domingo, 27 de março de 2011

Eterno desafio...



É conhecida de muitos a história que num determinado reino, o rei promoveu um concurso de pintura que premiaria a gravura que melhor representasse o tema “Paz”. Apresentaram-se muitos pintores talentosos com seus trabalhos. Um deles representou a paz pintando um cemitério onde não havia nada que atrapalhasse a calma da paisagem. Outro trouxe uma pintura de uma enseada onde o vento não aparecia e a água era um grande espelho refletindo o céu totalmente azul. Um terceiro pintou um gramado muito verde onde se viam violetas espalhas pelos campos. Mas nenhuma dessas pinturas, apesar de tão bonitas, ganhou o prêmio. Quem vencera o desafio, então?

Bem, venceu a pintura que expressava a cena de uma frondosa árvore à beira de um penhasco, sacudida por uma terrível tempestade. Num dos galhos mais altos e retorcidos, havia um pequeno ninho, e dentro dormiam calmamente dois pequeninos pássaros.

Você já se perguntou: Onde está a minha Paz? De onde ela pode vir?

Ao contrário do que se tem dito, a paz não é necessariamente ausência de guerra. A hermenêutica dos evangelhos presente no Novo Testamento nos mostra que é possível experimentar a Paz apesar das batalhas, dos conflitos, das tempestades que temos enfrentado. Muitos “espiritualistas” têm chamado isso de um “estado de equilibro”, que leva as pessoas para um “lugar” livre dos efeitos do estresse e das pressões do dia a dia. Eu prefiro ficar com o SHALOM. O Shalom é uma paz “apesar de...”. É um estado mental que se forma na consciência humana em meio aos conflitos, uma vez que eles são eventuais na vida. Seria possivelmente o mesmo que apesar de tudo manter a serenidade, a calma, a harmonia interior...

Poderíamos dizer que a ansiedade é o princípio de tudo que não se aproxima da Paz. Hoje, muitos ganham fortunas publicando livros e guias de autoajuda, cheios de exercícios práticos para nortear a busca por essa Paz.

Claro, no Hebraico a palavra Shalom (ou Salam em árabe) é simplesmente traduzida como Paz, porém, o sentido da palavra tem a ver com a relação necessária entre Deus e o homem, e do homem consigo mesmo. Significa estar bem e inteiro para com o Criador de todas as coisas e se ver inteiro também. Por isso, nestas línguas a palavra é usada como uma saudação, como sinal de desejo para que o outro esteja bem em tudas as coisas da vida.

Para que se tenha a Paz de forma integral – para que possamos responder a pergunta sugerida – é preciso que ela seja saboreada com confiança e guardada, apreendida para nosso fortalecimento pessoal.

Na verdade, a Paz que nós desejamos ter é aquilo que eu chamo de “Shalom Adonai” – A Paz do Senhor. Tudo começa em Nele e cresce em nós... Aí encontramos o sentido para a nossa existência. Esse desafio que cada um de nós busca a todo momento.

Certa vez o apostolo Paulo disse aos cristãos da cidade de Filipo ainda no primeiro século: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, persistam em oração e súplicas, e dando Graças por tudo, e apresentando seus pedidos a Deus. E o Shalom de Deus, que excede todo o entendimento humano, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.” (Filipenses 4.6-7).

Fica em Paz meu querido leitor. Shalom Adonai!