sexta-feira, 14 de outubro de 2011

É claro que Igrejas morrem...





Lembrei de um artigo do pastor Ricardo Gondin o qual relata seu testemunho sobre uma visita feita a algumas igrejas na Inglaterra que morreram lentamente. Gondin descreve sua perplexidade neste artigo quando cita que ao visitar um antigo templo fundado durante o avivamento wesleyano – o qual fora um espaço de muita vitalidade espiritual - percebe que as placas de granito e mármore, ainda fixadas nas paredes, mostravam que naquele altar (que agora era o balcão de um bar) haviam pregado pastores e missionários ilustres...
Menciona Gondin em seu texto: “Devido aos altos custos de manutenção, só restava ao remanescente negociar o imóvel. Atualmente, os maiores compradores são os muçulmanos, donos de lojas de antigüidades e, infelizmente, de bares e boates”. Em sua imaginação ao visitar aquele templo, recorda que um dia fora um lugar cheio de pessoas comuns, porém lotado de pessoas ansiosas por participarem do mover de Deus que varria toda a Inglaterra...
Bem, se na Inglaterra de outrora, com toda a firmeza doutrinária, ética e disciplina anglo-saxônica aquelas igrejas morreram, o mesmo pode acontecer no Brasil? A resposta é Sim. Se por um lado as históricas envelhecem sem renovação, as mais “modernas” são carentes de identidade e fartas de rotatividade de seus membros, os quais chamo de pan-denominacionais... As razões que implodiram inúmeras congregações européias, obviamente são diferentes, porém Gondin aponta para pelo menos três perigos em nossa realidade brasileira:
A trivialização do sagrado - Faltam “temor e espanto” diante de Deus. O único temor é o do pastor ou ministro: de que a oferta não cubra as despesas e os seus planos de expansão. A cultura religiosa, em especial, está fomentando uma atitude muito displicente quanto ao sagrado. O deus que está a serviço de seu povo para lhes cumprir todos os desejos certamente não é o Deus da exortação do livro de Hebreus 12.28-29.
O esvaziamento dos conteúdos - Uma das marcas mais patéticas do tempo em que vivemos é a repetição maçante de jargões nos púlpitos. Frases de efeito são copiadas e multiplicadas nos sermões. Algumas, vazias de conteúdo, criam êxtases sem nenhum desdobramento. Surge um enraizamento de princípios, valores e ética que na verdade ficam a desejar em seus membros e envergonham a mensagem do Evengelho.
A mistura de meios e fins - Não se sabe mais o que é meio e o que é fim. Não se sabe mais se a igreja existe para levantar dinheiro ou se o dinheiro existe para dar continuidade à igreja. Canta-se para louvar a Deus ou para entretenimento do povo? Publicam-se livros como negócio ou para divulgar uma idéia? Os programas de televisão visam popularizar determinado ministério ou a proclamação da mensagem? As respostas a essas perguntas não são facilmente encontradas.
Reconheço que igrejas morrem e outras vão morrer... Seria bom que todos reconhececem isso... Já seria o início da ressurreição de muitas. Porém, se nada for feito por quem planeja estrategicamente os caminhos e valores de suas igrejas, esse estará condenando as mesmas a se tornarem bares, pubs, bibliotecas, estúdios de gravação, como já acontece na Europa... Melancólico sonho. Porém, esse pesadelo pode se tornar realidade...
Acorda para Jesus!