segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Líder Autêntico? Tentado, é claro...



             Diz o texto do evangelho de Lucas: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo [...]” (Lucas 4.1-2). O líder quando é tentado, passa pela prova de sua autenticidade. O texto do evangelho de Lucas retrata alguns aspectos da tentação que Jesus passou no deserto. O conceito de líder autêntico ainda tem sido associado ao perfil estabelecido pelo mundo corporativo.  Óbivio que esses têm o Lucro como “pedra de toque”...
            Contudo, a tentação sobre muitos estraga tudo... Muitos líderes ditos autênticos não sabem aprender com suas próprias experiências a partir de uma reflexão realista de sua condição pessoal, e encarar corajosamente suas próprias contradições. Não se dão conta de suas limitações e da necessária busca por superação.
            A tentação de Jesus pode nos ser para nós, um panorama de como atravessar as barreiras que impedem a verdadeira liderança autêntica. Segundo o Pr. Irênio Silveira, “as maiores barreiras estão relacionadas à própria condição do sujeito do desejo, que comporta tanto a inclinação para o erro e o equívoco como a aspiração de realização, e de afirmação de si. Isso tem a ver com o fato de que há obstáculos que todo líder enfrenta: o desejo de Ter; o desejo de Poder e o desejo de Aprovação”. São desejos fidedignos, mas que se inserem na dimensão da ambiguidade, que caracteriza a nossa própria humanização.
            A tentação do líder implica a realização do desejo de autonomia e de autogovernança, e de ser autossuficiente. Isso afeta líderes em todas as esferas da ação humana, inclusive as relacionadas à fé, e revela também a força da tentação: nossos Desejos...
            Jesus, depois de passar pelo deserto durante quarenta dias, teve fome. Não há nada de errado em ser tentado. O problema está na atitude adotada para a construção de um caminho para a solução dos problemas.
            O texto de Lucas nos ensina que em primeiro lugar, precisamos superar o desejo de Ter. É a tentação de Ter o poder que Deus tem. “Se você é o Filho de Deus, mande que essas pedras se transformem em pão.” (Lucas 4.3). o “Ter” comporta a ambição e a ostentação...
            Em segundo lugar, devemos superar o desejo de Poder. Satanás mostrou a Jesus todos os domínios do mundo e disse: “Eu lhe darei toda a autoridade sobre eles e todo o seu esplendor, porque me foram dados e posso dá-los a quem eu quiser. Então, se você me adorar, tudo será seu.” (Lucas 4.6-7). Jesus foi tentado com a crença de que o homem é um sujeito autônomo, a fazer aquilo que Deus faz. Corremos o risco de acreditar na projeção infantil de um Deus paternalista que atende a todos os nossos “mimos”, bastando pedir Poder da maneira certa.
            Por fim, devemos superar o desejo de Reconhecimento. A terceira tentação lembra o engano das aparências, inclusive religiosas, baseadas em critérios de retribuição e merecimento e reconhecimento. Essa é a tentação de ser Deus. O texto bíblico menciona que Satanás levou Jesus até Jerusalém, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, para lhe guardarem’, com as mãos eles os segurarão, para que você não tropece em alguma pedra.” (Lucas 4.9-11). Jesus foi tentado a colocar Deus à prova. Ele foi induzido a crer que a razão humana tem o controle de tudo, enquanto humano. A ideia é de se substituir Deus na vida, através da ilusão de ter o controle de tudo e de se exercer um poder dominador, que ao final revela, de fato, quem é o carente por reconhecimento...
            Assim, Jesus torna-se o paradigma da escolha que precisa ser feita. Ele realiza o seu ministério em meio à fragilidade humana e a na certeza do cuidado divino. A pergunta então, é: Você aceita se superar em seus Desejos? Bom, esse é um bom caminho na construção de um líder autêntico...