sábado, 31 de dezembro de 2011

Nossa alma como um “maracujá de gaveta”


        
        Fogos de artifícios, girândolas coloridas e muito barulho são as mais comuns testemunhas do que chamamos de “a Virada do Ano”. Sempre me perguntei porque tanto barulho se faz presente, num momento somos convidados ao silêncio e oportuna reflexão...
            Bem, o filósofo e educador Rubem Alves diz que as pessoas fazem isso para não ouvir o barulho que se encontra dentro delas... O barulho de fora tem que ser maior do que o barulho de dentro... Inquieto e desconfortante, o barulho de dentro nos lembra que mais um ano passou e temos que encarar pela natureza da vida, um balanço nem sempre positivo...
            Muitos vêem no barulho dos fogos uma oportunidade de esquecer da falta... De tudo que ainda falta em nós e fora de nós; do barulho da ausência. Ausência que é tão importante para nossa esperança.
            É... Os anos passam, são virados, são marcados nas nossas vidas. E passam para todos... Passam para mim e para você. Assim, ficamos com o passar dos anos: Enrrugados... E essas rugas podem ser “de expressão”, da falta de colágeno no corpo, ou da alma.
            Lembro-me que recentemente, em uma reunião com o Prefeito Cezar Schirmer sobre soluções urbanas para nossa Santa Maria, uma citação dita por um empreendedor do ramo de mobilidade urbana chamou a atenção de todos. Disse ele: “Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma...”. Logo o prefeito voltou-se para mim e disse: Olha aí, meu amigo! Mais uma, para você que gosta de reflexões!
            Fiquei então ruminando aquela frase como quem já havia ouvido aquele pensamento antes. Sim, teria lido em um livro chamado: “A Arte de Lidar com Pessoas”, de Jamil Albuquerque. Jamil parafraseia Albert Schweitzer, o teólogo, músico, filósofo alemão, citando esse aforismo assim: “A idade enruga a pele, mas a ranzinzice enruga a alma!”.
            Depois de mais um Revellion uma pessoa de 20 anos pode parecer ter 80 anos; outras com 80 podem parecer ter 20. Umas envelhecem, outras crescem, evoluem e amadurecem.
            Por que isso acontece?
            O segredo, possivelmente, está nisso: Bom-humor; Entusiasmo... E tudo aquilo que propicia bons relacionamentos, amizades verdadeiras, facilidade em fazer amigos e gerar esperança em todos! Isso faz renovo em todas as almas.
            Já a ranzinzice gera queixume, intolerância, e crítica a tudo e a todos... Com ela os anos são envelhecedores e desgastantes. A pessoa mal humorada torna-se cruel e intolerante com aqueles que ama e por quem ela é amada; tambem leva a ranzinzice para sua atividade profissional. Assim, sua linguagem gera postura e sua postura gera resultados. Essa atitude, queima a saúde e a empatia, dificulta a sintonia, a afinidade, e o plugar-se... Enfim, enruga a alma.
            Espero que minhas rugas continuem aparecendo em minha face e desaparecendo em minha alma a cada ano virado. Espero que no momento do barulho dos fogos de artífios você possa lembrar de tudo que pode melhorar dentro de você, e o que ainda está precisando de renovação. Deus, em Cristo, pode ajudar diretamente nisso. Pode acreditar!
            Na minha terra se chama, em tom de brincadeira, uma pessoa com muitas rugas na face de “maracujá de gaveta”, por essa estar bem engelhada. Fica então a pergunta diante desse final de ano: Estamos envelhecendo nossa alma como um “maracujá de gaveta”, ou renovando nosso interior?
            Minha dica é que fiquemos amigos do Bom Humor e do Entusiasmo! Tenho a certeza que isso vai tornar o nosso Novo Ano menos enrugado...