sábado, 12 de março de 2011

Entre o Caminho e o Clube Estação...



Se olharmos pelo prisma teológico o conceito mais próximo do que Jesus apontava como eclesia, nos surpreenderíamos com um significado bem diferente do que vemos nas comunidades cristãs que chamamos de: Igreja.

Certa vez estava com um grupo de líderes de uma comunidade que conduzi como pastor alguns anos e , numa das primeiras reuniões que promovi com a liderança leiga, como de costume, iniciei a com uma reflexão biblica a cerca do assunto que iríamos deliberar. Voltei-me para um membro ancião que gozava de mais de 50 anos de comunidade, e pedi que abrisse a bíblia no livro de Neemias, ao encontro de fragmentos do capítulo 4. Depois de algum minutos de espera percebemos constrangidos, que aquela pessoa depois de 50 anos de membrezia não sabia “manejar” a bíblia... Olhei aquela cena triste e pensei: Tô lascado....

Ela, no mínimo, não fora alvo do ensino adequado e da verdadeira motivação de estar numa comunidade de fé... Que modelo de igreja ainda estamos testemunhando em nossa vida e sociedade?

Disse um mestre amigo meu: “Há dois modelos básicos de igreja. Há os chamados para fora... e os chamados para dentro...”. Igreja, de acordo com Jesus, é comunhão de dois ou três... em Seu Nome... e em qualquer lugar... Igreja, de acordo com Jesus, é algo que acontece como encontro com Deus, com o próximo e com a vida...

Jesus não tentou criar uma comunidade fixa e fechada, como também não se percebe em Sua espíritualidade qualquer interesse nesse tipo de reclusão comunitária. Ele escolhe doze para ensinar... não para que eles fiquem sempre juntos. Ao contrário, a ordem final é para ir... “Ide e pregai!” Foram treinados a espalhar sementes, a salgar o mundo (dar gosto), a levar amor, a caminhar em bondade, e a sobreviver com dignidade no caminho, com todos os seus perigos e possibilidade (Lucas 10).

No caminho há de tudo... Pela hermenêutica a partir de Jesus constatamos que Ele não pretendia que Seus discípulos fossem mais irmãos uns dos outros do que de todos os outros seres humanos. Que não esperava que o “sal da terra” se confinasse a quatro dignas e geladas paredes. Que não desejava tirar ninguém da vida, da sociedade, da terra... mas apenas desejava que fossemos livres do mal. Não ouvimos Ele dizer: "Eu sou o Clube, a Doutrina e a Igreja; e ninguém vem ao Pai se não por mim".

Em Jesus, o discípulo é apenas um ser humano que ganhou o entendimento do Reino de Deus e vive como seu cidadão, não numa “comunidade análoga”, mas no mundo real. Entretanto, o que vemos é mais clubes que ECLESIA... Neles as pessoas são chamadas para dentro, para deixar o “mundo”, para só considerarem 'irmãos' os membros do 'clube santo', e a não buscarem relacionamentos fora de tal ambiente. Há comunidades que vivem assim e adoecem...!

Como disse o mestre amigo: “A igreja é a estação... O “ajuntamento” o qual chamamos igreja deve ser apenas esse encontro, essa estação, esse lugar de bom animo e adoração. O ideal é que tais encontros gerem amizade clara e livre, e que pela amizade as pessoas se ajudem e ensinem uns aos outros. A verdadeira igreja não tem sócios... Tem apenas gente boa de Deus... e que se reúne e ajuda a manter a tudo aquilo que promove a Palavra na Terra”.

Importante é o caminho que a estação, pois no caminho não há sectarismo... Nele se aprende na ação da mensagem que deve ser ensinada em cada estação; não no clube estação...