sábado, 31 de dezembro de 2011

Mensagem de início de 2012! Sucesso e Bençãos!


Nossa alma como um “maracujá de gaveta”


        
        Fogos de artifícios, girândolas coloridas e muito barulho são as mais comuns testemunhas do que chamamos de “a Virada do Ano”. Sempre me perguntei porque tanto barulho se faz presente, num momento somos convidados ao silêncio e oportuna reflexão...
            Bem, o filósofo e educador Rubem Alves diz que as pessoas fazem isso para não ouvir o barulho que se encontra dentro delas... O barulho de fora tem que ser maior do que o barulho de dentro... Inquieto e desconfortante, o barulho de dentro nos lembra que mais um ano passou e temos que encarar pela natureza da vida, um balanço nem sempre positivo...
            Muitos vêem no barulho dos fogos uma oportunidade de esquecer da falta... De tudo que ainda falta em nós e fora de nós; do barulho da ausência. Ausência que é tão importante para nossa esperança.
            É... Os anos passam, são virados, são marcados nas nossas vidas. E passam para todos... Passam para mim e para você. Assim, ficamos com o passar dos anos: Enrrugados... E essas rugas podem ser “de expressão”, da falta de colágeno no corpo, ou da alma.
            Lembro-me que recentemente, em uma reunião com o Prefeito Cezar Schirmer sobre soluções urbanas para nossa Santa Maria, uma citação dita por um empreendedor do ramo de mobilidade urbana chamou a atenção de todos. Disse ele: “Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma...”. Logo o prefeito voltou-se para mim e disse: Olha aí, meu amigo! Mais uma, para você que gosta de reflexões!
            Fiquei então ruminando aquela frase como quem já havia ouvido aquele pensamento antes. Sim, teria lido em um livro chamado: “A Arte de Lidar com Pessoas”, de Jamil Albuquerque. Jamil parafraseia Albert Schweitzer, o teólogo, músico, filósofo alemão, citando esse aforismo assim: “A idade enruga a pele, mas a ranzinzice enruga a alma!”.
            Depois de mais um Revellion uma pessoa de 20 anos pode parecer ter 80 anos; outras com 80 podem parecer ter 20. Umas envelhecem, outras crescem, evoluem e amadurecem.
            Por que isso acontece?
            O segredo, possivelmente, está nisso: Bom-humor; Entusiasmo... E tudo aquilo que propicia bons relacionamentos, amizades verdadeiras, facilidade em fazer amigos e gerar esperança em todos! Isso faz renovo em todas as almas.
            Já a ranzinzice gera queixume, intolerância, e crítica a tudo e a todos... Com ela os anos são envelhecedores e desgastantes. A pessoa mal humorada torna-se cruel e intolerante com aqueles que ama e por quem ela é amada; tambem leva a ranzinzice para sua atividade profissional. Assim, sua linguagem gera postura e sua postura gera resultados. Essa atitude, queima a saúde e a empatia, dificulta a sintonia, a afinidade, e o plugar-se... Enfim, enruga a alma.
            Espero que minhas rugas continuem aparecendo em minha face e desaparecendo em minha alma a cada ano virado. Espero que no momento do barulho dos fogos de artífios você possa lembrar de tudo que pode melhorar dentro de você, e o que ainda está precisando de renovação. Deus, em Cristo, pode ajudar diretamente nisso. Pode acreditar!
            Na minha terra se chama, em tom de brincadeira, uma pessoa com muitas rugas na face de “maracujá de gaveta”, por essa estar bem engelhada. Fica então a pergunta diante desse final de ano: Estamos envelhecendo nossa alma como um “maracujá de gaveta”, ou renovando nosso interior?
            Minha dica é que fiquemos amigos do Bom Humor e do Entusiasmo! Tenho a certeza que isso vai tornar o nosso Novo Ano menos enrugado...


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pelo menos três imagens...



Alguns presépios retratam este cenário conforme a imagem de cada artista, bem como tantas vezes e em tantas outras formas - peças, poesias, livros e filmes. Porém, poderíamos passear mais um pouco sobre o que certamente esteve presente naqueles momentos há 2000 anos, e frequentemente nem lembramos ou não ouvimos nada sobre eles.
O cansaço da jornada. O cansaço que muitas vezes sentimos ao final de uma jornada se fazia presente no físico daquele casal de palestinos, pois mesmo ao chegar na cidade bem antes dessa data do nascimento do bebê, que faria mais sentido, a jornada de Nazaré a Belém normalmente durava três dias de árdua caminhada. A Primeira imagem é o cansaço, que é vencido pelo casal e seu bebê...
A família que não acolhe. O famoso hospedeiro presente em algumas peças teatrais, que provavelmente nunca existiu, deixa-nos esquecer que José era um belemita, e que teria parentes ou familiares na pequena Belém Efratá. Parentes esses que também não os hospedaram em suas casas. Possivelmente, só vieram a encontrar descanso num estábulo de animais, comum na parte inferior nas casas da época. Embora os hoteleiros sejam importantes personagens nas muitas peças teatrais de Natal, é bem possível que Maria e José tenham na verdade se hospedado numa casa com parentes. Não em algum tipo de hotel dos tempos bíblicos, mas num tipo de acolhimento que não é o que esperamos de uma família... A Segunda imagem é o acolhimento distante das pessoas mais próximas...
O medo do extraordinário de Deus que margeia o ordinário do homem. Bíblia não diz especificamente que os anjos cantaram nos altos céus. Ela diz que primeiro um anjo apareceu e falou, "e, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus" (Lucas 2:13). Nas descrições do profeta Ezequiel e do Apocalipse e em outras passagens bíblicas, os anjos são descritos de forma impressionantemente espantosa, diferente daquela imagem angelical barroca com anjos branquinhos e gordinhos. Diz no primeiro Capítulo do livro de Ezequiel: “E do meio dela saía à semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem; cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. E as suas pernas eram retas; e as plantas dos seus pés como a planta do pé dum bezerro; e luziam como o brilho de bronze polido. E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e todos quatro tinham seus rostos e suas asas assim: Uniam-se as suas asas uma à outra; eles não se viravam quando andavam; cada qual andava para adiante de si...” .
Imaginemos então, que o que aqueles pastores viram com medo tornou-se benção... O extraordinário anunciava o ordinário. O nascimento de uma criança que viria dividir a historia em antes e depois de seu Natal. Hoje, parecemos ter mais sede do extraordinário, o inexplicável, o espantoso, o absurdo, o miraculoso, mas não reconhecemos o que Deus está fazendo todos os dias no ordinário de nossas vidas. Talvez seja por isso que Ele ainda apela para as extraordinárias imagens das coisas mais simples, que ficam à margem de nossos orgulhosos olhos... A terceira imagem é o grande valor do ordinário em meio ao extraordinário.
Diante da riqueza do momento bíblico natalino, podemos apontar, pelo menos, essas três imagens, as quais podem fazer uma grande e sensível diferença em nossas relações humanas. Pense nisso! Meus sinceros desejos a todos é que possamos vencer o cansaço da jornada, saber acolher de uma forma preciosa quem por vezes está ao nosso lado, e reconhecer que na ação ordinária da vida estão os maiores milagres que Deus faz e fará em nós e através de nós...
Feliz Natal!   

sábado, 17 de dezembro de 2011

Necessária Escolha...




A diferença entre visitar a igreja e ser membro da igreja está no comprometimento. Visitantes são espectadores que ficam à parte; membros são os que se envolvem com o ministério da igreja. Visitantes “absorvem”; membros contribuem. Visitantes se beneficiam do que a igreja traz, sem participar da responsabilidade da missão.


Infelizmente, muitos de nós crescemos em famílias com relacionamentos rompidos ou difíceis. Então, carecemos das habilidades relacionais necessárias para nutrir uma verdadeira comunhão. Devemos ensinar e ser ensinados a lidar e se relacionar com as outras pessoas.

Entretanto, se estamos cansados de uma comunhão fajuta, o nosso desejo é de viver verdadeiramente o cultivo de uma relação amorosa e sadia, teremos sempre que assumir riscos e fazer algumas escolhas difíceis.

Reconhecemos que algumas características de cultivo sempre serão necessárias para um crescimento saudável e o fortalecimento de qualquer comunidade ou grupo; Igreja ou não.

Não temos por vezes a coragem de falar em meio ao grupo com a franqueza amorosa necessária, enquanto a vida de um irmão ou amigo desmorona ao nosso lado… Muitas comunidades e pequenos grupos permanecem superficiais por terem receio de conflitos. Isso pode trazer uma falsa sensação de paz entre nós. Que engano bobo...

Já a verdadeira comunhão, seja no casal, seja na amizade, seja na igreja, no grupo, depende de franqueza. A franqueza nos ajuda a crescermos em intimidade uns para com os outros, ao enfrentar e resolver nossas diferenças.

As relações exigem franqueza e amor. A franqueza não é uma licença para dizer o que queremos, onde queremos e sempre que queremos. Não é grosseria. Palavras impensadas deixam feridas permanentes. Somos convidados pelo Apóstolo Paulo a tratarmos uns aos outros com o carinho e a sinceridade que merecem os que se relacionam verdadeiramente. (Gl 6:9-10).

Contudo, o orgulho obstrui a Graça de Deus em nossa vida, nos impede de crescer, de nos transformar, de nos sarar e ajudar os outros. Devemos desenvolver a humildade de algumas maneiras práticas entre nós: admitindo nossas fraquezas, sendo paciente com a fraqueza dos outros, estando abertos para a admoestação e pondo os outros em nossa atenção pessoal. As pessoas podem ter carências emocionais, inseguranças profundas, e inabilidades sociais. Mas a nossa tolerância deve ser exercitada para com elas sempre de forma generosa.

Relacionamentos também exigem tempo. Devemos desenvolver o hábito de estarmos juntos. Se nós quisermos cultivar uma comunhão autêntica, isso implicará em estarmos juntos mesmo quando não tenhamos vontade, porque acreditamos que é sumariamente importante para nós. Viver em comunidade requer investimento de tempo; pois isso nos trará o hábito de estarmos juntos.

Se com franqueza, se com amor, se com humildade, se com tempo, fique certo de que tudo não passa de uma Necessária Escolha...









terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Recado para os olhos


É ensinado nas bancas dos seminários teológicos que sacramento é “um sinal visível de uma graça invisível”. Palavras sábias de Agostinho de Hipona no século IV, um dos grandes do período chamado de patrística. Contudo, o sacramento é uma imagem carregada de emoções. Como diria Rubem Alves: “Os sacramentos são símbolos que têm o poder de invocar ausências”.


Bem da verdade todo símbolo é forjado a partir da ausência. Presente a ausência o ser humano logo eleva um símbolo que traduz aquela ausência em presença desejosa... Lembre-se de um símbolo e perceba que por trás dele há algo que estava ausente ou está, para determinado indivíduo ou grupo. Mas todo símbolo tem que ser bem degustado, senão se torna sem “graça”...

Poderíamos dizer de uma maneira simples que sem a poesia o gosto do sacramento é insosso. As poesias são imagens carregadas de emoções...

É possível defender a idéia de que, quem não tem poesia é “pobre”. Pobre nas emoções, possivelmente pobre no amor. Na liturgia, por exemplo, se uma cerimônia não for celebrada com poesia e arte, essa corre um sério risco de se tornar “o rito pelo rito”. As orações também muitas vezes se tornam imagens ocas, porque são resultados de vãs repetições. (Mt 6:7-8). Pois, é no calor do coração que as orações se tornam poesias declamadas a Deus...

A pobreza das emoções torna o ser humano cego na alma. A cegueira espiritual pode ser resultado de uma vida pobre de emoções. Tenhamos a certeza de que existem coisas que só são vistas com os olhos da alma, com os olhos da Fé... Blake disse certa vez: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Por isso as crianças são sábias, elas vêem com a alma e se divertem com isso...

Mas como ver então?

A poesia é um caminho. Devemos educar nossos olhos para que vejam com olhos poéticos. Devemos educar de forma que as pessoas vejam com olhos de poeta... Os poetas vêem e ensinam a ver. A poeta Adélia Prado disse certa vez: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra...”.

Pouco tempo depois da morte de Jesus, os discípulos no caminho de Emaús caminharam com o ressuscitado durante horas, mas só o reconheceram quando seus olhos viram com o coração. (Lc 24:13-35).

Às vezes nosso encontro com o Cristo ressuscitado só depende de nosso olhar. Por vezes o nosso encontro com a vida, com as pessoas amadas, com a esperança, com a vitória, com a Paz só depende de nossos olhos.

Como diz Adélia, sem olhos poéticos uma pedra continua pedra, uma cadeira continua uma cadeira, um céu estrelado permanece escuro, um rito permanece rito, um amor continua mal amado, uma vida continua fria, uma árvore continua seca, um sacramento continua sem gosto, uma cidade continua uma simples cidade.

Fica aqui o meu recado para vossos olhos...



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Mistério dos LOGOS



No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ela estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dela, e sem ela nada do que foi feito se fez. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. (Evangelho de João 1:1-5).
Diante do prólogo desse evangelho, destaca-se o “mistério do Logos”. O Logos é aquele que está presente desde o início de todas as coisas e estava com o Criador de todas as coisas; o Logos era o próprio Criador e estava no Criador. Esse Logos citado por João está presente na mediação de todas as coisas criadas, e iluminando a humanidade desde o princípio. Porém o significado do Logos é mais profundo e é resultado de um conjunto de conceitos que revelam a sua importância na vida de um aprendiz maçom. São esses conceitos que podemos de uma forma breve abordar a seguir.
O Logos (λόγος - no grego pode várias traduções), o Verbo, uma palavra, uma narração ou pronunciamento, prática, conceito ou idéia. Não é a palavra como é falada ou escrita, mas o significado, ou seja, seu conceito. Reforçando ainda o conceito mais profundo do Logos, sabe-se que o termo "palavra", puro e simples, no grego é: Lexi.
Antes do surgimento da filosofia, o Logos significava apenas Palavra. Porém, filósofos como Heráclito de Éfeso, apontaram esse conceito como: Razão universal.
Foi a partir dos filósofos gregos o termo Logos passou a ter um significado mais amplo. Tanto como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da manutenção da Ordem e da Beleza.
Para o Estoicismo todo o universo é corpóreo e governado por um LOGOS divino (noção que os estóicos tomam de Heráclito e desenvolvem). Para esta escola de pensamento a alma humana está identificada com este princípio divino, como parte de um todo ao qual ela mesma pertence. Assim, este Logos (ou razão universal) ordena todas as coisas; tudo surge a partir dele mesmo, e de acordo com ele, graças a ele o mundo é um KOSMOS (termo que em grego significa "harmonia").
            Para Fílon de Alexandria (filósofo judeo-helenista 25 a.C. – 50 d.C), o Deus absoluto é cercado por seus poderes (δυναμεις - dunameis) como um rei por seus servos. Esses poderes são, em linguagem platônica, idéias, e para os judeus, os anjos, mas todos são essencialmente Um, e sua unidade, tal como existem em Deus, eles emanam Dele.
Diante da influência do pensamento grego de Heráclito de Éfeso, do Estoicismo e de Fílon de Alexandria, o Evangelista João (que a tradição da Igreja defende ser “João de Éfeso”) elabora seu evangelho pedagogicamente para um público de cultura greco - judaica. O evangelista tinha como alvo de sua mensagem a comunidade dos “gentios cristãos” de sua época, ou seja, a comunidade de não judeus convertidos ao cristianismo.
Para o Evangelista o Verbo é pessoal, relacional e é o próprio Deus. Só através dele existe uma mediação entre o Finito (homem) e o Infinito (Deus). Ele está na mediação na criação do mundo, e que entra na vida humana tornando-se carne, para que, como Jesus Cristo homem (o Messias histórico), possa viver e morrer como homem e revelar a todos o coração do absoluto; o Criador de todas as coisas.
Você conhece o Logos?