quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Burnout e o melhor azeite...




           Já não é de hoje que observamos que toda liderança tem seu alto preço. Temos percebido os holofotes em direção ao que se convencionou de “excelência” na arte de liderar, entretanto, todo e qualquer líder está à mercê de uma realidade a sua volta, de condições e contingências de um trabalho que pode, em algum momento, não trazer o sucesso desejado, e assim por “em check” sua capacidade de cumprir a missão; a meta. Aí vem o possível stress, a exaustão, a frustração, o abatimento, o esgotamento e a angústia do próprio líder.
            Lembro das palavras de Cristo no Jardim do Getsêmani momentos antes de ser levado preso, quando diante do sono de seus liderados, bradou: “Então nem uma hora pudeste velar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26:40-41). Depois de três anos de formação, os discípulos ainda dormiam...
            Uma das condições comuns em alguns líderes é o esgotamento emocional, chamado, em inglês, de Burnout (literalmente, “queimado, tostado”). Definido pelos americanos como Síndrome de Burnout, esse estado leva o ser humano a um esgotamento físico, mental e emocional, que se caracteriza por um cansaço constante e crônico, sentimentos de abandono e falta de esperança, desenvolvimento de uma auto-estima negativa e uma atitude também negativa em relação ao seu trabalho, a sua vida e as outras pessoas.
            Percebe-se assim, porque um “Bernardinho” também chora pela frustração de “transformar seu suor em prata”, e não “ouro”... Não há ouro para todos, toda hora...
            Existem distâncias entre as expectativas idealistas e a dura realidade que às vezes tem de se enfrentar. Muitos com lindos sonhos, mas circunstancialmente a realidade do seu trabalho torna-se dura, por demais esgotante, muito para uma pessoa só, e, às vezes, acompanhada de uma persistente sensação de solidão. É o “Getsêmani” de cada um... Não é por coincidência que no hebraico “Getsêmani” quer dizer “prensa de azeitona”.
            Muitos sentem uma falta de preparo para tarefas esmagadoras que desafiam as azeitonas. Há também os que ficam desanimados por terem de lidar constantemente com problemas e conflitos. Há aqueles, cuja auto-estima depende diretamente do resultado do seu trabalho, acabam tendo de lidar com uma auto-imagem prejudicada pelas dificuldades que enfrentam. Sem a leveza, o humor, e o lazer, e fé algumas pessoas levam tudo tão a sério que se esquecem de rir, divertir- se e desfrutar do que Deus tem dado agora a todos.
            A “Burnout” é autodestrutiva, e pior, destrói quem está por perto ou liderado por um portador desta síndrome que parece “queimar” junto também... Para tanto, não se faz azeite sem pressão nas azeitonas.
            Diante dos sentimentos de fracasso quanto à sua vocação e questionamento em relação a seu carisma, o que fazer? Diante do sentimento de desesperança e incapacidade de enxergar solução para os problemas, o que fazer?
            Para evitar o esgotamento é importante que encontremos na espiritualidade novas formas de seguir as antigas. Podemos inovar na nossa vida devocional! Temos que reservar tempo para ficar a sós e “recarregar as baterias”. É parar para afiar o machado! Até Jesus se retirava das multidões para estar a sós, e saborear o Pai Celeste. Com a ajuda de Deus, todas essas medidas nos ajudarão a prevenir o esgotamento emocional e físico.
            Talvez a pior conseqüência da “Síndrome de Burnout” seja a possibilidade desta nos levar a perder a capacidade de descansar em Deus, pois é ai que reside a base para a prevenção e a cura desse mal. Diante do “Getsemani” de cada um de nós podemos ter Paz, pois a Fé nos dá a certeza de que o melhor e mais nobre azeite vem de uma forte pressão nas azeitonas.
            O melhor é que o azeite alimenta a todos...  O Burnout...? Espera no Senhor nosso Deus e renova o teu azeite!