sábado, 19 de novembro de 2011

“Quem tu é...?”


“Quem tu é? Quem tu é...?”. Com essas simples palavras e com um português embrutecido, um amigo de currutela sempre me aborda todas as vezes que nos encontramos. Sua pergunta é mais que um questionamento... É um convite a maior reflexão que devemos nos aventurar a fazer: a busca do auto-conhecimento.

Socrates já imortalizou essa questão pelo seu aforismo grego: “Conhece-te a ti mesmo”. Essa afirmação foi a pedra angular da filosofia socrática e do seu método, a maiêutica.

O conhecimento sobre nós mesmos é fator importante para nosso crescimento interior. É indispensável nos conhecermos e sabemos que esta é uma tarefa difícil que requer sabedoria e esforço. Precisamos firmemente nos analisar melhor, procurando saber quais são nossas virtudes e quais são nossas dificuldades, quais são nossas possibilidades e limitações e o que deve e o que não deve ser mudado; melhorado.

A maior dificuldade que temos em nos conhecer, advém do nosso egoísmo, pois normalmente preferimos um elogio falso a uma sujestão construtiva. Nossa tendência é de assumirmos o que é bom e atribuirmos aos outros o que é ruim...

Assim, de maneira popular o meu amigo filosofa sempre quando nos pergunta: “Quem tu é? Quem tu é...?”

Recentemente tive o prazer de assistir ao filme “O Palhaço”, dirigido e protagonizado pelo ator Selton Mello. Na ocasião, uma cena chama o público a uma reflexão importante. O palhaço mais velho da dupla do riso ao encontrar com o palhaço mais novo, percebe que esse estava passando por uma crise pessoal, acreditando não ser mais engraçado... Não ser feliz. Então, o velho palhaço diz para seu companheiro de picadeiro: “O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço...”. Daí inicia-se uma busca do palhaço por descobrir o que ele era...

Essa busca deve servir ao menos para desvendar algo que, de fato, jamais nos foi tirado: nossa capacidade de recomeçar. De renascer a cada crise. Quando desejamos responder essa pergunta e abraçamos o desafio de nos conhecermos, somos todos renascimento, somos um recomeço possível.

O problema é que não vamos saber quem somos se não descobrirmos qual é a nossa vocação. Qual propósito de nossa existência? Para que somos vocacionados? Quando descobrirmos a nossa vocação, descobriremos que o prazer está presente no que fazemos e como fazemos. É quando beijamos a auto-realização.

Descobrir quem somos é na verdade descobrir que nossa existência tem um propósito, e que esse transforma nossa vida em Missão. Quando encontramos nossa vocação, ou vocações, encontramos o que nos faz responder quem somos. Competirá a nós, nessa caminhada, reconhecer, aceitar, acolher e integrar o colorido de nós mesmos, que nos faz únicos.

O palhaço do filme de Selton Mello descobriu uma coisa muito importante e voltou a sorrir... Se ao final do filme meu amigo cruzasse com esse palhaço e perguntasse: “Quem tu é? Quem tu é...?” O palhaço lhe diria: “O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço...”.

E você? “Quem tu é...?”