terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Mistério dos LOGOS



No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ela estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dela, e sem ela nada do que foi feito se fez. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. (Evangelho de João 1:1-5).
Diante do prólogo desse evangelho, destaca-se o “mistério do Logos”. O Logos é aquele que está presente desde o início de todas as coisas e estava com o Criador de todas as coisas; o Logos era o próprio Criador e estava no Criador. Esse Logos citado por João está presente na mediação de todas as coisas criadas, e iluminando a humanidade desde o princípio. Porém o significado do Logos é mais profundo e é resultado de um conjunto de conceitos que revelam a sua importância na vida de um aprendiz maçom. São esses conceitos que podemos de uma forma breve abordar a seguir.
O Logos (λόγος - no grego pode várias traduções), o Verbo, uma palavra, uma narração ou pronunciamento, prática, conceito ou idéia. Não é a palavra como é falada ou escrita, mas o significado, ou seja, seu conceito. Reforçando ainda o conceito mais profundo do Logos, sabe-se que o termo "palavra", puro e simples, no grego é: Lexi.
Antes do surgimento da filosofia, o Logos significava apenas Palavra. Porém, filósofos como Heráclito de Éfeso, apontaram esse conceito como: Razão universal.
Foi a partir dos filósofos gregos o termo Logos passou a ter um significado mais amplo. Tanto como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da manutenção da Ordem e da Beleza.
Para o Estoicismo todo o universo é corpóreo e governado por um LOGOS divino (noção que os estóicos tomam de Heráclito e desenvolvem). Para esta escola de pensamento a alma humana está identificada com este princípio divino, como parte de um todo ao qual ela mesma pertence. Assim, este Logos (ou razão universal) ordena todas as coisas; tudo surge a partir dele mesmo, e de acordo com ele, graças a ele o mundo é um KOSMOS (termo que em grego significa "harmonia").
            Para Fílon de Alexandria (filósofo judeo-helenista 25 a.C. – 50 d.C), o Deus absoluto é cercado por seus poderes (δυναμεις - dunameis) como um rei por seus servos. Esses poderes são, em linguagem platônica, idéias, e para os judeus, os anjos, mas todos são essencialmente Um, e sua unidade, tal como existem em Deus, eles emanam Dele.
Diante da influência do pensamento grego de Heráclito de Éfeso, do Estoicismo e de Fílon de Alexandria, o Evangelista João (que a tradição da Igreja defende ser “João de Éfeso”) elabora seu evangelho pedagogicamente para um público de cultura greco - judaica. O evangelista tinha como alvo de sua mensagem a comunidade dos “gentios cristãos” de sua época, ou seja, a comunidade de não judeus convertidos ao cristianismo.
Para o Evangelista o Verbo é pessoal, relacional e é o próprio Deus. Só através dele existe uma mediação entre o Finito (homem) e o Infinito (Deus). Ele está na mediação na criação do mundo, e que entra na vida humana tornando-se carne, para que, como Jesus Cristo homem (o Messias histórico), possa viver e morrer como homem e revelar a todos o coração do absoluto; o Criador de todas as coisas.
Você conhece o Logos?