domingo, 23 de outubro de 2011

Qual o rótulo da sua garrafa?



O que é a religião? A religião é fundadora da noção de ambiente, de tempo e de valores sagrados, a partir dos quais se dá a experiência de encontro, de junção e de releitura da realidade que nos circula através dos séculos, marcando a história da humanidade desde seus primórdios. É uma experiência humana que se manifesta culturalmente e se moderniza, ou regride, à medida da própria experiência humana.


Quando falo de religião, não penso inteiramente na religiosidade... Quero refletir sobre a espiritualidade humana. Um pensador de nossos dias diz que “a religião é muito mais do que uma questão de escolha pessoal. É assim porque sempre temos diante de nós a pergunta pelo sentido da vida, pelo fim último de nossa existência. Se o homem não encontra em Deus o fundamento último de sua existência, tende a adotar outros absolutos e a fazê-lo conforme a sua imagem e semelhança. Do contrário, mergulha no desespero e no vazio existencial”.

Você já se perguntou quem é o absoluto na sua vida?

Bem, é nas relações da experiência humana que se verifica que a liberdade e transcendência são relativas, limitadas e condicionadas... De fato, é quando nos damos conta que somos marcados pela liberdade, mas também pelo determinismo; pela transcendência, mas também pela contingência; pela eternidade, mas também pela finitude, é que construímos nossas relações. É na ambiguidade que surgem os necessários relacionamentos.

Diante da força da indústria cultural, a religião insurge hoje como um negócio e como uma mercadoria, destinada a legitimar uma ideologia que orienta a relação simbólica com o sagrado e a busca de soluções imediatas para o sofrimento humano. O problema é o imediatismo da época em que vivemos. Época em que se rejeita a idéia da tradição religiosa que enfatizava a limitação humana, para dar lugar à possibilidade de uma vida de sucesso e de prosperidade... Uma nova religiosidade. A religião da pós-modernidade “resolve” o problema com receitas simples e proclama que é possível conquistar uma vida de sucesso e prosperidade.

O psicólogo americano A. Maslow quando elaborou sua “pirâmide de hierarquia das necessidades” apontou que depois de subjugarmos a necessidade de “Sobrevivência”, buscamos conquistar a “Segurança”. Assim, os homens e mulheres pós-modernos precisam de algo que os ajude a superar o sentimento de incerteza diante de um mundo fragmentado, que lhes rouba a segurança e põe em risco a sua identidade. Surge então o elemento religioso... O que alimenta o encantamento humano.

Vivos, precisamos transformar a incerteza em auto segurança, reelaborar o que nos encante, o que nos seduza, e que nos convença de que se está diante da experiência do sagrado. O problema é quando tudo isso é posto numa garrafa que tem como rótulo: Instituição!