falar da Acácia Amarela, fala da busca pela virtude humana, da possibilidade do alívio da alma, da segurança da beleza interior, da dignidade sem “subjugar”, lutar e usar de discórdia com ninguém. O poeta sertanejo aponta que isso é singelamente escandaloso para alguns, semelhantemente ao escândalo da Acácia Amarela quando flori em especial beleza.
            De modo geral, na Bíblia, os vegetais e as plantas representam a natureza humana. A madeira de acácia representa a natureza humana elevada, provada e firme, que resiste ao sofrimento e a tribulação. A Acácia florida pode ser vista como uma símbolo que acolhe o mais harmonizado dos homens...
            Como bem cantava Luiz “Lua” Gonzaga: “Ela é tão linda, é tão bela/ Aquela Acácia Amarela/ Que a minha casa tem/ Aquela casa direita/ Que é tão justa e perfeita/ Onde eu me sinto tão bem. Sou um feliz operário/ Onde aumento de salário/ Não tem luta, nem discórdia/ Ali o mal é submerso/ E o Grande Arquiteto do Universo/ É harmonia, é concórdia... É harmonia, é concórdia”.
            Parabéns Luiz Gonzaga!