sexta-feira, 4 de março de 2011

O som do Trombone de Prata...



“Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Faze-te duas trombetas de prata; de obra batida as farás, e elas te serviräo para a convocaçäo da congregaçäo, e para a partida dos arraiais. Porém, ajuntando a congregaçäo, as tocareis; mas sem retinir. E os filhos de Aräo, sacerdotes, tocaräo as trombetas; e a vós seräo por estatuto perpétuo nas vossas gerações”. (Nu 10:1-2,7-8).
Como constituir uma caminhada para um amanhã mais sadio e humano se muitos constroem seus discursos balizados em conveniências, egoísmos, arrogâncias, apelando para tudo? Uma frase comum para esse dito “fim dos tempos” é: “Se o meu está bom, que se exploda o resto...”.
A imagem que o ocidente aponta para o futuro é de uma humanidade cada vez menos humana. Entendida também pelo perverso testemunho de alguns ainda mais individualistas que em épocas de outrora. Muitos conseguem tornar efetiva essa identidade como “casualista” ante a “causalista”.
Deixamos de ouvir em nosso “arraial” o som das trombetas anunciando a chegada alegre da comunhão madura, do bem comum, para, por vezes, ouvirmos canções que nos trazem incertezas... Um amigo de infância, Zé-du-Peixe, por vezes perguntava: “Onde está o seu trombone de prata? Olha! O mundo vai se acabar!”.
Bem, diante de mais um cenário lírico do carnaval, e na certeza de que sem o Bombo da marcação, ninguém marcha... Tenho a convicção de que, sem o som de uma “trombeta de prata” ninguém contempla a chegada aos lugares que emanam frutos maduros, em tempos difíceis.
Lembrei dos Frevos do saudoso compositor Capiba que ouço desde criança, e como bem dizia um deles: “Ouvi dizer que o mundo vai se acabar / Que tudo vai pra cucuia / Que o sol não mais brilhará. / Mas se deixarem um bombo e uma mulata / E um trombone de prata / o frevo bom viverá... Pode acabar o petróleo / Pode acabar a vergonha / Pode acabar tudo enfim / Mas deixem o frevo pra mim...”.
Nessa “momesca” época recordo sempre do meu Recife maravilhoso, das delícias e do orgulho de ser pernambucano, do privilégio que Deus me deu em beber daquela multiculturalidade caledoscópica do Estado, e amá-lo incondicionalmente. Mas, acima de tudo, de conhecer de útero o som que é necessário para se forjar o grande e bom CARÁTER. Esse sim, é um belo som para se seguir...
Só pediria, neste momento oportuno, a todos os passistas três virtudes: O sempre “acerto do passo” na hora do cansaço; a voz entoada do “cântico novo”; e a “visão de passista” sempre criativa.
Poderemos aprender muito sobre várias coisas na vida, porém, sempre em algum momento, teremos a responsabilidade de tocar a “trombeta do arraial” ou o “trombone de prata do bloco”... E então? Estamos preparados para o tocar um belo som, ou tudo é só festa?
Salve o mestre Capiba, e a Deus toda a Glória!