sábado, 14 de janeiro de 2012

Missão... Qual é a sua, então?



Observando a pirâmide de necessidade de Maslow vemos uma seqüência hierárquica das necessidades humanas, que são: necessidades fisiológicas (básicas); necessidades de segurança; necessidades sociais; necessidades de estima; necessidades de auto-realização (sentido).
No topo da “Pirâmide de Maslow” está a necessidade de sentido de vida, e como esse sentido pode ser o ponto no qual se descobre a missão pessoal, e o verdadeiro sentido da existência de cada um.
Dizem que o ser humano é capaz de tolerar tudo, só não a falta de sentido. A busca por um sentido existencial é uma necessidade humana e faz parte da própria trajetória da humanidade. Contudo, infelizmente para muitos, essa busca de sentido remete à questão de Deus.
A Espiritualidade, a qual a teologia vê como uma capacidade humana de ver sentido no que há dentro e fora da vida humana, está relacionada aos aspectos que correspondem ao fim último da existência. Nela o ser humano se depara com o impasse de sua própria condição humana, que é: a consciência de que o homem constrói suas relações levando em consideração determinismo e liberdade, imanência e transcendência, finitude e infinitude.
Mesmo em uma sociedade mais desenvolvida tecnologicamente e com a busca incansável por qualidade de vida, muitos ainda não conseguem beijar a satisfação pessoal, pois não obtêm a resposta sobre o vazio de sua existência, ou seja, seu sentido de vida mesmo tendo “tudo”...
A necessidade de superarmos as próprias limitações é o que nos leva à busca de direção, de um “para onde” ou um fim para o qual a vida se encaminha, que pode encontrar em Deus o fundamento desse Sentido.
Entretanto, o que se vê é que, ser humano não conhece ou reconhece Deus como fundamento último de sentido de sua existência, então adota outros absolutos. É uma necessidade inerente de se encontrar algo que dê sentido. O contrário disso é estar diante do desespero e do vazio existencial.
É mister a capacidade de responder: Por que estou aqui? Qual o sentido de minha vida? Por que eu existo?
Um pensador de nossos dias nos diz que “a palavra bíblica para a questão do sentido é a mensagem da salvação. Estar perdido significa ter perdido o sentido de sua própria existência”.
Há um mal-estar em relação à ausência de sentido, porque há falta de referenciais que se manifesta negativamente na vida social. O excesso de informação que marca a dinâmica da vida contemporânea remete a uma mudança veloz de valores e uma busca de novos sentidos.
Hoje, passados cinqüenta anos da elaboração de sua “pirâmide”, Abraham Maslow poderia inverter a sua hierarquia de necessidades. Possivelmente, nada pode ser mais importante hoje para um ser humano descentrado e fragmentado na pós-modernidade que a sua centralização. Centralização essa que se resume em sua maior necessidade atual: A Auto-realização; o Sentido de Vida; a Missão pessoal.
Assim, o sentido, que atualmente está relacionado ao bem-estar e ao prazer levados à última conseqüência, faz com que se estabeleça uma sociedade insatisfeita que só se realiza diante do consumo. A questão é que bem-estar e prazer passam, e perdem sentido, mas a Missão pessoal não... Qual é a sua, então?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Líder Autêntico? Tentado, é claro...



             Diz o texto do evangelho de Lucas: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo [...]” (Lucas 4.1-2). O líder quando é tentado, passa pela prova de sua autenticidade. O texto do evangelho de Lucas retrata alguns aspectos da tentação que Jesus passou no deserto. O conceito de líder autêntico ainda tem sido associado ao perfil estabelecido pelo mundo corporativo.  Óbivio que esses têm o Lucro como “pedra de toque”...
            Contudo, a tentação sobre muitos estraga tudo... Muitos líderes ditos autênticos não sabem aprender com suas próprias experiências a partir de uma reflexão realista de sua condição pessoal, e encarar corajosamente suas próprias contradições. Não se dão conta de suas limitações e da necessária busca por superação.
            A tentação de Jesus pode nos ser para nós, um panorama de como atravessar as barreiras que impedem a verdadeira liderança autêntica. Segundo o Pr. Irênio Silveira, “as maiores barreiras estão relacionadas à própria condição do sujeito do desejo, que comporta tanto a inclinação para o erro e o equívoco como a aspiração de realização, e de afirmação de si. Isso tem a ver com o fato de que há obstáculos que todo líder enfrenta: o desejo de Ter; o desejo de Poder e o desejo de Aprovação”. São desejos fidedignos, mas que se inserem na dimensão da ambiguidade, que caracteriza a nossa própria humanização.
            A tentação do líder implica a realização do desejo de autonomia e de autogovernança, e de ser autossuficiente. Isso afeta líderes em todas as esferas da ação humana, inclusive as relacionadas à fé, e revela também a força da tentação: nossos Desejos...
            Jesus, depois de passar pelo deserto durante quarenta dias, teve fome. Não há nada de errado em ser tentado. O problema está na atitude adotada para a construção de um caminho para a solução dos problemas.
            O texto de Lucas nos ensina que em primeiro lugar, precisamos superar o desejo de Ter. É a tentação de Ter o poder que Deus tem. “Se você é o Filho de Deus, mande que essas pedras se transformem em pão.” (Lucas 4.3). o “Ter” comporta a ambição e a ostentação...
            Em segundo lugar, devemos superar o desejo de Poder. Satanás mostrou a Jesus todos os domínios do mundo e disse: “Eu lhe darei toda a autoridade sobre eles e todo o seu esplendor, porque me foram dados e posso dá-los a quem eu quiser. Então, se você me adorar, tudo será seu.” (Lucas 4.6-7). Jesus foi tentado com a crença de que o homem é um sujeito autônomo, a fazer aquilo que Deus faz. Corremos o risco de acreditar na projeção infantil de um Deus paternalista que atende a todos os nossos “mimos”, bastando pedir Poder da maneira certa.
            Por fim, devemos superar o desejo de Reconhecimento. A terceira tentação lembra o engano das aparências, inclusive religiosas, baseadas em critérios de retribuição e merecimento e reconhecimento. Essa é a tentação de ser Deus. O texto bíblico menciona que Satanás levou Jesus até Jerusalém, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, para lhe guardarem’, com as mãos eles os segurarão, para que você não tropece em alguma pedra.” (Lucas 4.9-11). Jesus foi tentado a colocar Deus à prova. Ele foi induzido a crer que a razão humana tem o controle de tudo, enquanto humano. A ideia é de se substituir Deus na vida, através da ilusão de ter o controle de tudo e de se exercer um poder dominador, que ao final revela, de fato, quem é o carente por reconhecimento...
            Assim, Jesus torna-se o paradigma da escolha que precisa ser feita. Ele realiza o seu ministério em meio à fragilidade humana e a na certeza do cuidado divino. A pergunta então, é: Você aceita se superar em seus Desejos? Bom, esse é um bom caminho na construção de um líder autêntico...