segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pelo menos três imagens...



Alguns presépios retratam este cenário conforme a imagem de cada artista, bem como tantas vezes e em tantas outras formas - peças, poesias, livros e filmes. Porém, poderíamos passear mais um pouco sobre o que certamente esteve presente naqueles momentos há 2000 anos, e frequentemente nem lembramos ou não ouvimos nada sobre eles.
O cansaço da jornada. O cansaço que muitas vezes sentimos ao final de uma jornada se fazia presente no físico daquele casal de palestinos, pois mesmo ao chegar na cidade bem antes dessa data do nascimento do bebê, que faria mais sentido, a jornada de Nazaré a Belém normalmente durava três dias de árdua caminhada. A Primeira imagem é o cansaço, que é vencido pelo casal e seu bebê...
A família que não acolhe. O famoso hospedeiro presente em algumas peças teatrais, que provavelmente nunca existiu, deixa-nos esquecer que José era um belemita, e que teria parentes ou familiares na pequena Belém Efratá. Parentes esses que também não os hospedaram em suas casas. Possivelmente, só vieram a encontrar descanso num estábulo de animais, comum na parte inferior nas casas da época. Embora os hoteleiros sejam importantes personagens nas muitas peças teatrais de Natal, é bem possível que Maria e José tenham na verdade se hospedado numa casa com parentes. Não em algum tipo de hotel dos tempos bíblicos, mas num tipo de acolhimento que não é o que esperamos de uma família... A Segunda imagem é o acolhimento distante das pessoas mais próximas...
O medo do extraordinário de Deus que margeia o ordinário do homem. Bíblia não diz especificamente que os anjos cantaram nos altos céus. Ela diz que primeiro um anjo apareceu e falou, "e, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus" (Lucas 2:13). Nas descrições do profeta Ezequiel e do Apocalipse e em outras passagens bíblicas, os anjos são descritos de forma impressionantemente espantosa, diferente daquela imagem angelical barroca com anjos branquinhos e gordinhos. Diz no primeiro Capítulo do livro de Ezequiel: “E do meio dela saía à semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem; cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. E as suas pernas eram retas; e as plantas dos seus pés como a planta do pé dum bezerro; e luziam como o brilho de bronze polido. E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e todos quatro tinham seus rostos e suas asas assim: Uniam-se as suas asas uma à outra; eles não se viravam quando andavam; cada qual andava para adiante de si...” .
Imaginemos então, que o que aqueles pastores viram com medo tornou-se benção... O extraordinário anunciava o ordinário. O nascimento de uma criança que viria dividir a historia em antes e depois de seu Natal. Hoje, parecemos ter mais sede do extraordinário, o inexplicável, o espantoso, o absurdo, o miraculoso, mas não reconhecemos o que Deus está fazendo todos os dias no ordinário de nossas vidas. Talvez seja por isso que Ele ainda apela para as extraordinárias imagens das coisas mais simples, que ficam à margem de nossos orgulhosos olhos... A terceira imagem é o grande valor do ordinário em meio ao extraordinário.
Diante da riqueza do momento bíblico natalino, podemos apontar, pelo menos, essas três imagens, as quais podem fazer uma grande e sensível diferença em nossas relações humanas. Pense nisso! Meus sinceros desejos a todos é que possamos vencer o cansaço da jornada, saber acolher de uma forma preciosa quem por vezes está ao nosso lado, e reconhecer que na ação ordinária da vida estão os maiores milagres que Deus faz e fará em nós e através de nós...
Feliz Natal!