sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

É... O cavalo era pernambucano e não paraguaio


Já é comum no futebol atribuir a equipes esportivas que no início das competições arrancam na frente, o codinome de “cavalo paraguaio”. No futebol, por exemplo, no começo dos campeonatos estaduais, esses times não menos expressivos, mas ditos de “pouca chance”, fazem a magia do futebol ganhar mais tempero. O futebol certamente é um esporte que tem a surpresa por aperitivo. Como disse o jornalista pernambucano Nelson Rodrigues em um de seus chavões: “Das coisas menos importantes da vida, a mais importante é o futebol”...

Nesses casos, credita-se ao time chamado de “cavalo paraguaio” uma queda de rendimento ao final da competição. Com isso, esse acaba frustrando os seus torcedores e deixando que times de maior regularidade tomem a frente da disputa do campeonato.

Mas da onde vem essa expressão? Algum pesquisadores destas curiosidades afirmam que o termo "cavalo paraguaio" é uma expressão originária do Mato Grosso do Sul, que remonta aos tempos da Guerra do Paraguai, quando o Paraguai tomou a iniciativa do combate, mas acabou forçado a recuar, até ser totalmente derrotado. Isso aponta que ele saiu na frente e chegou atrás... Claro que toda essa história se reporta ao imaginário do Turfe, e das grandes corridas de cavalos. E é numa delas que conta-se a “verdadeira história do “cavalo paraguaio”. A qual eu gosto mais...

Essa curiosidade data de 6 de agosto de 1933, no Hipódromo Brasileiro, situado no Rio de Janeiro. Conta-se que a cidade estava em alvoroço por conta da realização do primeiro Grande Prêmio Brasil. Relatos da imprensa registram que a pompa da ocasião e a recompensa oferecida atraíram a inscrição de vários competidores nacionais e estrangeiros. Em pouco tempo, a fama de competidores prestigiados inflacionaram os valores nas casas de apostas daquele ano. No fim, contrariando todas as expectativas, “Mossoró”, um cavalo pernambucano que de paraguaio só tinha a descendência, venceu a prova e arruinou o prognóstico dos mais experientes apostadores.

É... O cavalo era pernambucano e não paraguaio. Com o passar do tempo, o imprevisível arranque do cavalo pernambucano (chamado de paraguaio) foi notícia de capa nos jornais da época. Aos poucos, a expressão passou a incorporar o vocabulário futebolístico carioca e nacional. Toda vez que um time inesperadamente conquistava vitórias, os cronistas esportivos anunciavam a presença de um “cavalo paraguaio”.

Nas corridas de cavalos como na vida temos e somos preconceituosos com pessoas, grupos, administrações, projetos que denotam “pouca chances” de dar certo. Essa história nos ensina que devemos ter zelo nas nossas expectativas e “apostas” em relação aos outros e a nós mesmos. Somos inspirados a aprender que o imprevisível também acontece nos melhores planos, programas e projetos.

Lembro que um dos maiores estrategistas de guerra afirmou certa vez: "A grande arte é mudar durante a batalha. Ai do general que vai para o combate com um esquema." (Napoleão Bonaparte).

Cuidado apostadores! Lembrem-se do cavalo pernambucano, ou melhor, do “paraguaio”.