domingo, 20 de fevereiro de 2011

Estamos nos aprontando


A busca por um sentido existencial é patrimonio dos seres humanos. Você não verá um pardal, um tigre, ou um a baleia pensando no significado da sua vida. Perguntas como: O que estou fazendo aqui nesta existência? Por que existo? Qual o sentido da minha vida? A aptidão humana de refletir é o que lhe dá abertura para esquadrinhar e encontrar aquilo que é factível, compreensível, apropriado na vida.

O ser humano de fato é um animal em busca de significância, com abertura para o novo, destinado à procura constante e interminável do insondável. Por que este ser atua assim? É porque são animais racionais...? Essa não é uma boa resposta ao problema. A grande verdade é que nós não nascemos prontos, como diz o filosofo Mario Sergio Cortella: “Isso acontece com sapato, com fogão, com geladeira. Sapato, fogão e geladeira vêm prontos e vão se gastando. Humanos nascem não-prontos e vão se fazendo. Eu, Mário Sérgio, não nasci pronto e vim me gastando”.

É um engano pensar que o ser humano envelhece à medida que vive. Conforme vive, se aperfeiçoa, aprende, melhora, cresçe, e muda... Nestes tempos de diversidade e de fragmentação, a competência humana de pensar envolve dois aspectos: um ligado às estratégias – que passa pela necessidade de pensar e agir integralmente, de estar envolvido em grandes sistemas, de ultrapassar fronteiras – e outro relacionado a Cultura (como fazer) – a questão operacional e tática de agir localmente, criando alternativas de sobrevivência.

Assim, Estategia é planejar invadir a Russia com o exército francês, Cultura é como o exercito vai marchar até lá...

O problema é que vivemos num tempo em que acontece a cultura da hiperespecialização, que oferta uma tendência de se valorizar a máxima especialização que impede de ver o todo e o essencial. Morin aponta que “quanto mais os problemas se tornam multidimensionais, maior a incapacidade de pensar sua multidimensionalidade; quanto mais a crise progride, mais progride a incapacidade de pensar a crise; quanto mais planetários tornam-se os problemas, mais impensáveis eles se tornam”.

É a crise da percepção do sentido existencial. Essa gera novas crises de percepção da realidade, das relações, do tempo e espaço. Nós não dispomos mais dos vangardistas recursos produzidos na Modernidade (que não responderam a tudo como se previa) para rever e atualizar a nossa percepção de mundo.

Em fim, lidar com a maior capacidade ou inteligencia que tem, faz hoje do ser humano um caçador implacável por respostas que ele ainda não percebeu que já as obteve. Quem sou e o por que existo? Quem é o outro? Por que persigo a aquele a quem mais preciso?

Sim, estamos nos aprontando, mas não estamos prontos...